Introdução 

O mercado brasileiro está atualmente saturado com uma infinidade de tipos e marcas de colágenos. Além dos vários tipos de colágeno, existem ainda diversas formas de preparações que, através de distintos mecanismos de extração e processamento, consistem em substâncias diferentes e de mecanismos de ação totalmente diversos. Existe ainda a adição das mais variadas substâncias aos colágenos, como vitaminas, minerais e outras. Há ainda as apresentações em pó (sachê) e em cápsulas. Podemos dividir as preparações encontradas atualmente no mercado quanto ao tipo de colágeno (colágeno tipo 1 ou colágeno tipo 2) e quanto ao método de preparação (colágeno hidrolisado ou colágeno não desnaturado). Obviamente existe grande diferença entre os produtos, e este material visa elucidar tais diferenças e apontar as principais características de cada tipo de colágeno. 

Colágeno hidrolisado versus colágeno tipo 2 não hidrolisado 

A suplementação de colágeno para a promoção da saúde articular iniciou-se há muitos anos com os colágenos hidrolisados.1 Como nosso intestino é incapaz de absorver o colágeno, a solução encontrada foi a quebra das moléculas de colágeno, através do processo de hidrólise, até sua unidade fundamental, o aminoácido, ou ainda até pequenos agrupamentos de aminoácidos que recebem o nome de peptídeos de colágeno.1,2 O racional desse tipo de suplementação é justamente fornecer ao nosso organismo aminoácidos e pequenos peptídeos bioativos com o objetivo de estimular a síntese de matriz cartilaginosa pelos condrócitos.2 O processo de hidrólise se dá sobre o colágeno tipo 1, já que esse tipo é muito mais abundante e barato e pode ser obtido da pele de bovinos ou de suínos.2 O tratamento visa à absorção, então geralmente são oferecidos 10 gramas de colágeno hidrolisado,3 quantidade muito grande para uma cápsula. Assim, geralmente a apresentação do colágeno hidrolisado é em forma de pó (sachê). 

Recentemente houve o lançamento do colágeno tipo 2 não desnaturado, também conhecido pelos nomes de colágeno não hidrolisado ou colágeno nativo. O colágeno tipo 2 é encontrado na cartilagem hialina, a cartilagem articular. O colágeno não desnaturado é isolado sem a utilização de processos enzimáticos nem de aumento de temperatura para que a molécula de colágeno permaneça intacta. Assim, quando usamos o colágeno tipo 2 não desnaturado, o objetivo não é estimular os condrócitos pela suplementação de aminoácidos e de pequenos peptídeos bioativos, e sim uma ação totalmente diferente, já que, como dito anteriormente, o colágeno intacto não será absorvido.4 A molécula intacta de colágeno tipo 2 vai interagir, no intestino, com uma estrutura imunológica especializada chamada placa de Peye.4 Isso vai gerar um mecanismo anti-inflamatório de redução da resposta imunológica das células T contra o colágeno articular, diminuindo assim a inflamação articular.4 O colágeno tipo 2 não desnaturado tem a capacidade de induzir tolerância oral através de sua atuação no intestino.4 Apenas 40 mg são suficientes para gerar tal efeito, por isso esse tipo de colágeno costuma ter apresentação em cápsulas.5 Portanto, o colágeno tipo 2 não desnaturado tem efeito anti-inflamatório, enquanto o colágeno hidrolisado tem efeito na estimulação da síntese de matriz cartilaginosa, sendo utilizado para tratamentos mais completos e duradouros de OA por auxiliar na remodelação da cartilagem. Além disso, com a remodelação da cartilagem, o tipo I também auxilia na diminuição de desconfortos.

O colágeno hidrolisado, por sua vez, conta com abundante literatura que dá suporte a seu uso. Assim sendo, qualquer associação com outras substâncias, como vitaminas e minerais, não tem embasamento científico. 

Por falar em literatura, se desejarmos um produto capaz de estimular os condrócitos e assim remodelar a cartilagem, proporcionando a melhora da função e da qualidade de vida, não estaremos falando de nenhum colágeno hidrolisado, e sim daquele que contém peptídeos bioativos de colágeno, ou seja, Fortigel®.1,3,6-8, da marca de colágeno Mobility Artiflex.

Mobility Artiflex, com Fortigel®,  tem esses peptídeos específicos que contêm altas concentrações de lisina, prolina e hidroxiprolina. Somente esse tipo de composição tem abundante literatura que dá suporte ao uso de colágeno hidrolisado para tratar a osteoartrite. 9

Estudos experimentais demonstraram que os peptídeos de colágeno hidrolisado administrados por via oral são absorvidos no intestino e atingem a circulação sanguínea com a concentração plasmática máxima em torno de 6 horas.1 Verificou-se ainda, por meio de aminoácidos marcados radioativamente, que uma quantidade significativa de peptídeos derivados do colágeno hidrolisado atinge a cartilagem articular em menos de 12 horas.1 Experimentos de cultura celular também mostraram que os condrócitos tratados em cultura com peptídeos de colágeno por 11 dias apresentaram aumento da síntese de colágeno tipo 2 em comparação a condrócitos não tratados (p<0,01), enquanto o colágeno sem peptídeos bioativos não foi capaz de estimular os condrócitos.6 (Figura 1) 

Fortigel® demonstrou ser ainda capaz de promover o crescimento da cartilagem.7 Oesser et al.7 testaram a eficácia do colágeno hidrolisado Fortigel® em estudo randomizado com modelo animal controlado com placebo.7 O dano articular foi avaliado por um escore histopatológico semiquantitativo.7 Os resultados indicam que Fortigel®, administrado por via oral, foi capaz de retardar ou mesmo de interromper a destruição da cartilagem dos camundongos.7 Os dados sugerem que o colágeno hidrolisado pode prevenir a progressão da degeneração articular na OA e pode ser um agente modificador potencial de doença no tratamento de doenças articulares degenerativas.7 (Figura 1)
Os benefícios sintomáticos do colágeno hidrolisado foram investigados em diversos estudos clínicos. Vale ressaltar um estudo clínico prospectivo e randomizado realizado por Zuckley et al. com 190 indivíduos adultos com diagnóstico de artrose leve que foram divididos para receber colágeno hidrolisado (10 g/dia) ou placebo pelo período de 14 semanas.3 Constatou-se que o grupo que recebeu colágeno apresentou melhora sintomática e também da força muscular.

Finalmente, a administração do colágeno hidrolisado Fortigel® também foi capaz de aumentar a quantidade de proteoglicanos.8 McAlindon et al.8 demonstraram, através de ressonância magnética com gadolínio, que os indivíduos tratados com colágeno hidrolisado Fortigel® apresentaram aumento da quantidade de proteoglicanos na cartilagem articular do joelho após 24 semanas em comparação aos indivíduos tratados com placebo, que apresentaram declínio da quantidade de proteoglicanos após 24 semanas.8 (Figura 2)
Conclusão 

Nem todos os colágenos são iguais. Entre os colágenos hidrolisados também podemos dizer que há diferenças. Fortigel® é o único que contém peptídeos bioativos de colágeno cuja composição específica é comprovadamente capaz de exercer estímulo sobre os condrócitos e proporcionar efeitos tanto de melhora sintomática quanto de síntese de colágeno presente no tecido cartilaginoso.