O que são os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE)?

Os portadores de doenças crônicas, como imunodeficiências congênitas ou adquiridas, doenças neurológicas, hematológicas ou metabólicas, cardiopatias, pneumopatias e outras, ou com exposição a situações de risco, apresentam maior risco de infecção ou de doença grave por determinados patógenos.

Esses indivíduos têm recomendações de imunizações específicas.1 Para atender a esses grupos especiais no Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) criou os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), unidades de vacinação públicas e gratuitas.
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Os CRIE são centros constituídos de infraestrutura e logística específicas destinados ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais.2 

Esses centros disponibilizam vacinas e imunoglobulinas não disponíveis na rotina do PNI para indivíduos com maior risco de infecção ou doença grave e para pessoas com contraindicação de uso de imunobiológicos utilizados na rotina.1 Além disso, os CRIE são também responsáveis pela investigação e acompanhamento de casos de eventos adversos pós-vacinação.1

Os primeiros serviços foram criados em 1993.1 
Até 2000, foram criados 34 CRIE, e desde 2002 cada estado tem pelo menos um desses serviços.1

Quais são os pacientes elegíveis?2 


Pessoas imunocompetentes elegíveis para uso de imunobiológicos especiais nos CRIE
  • Comunicantes suscetíveis de pacientes com doenças transmissíveis
  • Pessoas que convivem com doentes imunodeprimidos
  • Profissionais expostos a riscos
  • Viajantes para áreas endêmicas para doenças imunopreveníveis
  • Pessoas que apresentaram eventos adversos pós-vacinais graves
  • Pessoas alérgicas a soros heterólogos
Pessoas imunocompetentes elegíveis para uso de imunobiológicos especiais nos CRIE
  • Gestantes*
  • Pessoas com doenças hemorrágicas
Imunobiológicos disponíveis para recém-nascidos
  • Imunobiológicos de uso eventual na unidade neonatal
  • Imunização do lactente que permanece internado na unidade neonatal
  • Imunização do prematuro ou de baixo peso
*Para gestantes, a vacina (dTpa) está disponível na rede de saúde. Nos CRIE, poderá ser aplicada, nas indicações preconizadas, quando o paciente receber outras vacinas especiais.

Condições relacionadas à imunodepressão elegíveis para uso de imunobiológicos especiais nos CRIE 
  • Imunodeficiências congênitas
  • Imunodeficiência adquirida (HIV/AIDS)
  • Imunodeficiências devidas a câncer
  • Transplantes de órgãos sólidos
  • Transplante de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea)
  • Imunodeficiências decorrentes de imunodepressão terapêutica
  • Vacinação contra febre amarela em situações especiais
  • Revacinação pós-quimioterapia
Pessoas com outras condições associadas a risco que necessitam de imunobiológicos especiais
  • Asplenia anatômica ou funcional, hemoglobinopatias, doenças de depósito e outras condições associadas a disfunção esplênica
  • Outras condições clínicas crônicas de risco
Recomendações

A vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis acelular (DTPa) está indicada após os seguintes eventos adversos graves ocorridos com a aplicação da vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP) ou com a vacina adsorvida difteria, tétano, pertússis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b (penta):2

  1.  Convulsão febril ou afebril nas primeiras 72 horas após a vacinação.
  2.  Síndrome hipotônico-hiporresponsiva nas primeiras 48 horas após a vacinação.
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Assim como para crianças que apresentem risco aumentado de desenvolvimento de eventos graves à vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP) ou à vacina adsorvida difteria, tétano, pertússis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b (penta):2

1.  Doença convulsiva crônica.
2. Cardiopatias ou pneumopatias crônicas com risco de descompensação em vigência de febre. 
3.  Doenças neurológicas crônicas incapacitantes. 
4.  Recém-nascido que permaneça internado em unidade neonatal por ocasião da idade de vacinação. 
5.  Recém-nascido prematuro extremo (menos de 1.000 g ou 31 semanas).

Preferencialmente a DTPa também deve ser indicada nas seguintes situações de imunodepressão:2 

1. Pacientes com neoplasias e/ou que necessitem de quimioterapia, radioterapia ou corticoterapia. 
2.  Pacientes com doenças imunomediadas que necessitem de quimioterapia, corticoterapia ou imunoterapia. 
3.  Transplantados de órgãos sólidos e de células-tronco hematopoiéticas.

