Estima-se que o risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes hospitalizados sem o uso de profilaxia pode chegar a 50% em subgrupos como os de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico ou hemorrágico e pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas de grande porte.1,2 Além disso, sabe-se que 2/3 dos eventos tromboembólicos ocorrem após a alta hospitalar.3

Entre os pacientes cirúrgicos, aqueles com câncer têm um risco de TEV que é quase o dobro dos pacientes cirúrgicos de um modo geral e esse risco persiste por muito tempo depois da alta hospitalar.4 De acordo com o registro @RISTOS5, o risco é prolongado de modo que 40% dos eventos tromboembólicos são diagnosticados após 21 dias do evento cirúrgico. O estudo ENDORSE6 mostrou que no Brasil os pacientes hospitalizados apresentam risco de TEV em 66% dos casos, porém apenas metade desses pacientes utilizam profilaxia.

Sendo assim, é importante conhecer o impacto do TEV em pacientes hospitalizados, o que resulta em hospitalizações mais prolongadas, custos médicos elevados e aumento de readmissões, e que poderia ser evitado com profilaxia adequada.7-9

Os estudos MEDENOX10, PREVENT11 e ARTEMIS12 mostraram que, em pacientes clínicos, existe uma redução significativa das taxas de TEV quando as doses profiláticas de enoxaparina, dalteparina e fondaparinux são utilizadas, sem aumentar o risco de sangramento. 

É importante notar que a maioria das diretrizes preconiza a reavaliação periódica e recomendam considerar a extensão da profilaxia apenas naqueles pacientes de altíssimo risco, que são os pacientes com mais de 75 anos, com imobilidade muito exacerbada e com fortes fatores de risco como câncer e história prévia de TEV.13-16 Já o estudo NICE de 201816 recomenda a manutenção da profilaxia por no mínimo 7 dias.

Portanto, no momento da alta hospitalar, deve-se pensar no risco-benefício de se manter a profilaxia, no tipo de medicação apropriada e por quanto tempo a profilaxia será mantida até que ocorra uma nova reavaliação.