As estatinas são o pilar do tratamento das dislipidemias e da terapêutica de redução do risco cardiovascular.1-4 A redução de cerca de 40 mg/dL no LDL-colesterol (LDL-c) com uma estatina está associada à redução de cerca de 20% do risco cardiovascular.1,5 Embora até o momento não se tenha identificado um valor mínimo de LDL-c abaixo do qual não haja redução de risco, os consensos e as diretrizes atuais estabelecem metas lipídicas para guiar o cuidado clínico individualizado.6-8

Essas metas podem ser valores absolutos de LDL-c (nível plasmático) ou percentual mínimo de redução de LDL-c a ser atingidos. Há consenso de que a meta lipídica deva ser individualizada conforme o risco cardiovascular, e aqueles de mais alto risco irão se beneficiar de redução lipídica mais agressiva, em geral obtida com uma estatina potente.

Entretanto, na prática clínica diária, muitos pacientes permanecerão fora das metas lipídicas preconizadas mesmo em uso de uma estatina potente ou não tolerarão a dose máxima. Nesse caso, a associação com ezetimiba, droga que reduz a absorção intestinal de colesterol atuando sinergicamente com a estatina, torna-se a primeira escolha para o atingimento de metas.9

O estudo IMPROVE-IT,9 realizado com pacientes pós-síndrome coronariana aguda, demonstrou que essa redução adicional de LDL-c obtida, em comparação ao uso isolado de estatina, se traduz em diminuição de desfechos cardiovasculares.9

Neste fascículo, trazemos o resumo de um estudo que fornece informações relevantes na prática clínica. O estudo mostra a eficácia da associação de rosuvastatina com ezetimiba para obter redução de LDL-c.

EFICÁCIA E SEGURANÇA DE EZETIMIBA E ROSUVASTATINA EM TERAPIA COMBINADA VERSUS ROSUVASTATINA EM MONOTERAPIA EM PACIENTES COM HIPERCOLESTEROLEMIA PRIMÁRIA

OBJETIVO

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia e a segurança do tratamento combinado com rosuvastatina e ezetimiba em pacientes com hipercolesterolemia.10

MÉTODO

Foi um estudo multicêntrico, randomizado e duplo-cego que abrangeu um estudo principal e outro de extensão.10 No estudo principal, com duração de oito semanas, a eficácia e a segurança da combinação de rosuvastatina (5, 10 e 20 mg) com ezetimiba (10 mg) foram comparadas com as de rosuvastatina (5, 10 e 20 mg) em uso isolado.10 Os participantes que atingiram a meta de LDL-c conforme o Painel de Tratamento de Adultos do Programa Nacional de Educação para o Colesterol no estudo principal e concordaram com um estudo adicional foram inscritos no estudo de extensão (12 semanas).10 No estudo de extensão, a ezetimiba (10 mg) também foi administrada a indivíduos que receberam rosuvastatina (5, 10 e 20 mg) de forma isolada no estudo principal, e o mesmo tratamento teve continuidade nos indivíduos que receberam a combinação de rosuvastatina e ezetimiba no estudo principal.10

RESULTADOS

Foi avaliado um total de 375 pacientes.10 No final do estudo principal, as taxas de LDL-c foram reduzidas de forma mais significativa nos indivíduos que receberam a terapia combinada do que naqueles que receberam monoterapia com rosuvastatina (-56,47% vs. -45,18%).10 Outros parâmetros lipídicos também melhoraram significativamente no grupo que recebeu a terapia combinada.10 (Figura 1) Esses resultados superiores do perfil lipídico se mantiveram no período de extensão do estudo.10
O estudo também demonstrou que a terapia combinada com rosuvastatina e ezetimiba foi em geral bem tolerada.10 No fim do estudo principal, um número maior de indivíduos atingiu a meta de LDL-c do Painel III de Tratamento de Adultos do Programa Nacional de Educação para o Colesterol no grupo de terapia combinada em relação ao grupo de monoterapia (94,15% vs. 86,63%).10 O aumento da dosagem de rosuvastatina também foi bem tolerado no tratamento combinado.10

CONCLUSÃO

Os autores concluíram que a terapia combinada com ezetimiba e doses variáveis de rosuvastatina melhorou o perfil lipídico e permitiu que um número maior de indivíduos atingisse as metas de LDL-c no caso dos pacientes com hipercolesterolemia primária em comparação com rosuvastatina em monoterapia.10 

A eficácia da terapia combinada foi mantida por um período prolongado, assim como alterações benéficas adicionais foram alcançadas com a terapia combinada mesmo entre os pacientes que responderam bem à monoterapia com rosuvastatina.10

COMENTÁRIOS FINAIS

Embora a terapêutica com estatina potente, como a rosuvastatina em dose alta, seja o primeiro passo para a redução do risco cardiovascular, muitos pacientes podem ficar fora das metas preconizadas, e a associação com ezetimiba se faz necessária.5

Deve-se sempre procurar utilizar a dose terapêutica mais alta da estatina, mas nem sempre isso é possível. Embora a total intolerância à estatina seja rara, os sintomas musculares podem ser um limitante na titulação.5
 
Além disso, sabemos que o fato de dobrar a dose de uma estatina acrescenta, em média, apenas 6% de redução de LDL, o que muitas vezes não é o suficiente para colocar o paciente na meta necessária.9

Embora a total intolerância à estatina seja rara, os sintomas musculares podem ser um limitante na titulação.5

Por muito tempo se questionou se a redução lipídica obtida com a associação da ezetimiba com uma estatina traria o mesmo benefício obtido nos estudos com as estatinas. Após a publicação do estudo IMPROVE-IT,9 essas dúvidas foram dirimidas, pois a redução do risco obtida com a associação foi a mesma esperada em relação à mesma redução obtida apenas com estatina.