A vacina poliomielite 1, 2 e 3 inativada (VIP) está indicada para:2 

1.  Crianças imunodeprimidas com deficiência imunológica congênita ou adquirida não vacinadas ou que receberam esquema incompleto de vacinação contra poliomielite. 
2.  Crianças que estejam em contato domiciliar ou hospitalar com pessoa imunodeprimida. 
3.  Transplantados de órgãos sólidos ou de células-tronco hematopoiéticas (TMO). 
4.  Crianças com história de paralisia flácida associada à vacina após dose anterior de vacina poliomielite 1, 3 atenuada, oral (VOP).

Em crianças nascidas com menos de 1.000 g ou menos de 31 semanas de gestação (prematuras extremas) ou que permaneçam internadas em unidade neonatal por ocasião da idade de vacinação, a primeira dose pode ser feita a partir de 2 meses de idade, como segue:2 

1. DTP acelular, de preferência isoladamente, e posteriormente Hib, HB. 

O esquema de vacinação é aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses e outro aos 4 anos de idade. 

2. VIP. O esquema de vacinação é aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses e outro aos 4 anos de idade.2 

As demais doses devem ser preferencialmente feitas com a vacina adsorvida difteria, tétano, pertússis acelular, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b e VIP, na rotina, conforme a idade.2 

Crianças nascidas com menos de 1.000 g podem apresentar mais episódios de apneia quando vacinadas com vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP), mas isso acontece com menor frequência com a administração de vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis acelular (DTPa).

O uso simultâneo de múltiplas doses injetáveis também pode associar-se à apneia, devendo-se dar preferência à administração de menor número de injeções em cada visita.2

Como indicar o benefício

Os CRIE atendem de forma personalizada o público que necessita de produtos especiais, de alta tecnologia e de alto custo, adquiridos pelo PNI.2 Porém, para fazer uso desses imunobiológicos, é necessário apresentar a prescrição com indicação médica e um relatório clínico sobre o caso.2

O profissional responsável pelo cidadão que precisa de vacinas especiais fornecidas por esses centros (como o bebê prematuro, o indivíduo infectado pelo vírus HIV, o portador de imunodeficiência congênita ou o que recebe quimioterapia) deve elaborar, no próprio receituário médico, um relatório com o diagnóstico e um breve histórico da doença do paciente.3 

Em seguida, o cidadão ou o responsável pelo paciente deve comparecer ao CRIE mais próximo portando o relatório e os exames necessários, como os de laboratório e as radiografias, entre outros.3 O paciente passará por consulta e será vacinado conforme o manual do CRIE.3 

Essas indicações serão avaliadas pelo médico ou enfermeiro responsável pelo CRIE, e os imunobiológicos serão dispensados se as indicações estiverem contempladas pelas normas em vigor.2 
 

O uso simultâneo de múltiplas doses injetáveis também pode associar-se à apneia, devendo-se dar preferência à administração de menor número de injeções em cada visita.2

Como ter acesso

O paciente deve agendar uma consulta no CRIE.2,3 Ao comparecer à consulta, deve levar a documentação necessária, ou seja, laudo médico descritivo das condições clínicas, carteira de vacinação e prescrição das vacinas.2,3 A vacina será administrada pelo profissional de saúde do CRIE mediante apresentação da prescrição médica, e a carteira de vacinação será atualizada com relação à essa aplicação.2,3

Etapas de acesso aos CRIE

1. Elaborar um relatório com o breve histórico e o diagnóstico da doença no próprio receituário médico.3 

2. Nesse momento, também prescrever as vacinas adequadas para o paciente, justificando a prescrição com indicação médica (CID-10) no receituário.4

3. O paciente deve agendar uma consulta no CRIE mais próximo.2,3

4. Para consulta no CRIE, o paciente deve levar o relatório médico com descrição das condições clínicas (etapa 1), os resultados de exames que comprovem o diagnóstico, a prescrição das vacinas (etapa 2) e a carteira de vacinação.2,3 

5. O médico ou o enfermeiro do CRIE avalia se as vacinas serão aplicadas, de acordo com as normas em vigor.2

Faça o download do manual do CRIE e encontre a unidade mais próxima de você!