A insônia tem alta comorbidade com uma série de doenças cardiovasculares, especialmente entre adultos jovens ou adultos que não desenvolveram hipertensão.1,2

E os distúrbios de insônia estariam relacionados aos danos cardiovasculares?
Nos estudos anteriores os resultados foram mistos, principalmente com amostras de adultos de meia-idade a idosos. Além disso, as definições de insônia variaram.3-6

A Dra. Megan Petrov apresentou os resultados preliminares de um estudo caso-controle que ainda está em andamento. O estudo comparou os resultados de adultos jovens com insônia com um grupo controle sem problemas de insônia, avaliando a função endotelial, a rigidez arterial, além da função e da estrutura cardíaca.7

Os participantes do grupo de estudo tinham entre 21 e 44 anos de idade, diagnóstico de insônia pelos critérios SOLa, WASOb  e escore de gravidade de insônia ≥10.7

O grupo controle foi formado com participantes da mesma faixa etária que o grupo de estudo, sem diagnóstico de insônia.7 

Os critérios de exclusão compreenderam desordens de respiração ou movimento durante o sono, trabalhadores por turnos, doenças cardiovasculares inflamatórias, diabetes, hipertensão, uso de hipnóticos, doenças psiquiátricas nos últimos seis meses, tabagismo e elevado consumo de álcool ou cafeína.7

Os investigadores realizaram as seguintes avaliações:7
  • Dilatação fluxo-mediada da artéria braquial;
  • Análise da onda de pulso;
  • Velocidade de onda de pulso carótida-femoral;
  • Ecocardiografia 2D.
No total, foram selecionados 28 participantes (10 no grupo com insônia e 18 no grupo controle sem insônia), dos quais 10 participantes eram do sexo masculino (4 no grupo com insônia e 6 no grupo controle), com idade média de 27,6 anos (32,2 anos no grupo com insônia e 25 anos no grupo controle).7

Os resultados preliminares mostraram que, em comparação com o grupo controle, o grupo com insônia apresentou maior pressão arterial na análise da onda de pulso, maior velocidade de onda de pulso carótida-femoral e piores resultados na avaliação por ecocardiograma.7

Os autores concluíram que os adultos jovens relativamente saudáveis, com insônia, apresentaram:7
  • Pior função ventricular esquerda sistólica e diastólica;
  • Maior pressão arterial sistólica central;
  • Uma tendência de maior rigidez arterial.
Deve-se levar em consideração que os resultados desse estudo são preliminares, com uma amostra piloto pequena e que o estudo não levou em consideração outras variáveis como sexo, história de insônia e história familiar de doenças cardiovasculares.7

A fisiopatologia cardiovascular precoce na insônia é mal caracterizada e o distúrbio de insônia em adultos jovens pode representar um novo fator de risco para doença/disfunção cardiovascular.7

Investigações futuras devem examinar as vias mecânicas entre o distúrbio de insônia e o risco cardiovascular e se os tratamentos atuais baseados em evidências para o transtorno de insônia alteram os marcadores da função cardiovascular.7

a SOL: latência para o início do sono (do inglês, sleep-onset latency)
b WASO: tempo acordado após início do sono (do inglês wake time after sleep onset