INTRODUÇÃO 

Os indivíduos diabéticos apresentam alto risco de eventos cardiovasculares ateroscleróticos e suas complicações.1-5 A redução intensiva do LDL-colesterol (LDL-C) é a pedra fundamental da prevenção cardiovascular nesses indivíduos e deve ser prescrita como recomendado, de forma unânime, em diretrizes nacionais e internacionais.3,4,6 

CASO CLÍNICO 

Paciente do sexo masculino, de 57 anos de idade, com diabetes tipo 2 há 15 anos e hipertensão há 18 anos, foi admitido em unidade de emergência com precordialgia em queimação no repouso, irradiada para o pescoço e de caráter intermitente (duração de 5 a 20 minutos) há 6 horas. Ao exame físico, apresentava frequência cardíaca de 70 bpm, PA de 130/85 mmHg, quarta bulha intermitente à ausculta cardíaca. O restante do exame não mostrou alterações. O paciente utilizava sinvastatina 10 mg, enalapril 20 mg, clortalidona 25 mg, metformina XR 1 g e gliclazida 30 mg/dia. O ecocardiograma (ECG) mostrou inversão da onda T nas paredes lateral e lateral alta. Iniciou-se tratamento com nitroglicerina endovenosa, ácido acetilsalicílico 200 mg e enoxaparina 80 mg, de 12 em 12 horas. Os exames de sangue mostraram troponina I de 40 ng/mL (VN: 0,04 ng/mL), creatinina de 0,9 mg/dL, glicemia de 155 mg/dL, colesterol total de 168 mg/dL, LDL-C de 100 mg/dL, HDL-C de 32 mg/dL e triglicérides de 180 mg/dL. O diagnóstico foi de infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST, e o paciente foi submetido a cateterismo cardíaco. Este último mostrou lesão suboclusiva em ramo marginal da artéria circunflexa, obstrução de 40% da artéria descendente anterior e de 60% da artéria ventricular posterior. O paciente recebeu, então, clopidogrel 300 mg, realizando-se implante de stent farmacológico na artéria culpada com sucesso. 

O paciente evoluiu bem, com boa função ventricular, e recebeu alta dois dias após, com ácido acetilsalicílico 100 mg, clopidogrel 75 mg, enalapril 20 mg, clortalidona 25 mg, atenolol 50 mg, metformina XR 1 g, empagliflozina 10 mg e rosuvastatina 40 mg. O paciente evoluiu assintomático e após 45 dias apresentava glicemia de jejum de 130 mg/dL, hemoglobina glicada de 6,8%, colesterol total de 110 mg/dL, LDL-C de 45 mg/dL, HDL-C de 37 mg/dL e triglicérides de 140 mg/dL. 

DISCUSSÃO 

Os portadores de diabetes mellitus (DM), principalmente do tipo 2, apresentam alto risco de eventos cardiovasculares1,2 e de complicações após síndromes coronarianas agudas (SCAs)5. Lettino et al.5 mostraram que, nos pacientes que sofreram SCA (28.899 diabéticos e 97.505 sem diabetes), as razões de risco (OR) de morte por todas as causas e de morte cardiovascular durante a internação foram maiores nos diabéticos (respectivamente OR de 1,66 [IC de 95%: 1,42-1,94] e OR de 2,33 [IC de 95%: 1,78-3,03]).5 Os diabéticos que sofrem SCA normalmente apresentam extensa carga de placas de ateroma e presença frequente de fatores de risco de aterosclerose e ou de doenças concomitantes, como dislipidemia, hipertensão arterial, disglicemia, inflamação, doença renal crônica e disfunção diastólica do ventrículo esquerdo.1,3,4,6,7 Esses fatos se associam não apenas a complicações intra-hospitalares como também à recorrência de eventos clínicos, apesar de tratamentos como revascularização da artéria culpada e dupla antiagregação plaquetária.8,9 

A redução do colesterol com estatinas é fator essencial na prevenção cardiovascular dos portadores de DM.3,4,6 Metanálises de estudos randomizados e controlados com placebo mostram a relação direta entre a queda do LDL-C e a prevenção de eventos como mortalidade cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e revascularização do miocárdio em diabéticos.10,11 Devido ao alto risco de eventos cardiovasculares, os diabéticos têm maior benefício absoluto do tratamento do que os não diabéticos, fato que torna o tratamento altamente custo-eficaz.8,9 As diretrizes nacionais e internacionais são unânimes em recomendar a diminuição de, pelo menos, 50% no LDL-C em indivíduos de risco muito alto, como os diabéticos que sofreram SCA.3,4,6 As diretrizes do Brasil recomendam LDL-C <50 mg/dL nessa situação,3,4 enquanto a recente diretriz europeia fala em LDL-C <55 mg/dL.6

A rosuvastatina foi avaliada extensivamente no tratamento de diabéticos.12-15 No estudo URANUS, doses de 10 a 40 mg desse fármaco reduziram o LDL-C de 47% a 52%.13 No estudo ANDROMEDA, doses de 10 mg e de 20 mg de rosuvastatina reduziram o LDL-C de 51% a 57%, respectivamente.14 Já no estudo holandês CORALL, doses de 10 mg, 20 mg e 40 mg de rosuvastatina reduziram o LDL-C, respectivamente, em 46%, 51% e 53%.15 A eficácia da rosuvastatina na redução de eventos cardiovasculares foi comprovada nos estudos JUPITER16 e HOPE-317
Dessa forma, a rosuvastatina se revela como medicamento muito eficaz na redução do LDL-C, no atingimento de metas propostas nas diretrizes e, consequentemente, na redução de eventos cardiovasculares em diabéticos. 

A rosuvastatina foi avaliada extensivamente no tratamento de diabéticos.12-15  No estudo URANUS, doses de 10 a 40 mg desse fármaco reduziram o LDL-C de 47% a 52%.13