Texto elaborado com base no debate
Advanced Telepsychiatry Case Dilemmas Roundtable: Navigating Common and Complex Challenges in Clinical Telepsychiatry
Speakers: James H. Shore, Peter M. Yellowlees, Robert Caudill, Steven Richard Chan

Telepsiquiatria avançada: desafios frequentes e complexos
A telepsiquiatria é um subconjunto de telemedicina que fornece avaliação e atendimento psiquiátricos por meio de telecomunicações na forma de videoconferência interativa ao vivo suportada por outras tecnologias, como e-mail, registros eletrônicos de saúde e portais de pacientes. Esses canais de comunicação permitem que os prestadores de cuidados primários e seus pacientes tenham acesso rápido, confiável e consistente aos conhecimentos psiquiátricos.1

A atual pandemia da COVID-19 criou desafios inesperados na prestação de cuidados de qualidade aos pacientes de saúde mental. Em conjunto com os rápidos esforços para conter a propagação do vírus por meio do distanciamento social, os sistemas de saúde e os profissionais da saúde devem se adaptar com a mesma rapidez para garantir a continuidade do atendimento às populações com maior risco de descompensação devido à doença mental.2
Felizmente, a tecnologia de telepsiquiatria mostra uma grande possibilidade para sanar essa repentina brecha no atendimento – mais ainda que a telemedicina, já que as avaliações psiquiátricas dependem muito mais da entrevista e menos do exame físico.2

No entanto, há algumas barreiras relacionadas às políticas de cobertura e reembolso de seguro iguais aos de assistência pessoal, de acesso e questões práticas enfrentadas por hospitais, clínicas e prestadores de serviços ainda despreparados para prestar assistência por meio dessa modalidade.2
Além disso, há uma diferença na adesão à telepsiquiatria relacionada ao tipo de paciente psiquiátrico, particularmente em relação ao funcionamento social geral do paciente. Pacientes com transtorno depressivo apresentam boa adesão às teleconsultas, inclusive semelhante aos pacientes tratados tradicionalmente. Já pacientes com esquizofrenia apresentam adesão mais baixa.3

Dependendo do conforto, da familiaridade com a tecnologia ou do profissional, o indivíduo pode ter graus variados de receptividade ao modelo específico de telessaúde. A disposição do paciente de se engajar é um fator essencial para o sucesso da implementação e eficácia na melhoria da prestação de assistência médica. A avaliação do médico também deve considerar qual tecnologia é acessível, prática e viável, considerando o acesso do paciente aos produtos eletrônicos e meios digitais.4

A modalidade de tecnologia escolhida deve ser apropriada e eficaz para a história natural da doença. As doenças crônicas apresentam grande impacto na qualidade de vida e esses pacientes podem se beneficiar de um bate-papo em um grupo de suporte on-line. Para todas as doenças, a compreensão do paciente sobre a doença e sobre os esquemas de tratamento pode ser aprimorada pelo complemento da leitura em casa por meio de portais on-line. Assim, a modalidade tecnológica apropriada deve ser aplicada para maximizar o benefício individual do paciente e evitar dificuldades.4

Antes de oferecer contato, comunicação e "atendimento" por meio de tecnologias adicionais, o provedor deve garantir que tenha tempo e recursos para fornecer e manter a qualidade e a consistência do atendimento. Sugere-se discutir as expectativas da nova modalidade com o paciente e se a modalidade de telessaúde deve ser oferecida em substituição a alguns serviços pessoais, como tecnologia síncrona e leitura em casa em vez de sessões educacionais presenciais, ou como um complemento adicional. Francamente, pode ou não ser possível fornecer o mesmo nível de atendimento por meio da adição de tecnologia.4

O sucesso dos programas de telemedicina em psiquiatria depende em grande parte da participação ativa de pacientes e médicos, e a adesão a essa modalidade precisa ser melhorada, principalmente em longo prazo.3
Oferecer educação aos pacientes sobre sua condição e condições de saúde os prepara e predispõe para uma melhor adesão à telemedicina. Garantir que o participante entenda em detalhes como usar o sistema de autocuidado e treiná-lo para ter competência e familiaridade com seu uso também melhora a aderência, assim como a participação ativa com o apoio de um profissional da saúde reforça essa adesão. A motivação dos participantes por meio de mecanismos de reconhecimento e comunicação também contribui para uma melhor adesão à telepsiquiatria.5

Conduta em emergências

Em geral, emergências psiquiátricas agudas não são apropriadas para serviços de telepsiquiatria. No entanto, como emergências com pacientes podem surgir durante uma consulta por telepsiquiatria, é fundamental ter procedimentos formais essenciais para lidar com essas situações.1

Segundo das diretrizes da American Telemedicine Association, se o paciente está em um ambiente sem equipe clínica, como em casa, o profissional deve solicitar as informações de contato de um membro da família ou da comunidade que poderia ser chamada para apoio em caso de emergência. Essa pessoa, a "Pessoa de Apoio ao Paciente", deve ser selecionada pelo paciente. 
No caso de uma emergência, o profissional pode entrar em contato com a Pessoa de Apoio ao Paciente para solicitar assistência na avaliação da natureza da emergência ou para ligar para a emergência a partir do telefone residencial do paciente.6

É possível que um paciente não coopere em seu próprio gerenciamento de emergências, subjacente à prática de hospitalização involuntária em saúde mental. 

 

Os profissionais devem estar preparados para isso, bem como com a possibilidade de que as Pessoas de Apoio ao Paciente também não cooperem se os próprios pacientes estiverem convencidos de que não desejam procurar atendimento de emergência. Portanto, qualquer plano de emergência deve incluir pessoal de emergência local e conhecimento dos recursos disponíveis em caso de hospitalização involuntária.1,6

Como a saúde mental com base em videoconferência se desenvolveu, em parte, para aumentar o acesso a pacientes em áreas geograficamente remotas, esperam-se barreiras para o transporte para os serviços locais de saúde mental. Diante disso, o profissional deve conhecer quaisquer limitações que o paciente tenha em termos de acesso ao transporte. Estratégias para superar essas limitações em caso de emergência devem ser desenvolvidas antes do início do tratamento para pacientes em ambientes sem equipe imediatamente disponível.6

No caso de uma emergência comportamental ou médica, a Pessoa de Apoio ao Paciente deve discutir com a equipe de emergência se deve transportá-lo.6