Os hábitos alimentares infantis têm sofrido modificações drásticas nas últimas décadas.1 A deficiência de micronutrientes durante a infância é um problema comum, o qual pode prejudicar o desenvolvimento e o crescimento.2

Uma ingestão inadequada de micronutrientes afeta várias funções do sistema imune, resultando na diminuição de resistência a infecções e no aumento da severidade dos sintomas.3

ALIMENTAÇÃO HOJE

O alto consumo de gorduras e de alimentos altamente calóricos, assim como o consumo frequente de fast food, a alimentação em horários inadequados, a ausência de refeições regulares e a substituição de refeições, leva ao maior risco de deficiências nutricionais, especialmente de vitaminas e minerais.4,5

FATORES DE RISCO PARA DEFICIÊNCIA DE MICRONUTRIENTES

As dietas monótonas com baixa densidade de micronutrientes, a baixa ingestão de alimentos de origem animal, a baixa prevalência de aleitamento materno e a má absorção dos nutrientes em razão de diarreias e parasitas intestinais são consideradas fatores de risco para a deficiência de micronutrientes.5,6

As crianças são consideradas população de risco. A inadequação de nutrientes interfere no processo de desenvolvimento e crescimento da criança e é fator determinante no aparecimento de carências nutricionais ou no surgimento de várias manifestações patológicas que poderão repercutir na vida adulta.5,7,8

IMPACTO DA ALIMENTAÇÃO INADEQUADA PARA O SISTEMA IMUNE

O sistema imunológico é o nosso sistema de defesa e o nosso organismo possui barreiras de proteção:9
  • Barreiras físicas, como pele, pelos e barreiras mucosas;
  • Células imunológicas especializadas;
  • Anticorpos.
A nutrição adequada garante o correto fornecimento de energia. Macro e micronutrientes são necessários para o desenvolvimento, a manutenção e a expressão da resposta imune.9
Com uma nutrição deficiente, a resposta imune fica comprometida, deixando os indivíduos predispostos a infecções.9

Os recém-nascidos não têm exposição antigênica significativa e ainda não adquiriram memória imunológica, portanto sua imunidade adaptativa não está totalmente desenvolvida. À medida que as crianças crescem e se desenvolvem, seus sistemas imunológicos continuam a amadurecer e a adquirir memória.10

QUANDO SUPLEMENTAR


Recomenda-se a suplementação quando a ingestão alimentar de determinado nutriente estiver abaixo da recomendação média ou quando o indivíduo apresentar sinais e sintomas compatíveis com prejuízo de função de determinado nutriente.2,3,9,11

Há vários benefícios na literatura relacionados à suplementação de múltiplos micronutrientes. Estudo da suplementação de múltiplos nutrientes, como vitamina A, ferro e zinco, concluiu que eles são determinantes para o crescimento infantil.12

PRINCIPAIS NUTRIENTES PARA O SISTEMA IMUNE

VITAMINA A

A vitamina A desempenha papel essencial na visão, crescimento, desenvolvimento do tecido ósseo, desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial e processo imunológico.13,14
São fontes de vitamina A: fígado, leites integrais e seus derivados, peixes e gemas de ovos.14 
A vitamina A ajuda a manter a integridade estrutural e funcional das células da mucosa nas barreiras inatas, como a pele e o trato respiratório, e é importante para o funcionamento normal das células imunes inatas.13

VITAMINA D
A vitamina D desempenha funções no estado geral de saúde e imunidade. De maneira geral, o efeito da vitamina D no sistema imunológico se traduz em aumento da imunidade inata associado a uma regulação multifacetada da imunidade adquirida.15
A deficiência de vitamina D pode causar raquitismo, osteomalacia, hipocalcemia, retardo de crescimento e hipoplasia do esmalte dental.13,15-17
O receptor de vitamina D expresso em células imunes inatas, como monócitos, macrófagos e células dendríticas, estimula a proliferação de células imunes e a produção de citocinas, e ajuda a proteger contra infecções causadas por patógenos.13

