Introdução 

O uso dos nutracêuticos é muito difundido no Brasil para o tratamento da osteoartrite. No entanto, a literatura ainda está repleta de polêmicas sobre a real efetividade dessa modalidade de tratamento para o alívio sintomático e a melhora da função dos pacientes que sofrem com essa doença. Este artigo foi publicado no importante periódico British Journal of Sports Medicine em outubro de 2017 e tem como último autor o reumatologista australiano David Hunter, um dos maiores investigadores da osteoartrite no mundo.1 

Metodologia 

Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise realizada de acordo com as regras do PRISMA2 e da Cochrane3 que incluiu apenas ensaios clínicos randomizados e controlados com placebo, ou seja, um estudo de nível 1 de evidência científica.1 Os autores consideraram como “nutracêutico” qualquer suplemento alimentar tomado oralmente e incluíram vitaminas, minerais, ervas, aminoácidos e outras substâncias, totalizando 20 suplementos a ser estudados.1 Os artigos selecionados compararam o uso desses suplementos ao uso de placebo em pacientes com osteoartrite de mãos, quadris e joelhos.1 

O risco de viés dos estudos foi calculado usando-se a ferramenta da Cochrane.1 Para facilitar a interpretação do efeito dos tratamentos foi calculado o tamanho do efeito (effect size [ES]) em todos os estudos.1 Os autores consideraram os valores menores que 0,3 como efeito pequeno, os valores entre 0,3 e 0,8 como efeito moderado e os valores maiores que 0,8 como grande efeito. Também foi calculada a mínima diferença clinicamente importante.1
Resultados 

Os autores incluíram 69 ensaios clínicos controlados com placebo que investigaram 20 nutracêuticos.1 A glucosamina (18 artigos) e a condroitina (14 artigos) foram os nutracêuticos mais investigados, e a grande maioria dos artigos (84%) foi sobre pacientes com osteoartrite de joelho.1 Três ensaios clínicos eram sobre o uso do colágeno hidrolisado.1 

Dos 20 nutracêuticos investigados, 7 demonstraram grande efeito (ES >0,8) e efeitos clinicamente importantes na diminuição da dor. São eles: colágeno hidrolisado, extrato de maracujá, extrato de cúrcuma, extrato de Boswellia serrata, curcuminoides, picnogenol e L-carnitina.1 Outros 6 (colágeno tipo 2 não desnaturado, extratos insaponificáveis de soja e abacate, metilsulfonilmetano (MSM), diacereína, glucosamina e condroitina) demonstraram melhora da dor estatisticamente significativa, porém de importância clínica duvidosa.1 (Figura 1)
Não houve diferença entre os nutracêuticos e placebo no tocante a efeitos colaterais, com exceção da diacereína, que apresentou um grande número de eventos adversos.1 (Figura 2) 
Comentário 

Existem muitos estudos de alta qualidade que demonstram alívio sintomático com o uso de nutracêuticos, além de benefícios adicionais desses agentes, inclusive eficácia global semelhante à dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), e um efeito residual (ou seja, um efeito que dura meses mesmo depois da supressão do tratamento).4 Existem na literatura 3 ensaios clínicos que analisam o uso de colágeno hidrolisado, e todos demonstram a melhora da dor e da mobilidade e a redução da necessidade do uso de outras medicações.5-7 
Sem dúvida, a maior vantagem do uso de qualquer nutracêutico é a segurança, já que as drogas utilizadas para alívio da dor, como opioides ou anti-inflamatórios não hormonais, podem causar graves eventos adversos. Assim, além das medidas centrais (educação, emagrecimento e atividade física), somadas a outras medidas de acordo com o perfil de cada paciente,8 o uso de nutracêuticos é opção eficaz e segura no tratamento da osteoartrite.1 

Dos 20 nutracêuticos investigados, 7 demonstraram grande efeito (ES >0,8) e efeitos clinicamente importantes na diminuição da dor. São eles: colágeno hidrolisado, extrato de maracujá, extrato de cúrcuma, extrato de Boswellia serrata, curcuminoides, picnogenol e L-carnitina.1