Dr. Rafael Schmerling iniciou sua palestra no VIII Simpósio Internacional de Melanoma e VI Simpósio Internacional de Imuno-Oncologia destacando a importância da imunoterapia e comparando o perfil das mutações dos tumores cutâneos.

O carcinoma escamocelular ou espinocelular de pele é um dos tumores com maior taxa de mutação, mas também com a melhor perspectiva de resposta com anti-PD-1. Anteriormente, o tratamento era baseado em quimioterapias citotóxicas, ainda que não existissem estudos randomizados indicando esse tratamento para a histologia e o mecanismo de carcinogênese da doença. Atualmente, o cemiplimabe – um anticorpo monoclonal humano de alta afinidade anti-PD-1 – é a terapia aprovada para o tratamento de pacientes com carcinoma espinocelular (CEC) de pele avançado inelegíveis para cirurgia curativa ou radioterapia.

Dr. Rafael Schmerling e Dr. Felipe Vanderlei participaram do VIII Simpósio Internacional de Melanoma e VI Simpósio Internacional de Imuno-Oncologia

Os resultados das coortes de expansão da fase 1 de um estudo com a droga mostraram relevantes taxas de respostas em pacientes com doença metastática (60%) ou localmente avançada (43,8%). Na fase 2, as taxas de respostas obtidas no primeiro grupo foram de 47,5%, sendo 6% de resposta completa, e de 44% no segundo grupo. Além disso, os ganhos em um ano de tratamento foram de 58% de sobrevida livre de progressão e de 93% de sobrevida global.

Para um seguimento de três anos, os pacientes foram divididos em três grupos: 
  • Grupo 1: pacientes com doença metastática que recebiam cemiplimabe 3 mg/kg a cada duas semanas;
  • Grupo 2: pacientes com doença localmente avançada que recebiam cemiplimabe 3 mg/kg a cada duas semanas;
  • Grupo 3: pacientes com doença metastática que recebiam cemiplimabe 350 mg a cada 3 semanas (dose flat)

A taxa de resposta completa foi de 16% e a taxa de resposta parcial foi de 30%. De acordo com o oncologista, os resultados indicaram um incremento na taxa de resposta ao longo do tempo (comparando seguimentos de 1, 2 ou 3 anos) nos grupos 1 e 3, porém não no grupo 2.

Observou-se, ainda segundo o especialista, uma melhora no escore de qualidade de vida global que se sustenta ao longo do tratamento. Em relação à toxicidade, os eventos adversos (EAs) mais comuns em qualquer grau foram fadiga, diarreia e náusea. Já os EAs mais graves ocorreram numa incidência muito pequena; os mais comuns de grau ≥3 foram hipertensão, anemia e celulite.

Dr. Schmerling resume que o cemiplimabe é claramente ativo no carcinoma espinocelular de pele e apresenta menor toxicidade do que a quimioterapia, além de maior durabilidade de resposta – o que são os maiores atrativos na doença metastática e inoperável.
“Cemiplimabe é claramente ativo no carcinoma espinocelular de pele e apresenta menor toxicidade do que a quimioterapia, além de maior durabilidade de resposta”.

Após sua apresentação e, para enriquecer a discussão, o oncologista apresentou um caso clínico e convidou Dr. Felipe Vanderlei para debater os limites da cirurgia e da radioterapia no tratamento da doença. Ao final, acrescentam a informação sobre a existência de um estudo clínico de tratamento adjuvante de carcinoma espinocelular de pele com cemiplimabe versus placebo em andamento no Brasil e concluem que o melhor caminho é uma abordagem multidisciplinar de tratamento.