Durante o PRIMO Skin Cancer Sympoisum, Dr. Rafael Schmerling e Dr. Eduardo Bertolli palestraram e discutiram os avanços na abordagem do carcinoma espinocelular (CEC) de pele.

O CEC de pele é uma doença reconhecidamente sensível à imunoterapia, introduz Dr. Schmerling. O cemiplimabe – um anticorpo anti-PD1 – foi estudado numa coorte de fase 1, que revelou uma taxa de resposta de 60% na doença metastática e 43,8% na doença localmente avançada. Em uma fase 2, a medicação revelou respostas completas em pacientes com doença localmente avançada e uma taxa de resposta de 44%. Ao final de um ano de tratamento, 58% dos pacientes não tiveram progressão da doença e ainda apresentaram uma sobrevida global de 93%. Conclui-se que a imunoterapia resultou em uma duração de resposta prolongada.

A qualidade de vida e a redução da dor também melhoraram e se sustentaram ao longo de 12 meses, o que se traduz em maior benefício para os pacientes. Os principais efeitos adversos do cemiplimabe, já esperados, foram fadiga, diarreia, quadros cutâneos, artralgia, náusea e vômito - todos manejáveis clinicamente e nenhum grave o bastante, o que mostra uma medicação com um bom perfil de segurança.

Os especialistas palestram sobre imunoterapia e cirurgia do carcinoma espinocelular de pele durante PRIMO Skin Cancer Symposium 

Dr. Bertolli, por sua vez, abordou os aspectos cirúrgicos do carcinoma espinocelular de pele. Ele explica que 95% dos tumores de pele são do tipo não melanoma e, dentre seus subtipos, o carcinoma basocelular responde por 80% dos diagnósticos, enquanto o CEC de pele pelos outros 20%. Para esses pacientes, a cirurgia será a principal modalidade terapêutica com intuito curativo e está intimamente associada à detecção em fases iniciais.

Após o diagnóstico clínico da lesão suspeita, faz-se uma avaliação de risco a partir da biópsia, com a estratificação em alto e baixo risco, e uma análise dos fatores anatômicos, como a localização da lesão. As zonas de maior risco estão localizadas na área central da face, como pálpebras e nariz, e nas áreas como mãos, pés e genitálias. O cirurgião esclareceu ainda que, dependendo do grau de risco, as cirurgias devem ser realizadas com um minucioso controle de margem operatória por congelamento. Por fim, os aspectos mais importantes para os pacientes são estéticos e funcionais da área operada e, por isso, o especialista ressaltou que em casos mais avançados deve-se ponderar evitar cirurgia desnecessariamente mutilante e não-curativa.