A doença cardiovascular (DCV), representada principalmente pela doença arterial coronariana (DAC) e pelo acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), constitui a principal causa de morte e incapacidade no mundo ocidental.1,2

A introdução das estatinas no arsenal terapêutico da hipercolesterolemia modificou substancialmente a história natural da DCV, a ponto de, nos dias atuais, as estatinas constituírem fármacos de primeira linha na prevenção primária e secundária da doença aterosclerótica.3,4

A redução dos eventos cardiovasculares com estatinas é proporcional ao grau de redução do LDL-c.5 Uma redução de 1,0 mmol/L (aproximadamente 39 mg/dL) no LDL-c resulta em diminuição de aproximadamente 20% nos principais eventos coronarianos e reduções maiores no LDL-c estão associadas a maiores reduções de eventos cardiovasculares.5 Portanto, estatinas mais potentes resultam em maior redução do risco cardiovascular.5 Assim, as evidências indicam fortemente que a terapia agressiva com altas doses de estatinas e o uso de estatinas mais potentes, com reduções mais expressivas das lipoproteínas aterogênicas, diminuem significativamente mais os eventos cardiovasculares, em comparação às doses habituais de estatinas e às estatinas menos potentes, para indivíduos com alto risco.            

O STELLAR6 foi um estudo amplo com 2.431 adultos e duração de seis semanas, multicêntrico e aberto que comparou a eficácia e a segurança, nos diversos intervalos de dose aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), de rosuvastatina 10, 20, 40 ou 80 mg ao dia, atorvastatina 10, 20, 40 ou 80 mg ao dia, sinvastatina 10, 20, 40 ou 80 mg ao dia e pravastatina 10, 20 ou 40 mg ao dia. Teve como objetivo primário comparar a taxa de redução do LDL-c e como objetivos secundários a avaliação da eficácia em modificar outros parâmetros lipídicos (colesterol total, triglicérides e HDL-c), em atingir metas lipídicas estabelecidas pelo Programa Nacional de Educação sobre Colesterol – Painel de Tratamento do Adulto III (NCEP-ATP III)7 e as metas europeias, e avaliações de segurança.6,8

Após suspensão de qualquer hipolipemiante e um período de dieta em que se seguiu o protocolo de fase 1 do NCEP6,9 durante seis  semanas, os pacientes que permaneceram com taxas de LDL-c >160 mg/dL e <250 mg/dL e triglicérides <400 mg/dL foram randomizados para um dos 15 braços do estudo.6

Após seis semanas de tratamento, os autores demonstraram, na análise pareada, que a rosuvastatina 10 mg reduziu o LDL-c significativamente mais do que a atorvastatina 10 mg, que a rosuvastatina 20 mg reduziu o LDL-c significativamente mais do que a atorvastatina 20 ou 40 mg e que a rosuvastatina 40 mg reduziu o LDL-c significativamente mais do que a atorvastatina 40 mg.6 Além disso, a rosuvastatina reduziu o LDL-c significativamente mais do que a sinvastatina e a pravastatina em todas as 14 comparações de pares analisadas.6 É importante salientar que, de todas as opções terapêuticas testadas, a maior redução do LDL-c foi obtida com a rosuvastatina 40 mg, com redução média de 55%, em comparação a apenas 51% de redução com a atorvastatina 80 mg (p=0,006).6 (Figura 1)
Quanto aos objetivos secundários, as taxas de HDL-c no grupo que recebeu a rosuvastatina tiveram variação percentual média de 7,7% a 9,6%, em comparação a apenas 2,1% a 6,8% em todos os outros grupos.

No intervalo das doses, a rosuvastatina reduziu o colesterol total significativamente mais (p<0,001) do que todos os comparadores, e os triglicerídeos, significativamente mais (p<0,001) do que a sinvastatina e a pravastatina.6 

Quanto à obtenção das metas terapêuticas, de 82% a 89% dos pacientes tratados com rosuvastatina 10 a 40 mg, em comparação com 69% a 85% dos tratados com atorvastatina 10 a 80 mg, atingiram as metas de LDL-c do NCEP-ATP III.6,7 A análise da rosuvastatina 10 mg demonstrou que 79% dos pacientes já alcançaram a meta de LDL-c, percentual semelhante ao dos que atingiram essa meta com doses mais altas de atorvastatina e sinvastatina (81% e 77%, respectivamente).6

Quanto às metas europeias, também a rosuvastatina foi significativamente mais eficaz na obtenção das metas de LDL-c <116 mg/dL.6 No grupo de pacientes que receberam rosuvastatina, de 79% a 92% alcançaram as metas, em comparação com 52% a 81% no grupo de atorvastatina.6,8

Quanto à obtenção das metas terapêuticas, de 82% a 89% dos pacientes tratados com rosuvastatina 10 a 40 mg, em comparação com 69% a 85% dos tratados com atorvastatina 10 a 80 mg, atingiram as metas de LDL-c do NCEP-ATP III.6,7


Por fim, mas não menos importante, o perfil de tolerabilidade aos medicamentos testados no estudo não mostrou diferença entre os grupos de tratamento.6 O percentual de pacientes que relataram eventos adversos durante o acompanhamento foi semelhante entre os diversos grupos.6