A pandemia de COVID-19 tornou necessário reinventar e inovar em diversas atividades e operações, inclusive a vacinação. Em 2020, a campanha de vacinação contra gripe foi marcada por diversas particularidades, dentre elas o início antecipado da campanha do Ministério da Saúde, a alta procura por vacinas, a possibilidade de vacinação em farmácias e metodologias inovadoras de campanha.

Com o avanço da pandemia de COVID-19, o Governo Federal antecipou o início da campanha nacional de vacinação contra gripe em 2020 para o dia 23 de março, como parte da estratégia para evitar o número de casos de pessoas com gripe no inverno e facilitar o diagnóstico de coronavírus por parte dos profissionais de saúde1. Logo após o início da campanha, diversos municípios manifestaram a alta procura pela vacinação. Cidades como Campo Grande (MS) e Caxias do Sul (RS) esgotaram seu estoque inicial em poucas horas.2,3 

Além disso, diversos municípios se depararam com a necessidade de novas estratégias de vacinação para atender a demanda da população e evitar aglomerações. Além da vacinação em farmácia que foi autorizada pelo Ministério da Saúde4, alguns estados, como Minas Gerais, utilizaram também espaços de escolas e mercados para suas campanhas.5

Outras estratégias inovadoras foram vistas por exemplo no município de Paranaguá (PR), que utilizou uma micro-ônibus como base móvel de vacinação para atender as populações em áreas mais distantes.6 Destaque também para Ponta Grossa (PR) que realizou uma campanha de vacinação em drive-thru na rodoviária da cidade, uma estratégia que foi muito presente em diversos municípios em 2020.7 Além disso, a vacinação em creches também marcou a campanha em Recife (PE), por exemplo.8

Estas novas estratégias de vacinação adotadas em 2020 são importantes e devem se manter em 2021, enquanto as medidas de distanciamento social ainda estão sendo mantidas. É importante salientar que mesmo com estes esforços, a meta de vacinar 90% da população de 6 meses a 5 anos no país não foi atingida, ficando em 73,57%.9 As crianças menores de 5 anos são consideradas grupo de risco para a gripe devido pois a infecção nesta faixa etária pode levar a graves complicações.10 

Além disso, a população pediátrica desempenha um papel importante na transmissão do vírus. Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, mostrou que oferecer a vacinação contra gripe para crianças em escolas em uma grande área urbana está associada com um aumento de 7 a 11% na vacinação, o que por sua vez resulta na diminuição significativa de ausência das crianças à escola devido à gripe e hospitalizações relacionadas à influenza em toda a comunidade, incluindo entre as populações mais idosas. Portanto, uma ampla cobertura vacinal contra a gripe a crianças é capaz de reduzir os casos da doença em toda a população, graças ao conceito de imunidade de grupo ou rebanho.11 

Nesse contexto, estas novas estratégias de vacinação contra gripe tornam-se ainda mais importantes e devem ser mantidas em meio à pandemia de COVID-19 e mesmo após ela, a fim de levar a vacinação às populações alvo e aumentar e ampliar a cobertura vacinal em crianças, trazendo benefícios para toda a população.