VITAMINA C
A vitamina C regenera outros antioxidantes importantes, como a glutationa e a vitamina E, ao seu estado ativo. Promove a síntese de colágeno, apoiando, assim, a integridade das barreiras epiteliais. Estimula a produção, a função e o movimento de leucócitos (como neutrófilos, linfócitos e fagócitos) e tem papel na atividade de células antimicrobianas e de células NK (natural killer) e quimiotaxia. Além disso, a vitamina C está envolvida na apoptose e na remoção de neutrófilos usados dos locais de infecção por macrófagos.13
São sinais e sintomas de carência de vitamina C: escorbuto (manifestação clássica), sangramento das gengivas, manifestações hemorrágicas, fadiga, anorexia e edema nas articulações.18
São fontes de vitamina C: frutas e hortaliças.19

VITAMINA B9 – FOLATO OU ÁCIDO FÓLICO
A vitamina B9 é essencial para a saúde do cérebro e mantém a imunidade inata.13,20 
Estudo com mais de 5 mil crianças com idade entre 6 e 16 anos mostrou que maiores concentrações de folato foram associadas com melhor desempenho cognitivo, sem associação com a vitamina B12.21
A deficiência de vitamina B9 pode resultar em crescimento deficiente e em anemia megaloblástica.20

ZINCO
O zinco é um mineral essencial para a função de mais de 300 enzimas e está envolvido no processo de crescimento e desenvolvimento fetal, maturidade sexual e sistema imunológico.13,22
Além disso, ajuda a modular a liberação de citocinas, induz a proliferação de células T e ajuda a manter a integridade da pele e das membranas mucosas.13
Entre os sinais de carência de zinco, podemos citar as lesões de pele, o retardo no crescimento, as alterações da função imune, a anorexia e o hipogonadismo.13,22
 
FERRO
O ferro é um mineral vital para a homeostase celular. É essencial para o transporte de oxigênio, a síntese de DNA e o metabolismo energético. É utilizado principalmente na síntese da hemoglobina e da mioglobina.23
Está envolvido na regulação da produção e ação de citocinas. Forma radicais hidroxila altamente tóxicos, envolvidos no processo de eliminação de bactérias por neutrófilos.13 
Na criança, a falta de ferro está associada com o desenvolvimento neurológico deficiente.24
 

Os hábitos alimentares infantis têm sofrido modificações drásticas nas últimas décadas. A deficiência de micronutrientes durante a infância é um problema comum, o qual pode prejudicar o desenvolvimento e o crescimento. Uma ingestão inadequada de micronutrientes afeta várias funções do sistema imune, resultando na diminuição de resistência a infecções e no aumento da severidade dos sintomas.

VITAMINA K
A vitamina K participa da formação da matriz óssea, e sua deficiência pode estar associada ao maior risco de fraturas.25
São fontes de vitamina K: espinafre, hortaliças, peixes e cereais.25

CÁLCIO

O cálcio é um elemento fundamental para o organismo, e sua importância está relacionada às funções que ele desempenha na mineralização óssea, principalmente na saúde óssea, como a formação, manutenção da estrutura e rigidez do esqueleto.16
O decréscimo do consumo de cálcio e de vitamina D em períodos de crescimento pode influenciar negativamente o desenvolvimento ósseo.16
As recomendações nutricionais para o consumo de cálcio variam durante a vida, com maiores necessidades durante períodos de rápido crescimento, como na infância e na adolescência, durante a gravidez e a lactação.16
São fontes de cálcio: leite e seus derivados.16

MAGNÉSIO

O magnésio na saúde humana participa da formação de dentes e ossos, e auxilia na transmissão de impulsos nervosos, no relaxamento muscular e também na produção de energia das células, com participação na síntese dos ácidos graxos e proteínas, entre outras funções no corpo humano, como na sinalização e comunicação.26