Introdução
Uma das formas de simplificação do calendário vacinal foi o desenvolvimento das vacinas combinadas. Esse tipo de vacina apresenta vários benefícios, incluindo a entrega de mais antígenos em um número menor de injeções, o que permite melhor cobertura e maior oportunidade de imunização. Como resultado, a aplicação da vacina combinada aumenta a eficiência dos programas nacionais de vacinação enquanto reduz custos com a saúde.1

Além disso, dentro do planejamento de imunização populacional, deve-se levar em consideração mecanismos e tecnologias que simplifiquem o processo de preparação das vacinas, o que economiza tempo e reduz possíveis erros.1

Por exemplo, o tempo gasto pelos profissionais de saúde para o preparo da vacina faz parte da programação geral dos custos associados à administração da vacina. A redução deste tempo pode ter um maior impacto quando a aplicação foca em grandes populações.

Outro aspecto importante para o sucesso de programas de imunização é a qualidade da administração das vacinas. O manuseio e a preparação adequados da vacina são essenciais para manter a sua integridade durante a transferência do frasco para a seringa e, finalmente, para o paciente. Por isso é importante que os profissionais de saúde sigam diretrizes para manter bons padrões de vacinação.1 

Um estudo, com 96 profissionais de saúde habituados com o processo de vacinação, comparou a administração da vacina hexavalente totalmente líquida versus não totalmente líquida, que requer reconstituição antes da administração.1 

Os resultados são mostrados abaixo.

Tempo de preparo
O tempo médio necessário para preparar a vacina totalmente líquida foi de 36,0 segundos, enquanto para a não totalmente líquida esse tempo foi de 70,5 segundos. A diferença no tempo de preparação entre as duas vacinas foi estatisticamente significativa, sendo o tempo economizado com a vacina totalmente líquida de 34,5 segundos (IC95%: 28,4-40,6; p <0,001).1
Erros cometidos durante a administração das vacinas

No geral, foram observados erros de imunização em 29,6% (57/192) das preparações:1
  • 82,5% (47/57) ocorreram com a vacina não totalmente líquida, que precisava de reconstituição.
  • 17,5% (10/57) com a vacina totalmente líquida. 
A redução média no número de erros de preparação com a vacina totalmente líquida foi de 39% (IC: 24-53%; p<0,001).1

Os erros de imunização observados com maior frequência durante a preparação da vacina não totalmente líquida foram:1
  • Falha ao esvaziar completamente a seringa ao final da preparação (12,5%).
  • Perda de conteúdo da seringa antes da substituição pela agulha de administração (11,5%).
  • A troca da agulha de preparação pela agulha de administração não foi realizada ao final da preparação da vacina (8,3%). 
  • O conteúdo do frasco não foi completamente aspirado para a seringa (8,3%).

  • O erro de imunização observado com maior frequência durante a preparação da vacina totalmente líquida foi:1
    • Falha ao esvaziar completamente a seringa ao final da preparação ( 4,2%).
    Satisfação e preferência dos profissionais de saúde
    • Com relação à satisfação e preferências dos profissionais de saúde, o estudo mostrou que 97,6% afirmaram que preferem o uso de uma vacina hexavalente totalmente líquida em sua prática diária.
    Os novos dispositivos podem contribuir para evitar, reduzir ou mitigar erros durante a administração.  Além disso, outros estudos mostraram que as seringas preenchidas podem diminuir ainda mais o tempo de administração.1
    Conclusão

    Programas de vacinação buscam alta cobertura de imunização entre as populações. O sucesso desses programas na proteção dos indivíduos e da sociedade depende de uma série de fatores, incluindo a qualidade com que as vacinas são administradas. Vacinas totalmente líquidas necessitam de menos manipulações, o que reduz os riscos de falhas, otimiza a eficácia da vacina e aumenta a segurança do paciente. Além disso, a redução no tempo de preparação pode ter impacto significativo ao considerar o grande número de indivíduos que precisam ser vacinados.1