Inúmeras são as indicações atuais para a utilização de probióticos, tendo em vista as suas modulações da fisiologia gastrointestinal e, também, sistêmica relacionadas a modulação de genes, absorção de nutrientes, defesa da mucosa e metabolismo xenobiótico.1

A viabilidade dos microrganismos probióticos é imprescindível para que seus benefícios sejam obtidos. Assim, mais recentemente, sua definição foi consensualmente relatada como “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, proporcionam benefícios à saúde do paciente”, em conformidade com a Associação Científica Internacional para Probióticos e Prebióticos (ISAPP).2

Modificações significativas na composição da microbiota ocorrem após o nascimento por diversos fatores, principalmente pelo parto via vaginal, exposição ao meio ambiente e contato por meio da amamentação. A partir da estabilização, geralmente nos três primeiros anos de vida, a microflora intestinal nativa tende a manter-se estável durante toda a vida, mesmo com frequente interação com microrganismos que adentram o trato gastrointestinal.3

Essa microbiota apresenta, constitucionalmente, grande capacidade de produção de mecanismos de defesa. Quando operando otimamente, a aliança entre o sistema imunológico e a microbiota permite respostas protetoras a patógenos e a manutenção de vias regulatórias envolvidas na manutenção da tolerância a antígenos inócuos.4

Doenças comuns e frequentes que comprometem grande parte da população têm sido combatidas pela utilização de probióticos. Entre essas, reconhecidamente, a diarreia aguda responsabiliza-se por considerável morbidade e mortalidade infantil, e medidas preventivas e terapêuticas são de grande importância em todo o mundo, sendo recomendação da Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas sua utilização nas gastroenterites agudas em crianças.5

Por sua vez, a infecção por Helicobacter Pylori é universal, predominante em países em desenvolvimento e diretamente relacionada à inflamação da mucosa, responsabilizando-se pela etiologia de úlceras gástricas e duodenais, assim como por carcinomas gástricos e linfomas tipo MALT. Atualmente, terapias para sua erradicação têm significativa redução de sucesso, com esquemas padrão, fundamentalmente pelo desenvolvimento de cepas resistentes. A utilização de probióticos proporciona aumento das taxas de erradicação e redução dos eventos adversos com esses tratamentos. Estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo demonstrou que a utilização de Bacillus Clausii durante e após terapia padrão de 7 dias reduziu efeitos colaterais de diarreia, náusea, alteração do paladar e distensão abdominal nesses indivíduos, possibilitando melhor tolerabilidade ao tratamento proposto.6
Resumos de artigos científicos relacionados seguem-se a esta introdução. Vale, porém, ressaltar o enorme potencial de indicações para a utilização dos probióticos tanto nas doenças gastrointestinais como diarreias  agudas,  diarreias  associadas  ao  uso  de  antimicrobianos,  terapêutica  para  erradicação  do  H. Pylori, gastroenterites por rotavírus e norovírus, síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias intestinais,  constipação  intestinal, enterocolite necrotizante  neonatal, esteatohepatites,  encefalopatia  hepática, bem como para alergias e atopias, infecções respiratórias, síndrome metabólica, infecções geniturinárias, doenças da cavidade oral, entre outras.7-14

A manutenção da homeostasia de nosso organismo corroborada pelos probióticos possibilita amplas e promissoras perspectivas de terapêutica para doenças diversas.