Nesta entrevista, a farmacêutica Amanda Cruz (CRF-MG 37420) fala sobre a evolução do papel do farmacêutico e a transformação das farmácias na atenção à saúde da população brasileira. 

1) Na sua opinião, qual o papel do farmacêutico como agente do tratamento no ponto primário de atenção à saúde no Brasil?

O farmacêutico é o último profissional de saúde a ter contato com o paciente após a consulta. Por isso, acolher e orientar é mais que uma responsabilidade, é um ato de cuidado. A Atenção Farmacêutica preza principalmente pela adesão ao tratamento, buscando minimizar os percalços que o paciente possa enfrentar, por exemplo, orientando sobre interações medicamentosas, interações de medicações com alimentos, duração do tratamento, posologia e efeitos adversos. Além disso, com a adesão ao tratamento é possível estabilizar o quadro, evitando um encaminhamento para a atenção secundária e, consequentemente, reduzindo o número de pessoas em filas de hospitais e gerando menores custos aos cofres públicos.  

2) Como você vê a evolução da atuação farmacêutica no ponto de cuidado (farmácias)?
É nítida a evolução da atuação farmacêutica quando olhamos para a história da farmácia. Para exemplificar, cito a transformação de drogaria e farmácia como estabelecimento de saúde e os serviços de vacinação. Ademais, no atual contexto de pandemia de COVID-19, o conceito de telefarmácia e os testes rápidos para detecção do SARS-CoV-2 trazem um novo marco. 

3) Quais dicas você daria para que seus colegas farmacêuticos possam contribuir de forma eficaz no atendimento e acompanhamento multidisciplinar de pacientes com doenças crônicas?

É preciso que o farmacêutico seja protagonista, ou seja, que ele assuma a responsabilidade por parte do tratamento do paciente. O trabalho multidisciplinar é a chave para um tratamento eficaz no caso de doenças crônicas e isso requer que todos os profissionais envolvidos se comuniquem. Nós, farmacêuticos, precisamos nos manter atualizados e, por isso, realizar pós-graduações e cursos que aprofundam o conhecimento sobre o acompanhamento farmacoterapêutico é de suma importância. Assim, assumir o protagonismo e não se esconder por detrás dos medicamentos, mostrar seus conhecimentos e suas habilidades no acolhimento e no momento da orientação, proporciona cuidado ao paciente e, por conseguinte, a valorização da classe.