Dessa forma, a adolescência é um período que merece atenção e cuidado tanto da família quanto dos profissionais da educação e da saúde. Para a adoção de comportamentos com o objetivo de evitar riscos à saúde, faz-se necessária a incorporação de uma educação que tenha o diálogo como base e busque fortalecer a consciência crítica e promover a participação ativa das pessoas em suas próprias vidas.1

No que diz respeito ao conhecimento, destaca-se a importância de os adolescentes terem acesso a informações que lhes permitam avaliar o seu próprio risco de adquirir uma doença imunoprevenível, motivando-os a aceitar a vacinação.1 A baixa cobertura vacinal entre os adolescentes está, entre outros motivos, relacionada à falta de conhecimento referente às vacinas e às doenças que são transmissíveis e imunopreveníveis.2 A falta de conhecimento sobre o calendário de vacinação do adolescente e sobre as vacinas contribui para a não aceitação da vacina, ainda mais que a vacinação do adolescente, de acordo com o calendário nacional de vacinação, depende da decisão pessoal do adolescente em ir se vacinar.1

A baixa cobertura vacinal na adolescência também pode estar relacionada à falta de atendimento aos adolescentes de forma sistematizada. O atendimento é realizado de acordo com a demanda espontânea, demonstrando uma organização inadequada do atendimento dessa faixa etária. Assim, a insatisfatória procura dos adolescentes pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a pequena adesão deles aos programas e ações desenvolvidos na atenção primária podem ser consideradas fatores de limitação da cobertura vacinal nessa faixa etária.2

Um bom exemplo de baixa cobertura foi demonstrado com a introdução da vacina meningocócica C, que está disponível nos serviços públicos desde 2017, com redução da cobertura vacinal a cada ano, como mostrado na figura 1.3
 
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A doença meningocócica é considerada um importante problema de saúde pública devido ao seu caráter epidêmico, sendo um agravo de evolução rápida que pode progredir para sequelas como surdez, déficit neurológico e amputação de extremidades. Sua distribuição geográfica é universal e os casos ocorrem durante todo o ano, sendo mais frequentes em períodos de frio, devido à aglomeração de pessoas, o que favorece a transmissão da doença. Estima-se que aproximadamente 500.000 casos ao ano dessa doença ocorram no mundo e sua taxa de mortalidade varia entre 10% e 20%. No Brasil, a incidência total da doença é de cerca de 0,53 caso/100 mil habitantes, a qual acomete pessoas de todas as faixas etárias, porém a maior parte dos casos ocorre em crianças menores de 5 anos de idade (1,27 caso/100 mil habitantes), sobretudo nos menores de 1 ano (4,65 casos/100 mil habitantes).5,6

Embora a vacina meningocócica C faça parte do calendário de vacinação infantil desde 2010 e suas doses sejam obrigatórias, existem fatores que contribuem para que a primeira e a segunda dose da vacina tenham atingido um maior percentual da população-alvo. Entre eles, está a maior utilização de serviços de saúde pelos menores de 1 ano em relação às crianças mais velhas, devido à puericultura e aos cuidados de Saúde da Mulher, podendo justificar a diferença na cobertura entre essas doses e o reforço.5 (Tabela 1)
 
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No entanto, independentemente do motivo da menor cobertura, o baixo percentual da dose de reforço é preocupante, uma vez que a administração dessa dose é o que garante a imunidade do adolescente a longo prazo.5

Os adolescentes não conhecem o calendário vacinal e acreditam que são imunes ao adoecimento por doenças preveníveis. O calendário vacinal do adolescente deve ser verificado constantemente, já que, com o passar dos anos, novas vacinas são incorporadas. Em relação à meningite, por exemplo, a vacina ACWY foi disponibilizada em abril de 2020 para crianças de 11 e 12 anos nas UBS, demonstrando uma modificação recente e importante do calendário vacinal do adolescente. Além disso, novas recomendações podem ser incorporadas às vacinas que já fazem parte da rotina.8
 

A doença meningocócica é considerada um importante problema de saúde pública devido ao seu caráter epidêmico, sendo um agravo de evolução rápida que pode progredir para sequelas como surdez, déficit neurológico e amputação de extremidades. 5,6

No entanto, além do desconhecimento, pode haver medo da dor no momento da aplicação ou outros motivos que podem causar resistência à vacinação.2 Se o adolescente estiver hesitante em se vacinar, é necessário que o clínico entenda a natureza da hesitação e identifique alguma meta ou aspiração compartilhada. Assim, o clínico se integra com o paciente hesitante e normaliza o tópico. Então, o clínico deve restabelecer a postura profissional e transmitir sua experiência sobre as preocupações, além de resumir os conhecimentos científicos sobre o tema, aconselhando em linguagem simples para que o paciente ouça a sua recomendação de forma a minimizar a causa da hesitação.9
 
Dessa forma, a promoção da educação e a reorganização das práticas de saúde relacionadas à vacinação, bem como a corresponsabilização por essa proteção, são passos de uma ação mais abrangente para melhorar a cobertura vacinal entre os adolescentes.1