O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no mundo. É dividido em melanoma e não melanoma. Este último corresponde a 95% dos casos, dos quais 80% dos diagnósticos são de carcinomas basocelulares e 20% são de carcinomas espinocelulares, o que torna, portanto, o CEC de pele a segunda neoplasia cutânea mais incidente.

Apesar da baixa letalidade do câncer de pele não melanoma, sua alta incidência (estima-se mais de 170 mil casos por ano no Brasil) pode explicar a ocorrência de óbitos quase equivalente ao câncer de pele do tipo melanoma.

No caso do carcinoma espinocelular de pele, por exemplo, cerca de 5% dos pacientes progridem para um estágio avançado da doença, com um prognóstico bastante limitado (mediana de dois anos de vida), principalmente devido às metástases, que podem ser do tipo linfonodal regional (85%) ou linfonodal à distância (15%) para órgãos como o fígado, pulmão, ossos e sistema nervoso central.
Cerca de 5% dos pacientes diagnosticados com carcinoma espinocelular de pele progridem para um estágio avançado da doença.
Existem fatores de risco que ajudam a prever esse comportamento mais desfavorável da doença, como: diâmetro maior do que 2cm; profundidade de acometimento da pele maior do que 2mm ou além da gordura subcutânea; envolvimento perineural; recorrência; localização; origem de um tumor a partir de uma cicatriz; e imunossupressão. Embora a taxa de metástase nodal ou à distância do CEC de pele seja de aproximadamente 2% a 4%, a presença de qualquer fator de risco aumenta o potencial metastático em até 37%.

A partir de alguns exemplos, Dr. Caio Pereira comenta que o paciente acometido pelo CEC de pele avançado tem vergonha e dificuldade de conviver socialmente, uma vez que o tumor aparece em áreas mais expostas da pele. A cirurgia, geralmente curativa, pode resultar em complicações, incluindo perda de função e desfiguração, impactando na qualidade de vida. Durante muito tempo, porém, esta era a única opção de tratamento. Felizmente, hoje em dia, a terapia sistêmica com imunoterapia vem ocupando cada vez mais espaço nesse cenário.

O sistema imunológico tem a capacidade de reconhecer e destruir células cancerígenas. A ativação da via de sinalização PD-1/PD-L 1 leva à evasão tumoral por mecanismos imunossupressores, nos quais a atividade citotóxica das células T é suprimida. A inibição da interação PD-1 (anti-PD-1) com seus ligantes ajuda a restaurar a atividade das células T e a provocar uma resposta antitumoral em vários tipos de tumores, incluindo o CEC de pele.

O cemiplimabe é um anticorpo monoclonal humano de alta afinidade anti-PD-1 e a única imunoterapia aprovada por diversas agências, como EMA, FDA e Anvisa (Fase II), para o tratamento de CEC de pele avançado. Consiste em uma aplicação a cada três semanas, em flat dose de 350 mg com infusão em 30 minutos. Essa fosse fixa foi resultado da comparação de regimes de doses obtida em estudos de fase 1.

O ensaio clínico de fase 2, por sua vez, é o maior estudo prospectivo até o momento a avaliar uma terapia sistêmica em pacientes com CEC de pele avançado em pacientes não candidatos à cirurgia ou radioterapia curativas. Eles foram divididos em três grupos: 
  • Grupo 1: pacientes com CEC de pele metastático que recebiam cemiplimabe 3 mg/kg a cada duas semanas durante 96 semanas;
  • Grupo 2: pacientes com CEC de pele localmente avançado que recebiam cemiplimabe 3 mg/kg a cada duas semanas durante 96 semanas;
  • Grupo 3: pacientes com CEC de pele metastático que recebiam cemiplimabe 350 mg a cada três semanas durante 96 semanas.
O imunoterápico cemiplimabe consiste em uma aplicação a cada três semanas, em dose fixa de 350 mg com infusão em 30 minutos.
O desfecho primário foi a avaliação de eficácia com base na taxa de resposta objetiva (TRO, resposta completa + resposta parcial). Outros objetivos foram sobrevida global (SG), sobrevida livre de progressão, mediana da duração de resposta, tempo até resposta inicial, caracterização do perfil de segurança (e tolerabilidade).

Em ambas as coortes avaliadas (localmente avançado e metastático) foi observada uma TRO de quase 50% (44 % e 44,3%, respectivamente). Probabilidade de SG foi de 93% para a população localmente avançada e cerca de 70% para a população metastática (em 12 meses). As respostas tendem a ser duradouras com a maioria das respostas ocorrendo com menos de dois meses após o início do tratamento. Em ambas as coortes, o cemiplimabe demonstrou um perfil de segurança aceitável e semelhante aos listados para outras terapias da classe. Especificamente no CEC localmente avançado, observou-se idade mediana de 74 anos, enquanto nos grupos 1 e 3 a mediana de idade foi de 71 anos.
Estudos indicam taxa de resposta objetiva de quase 50%, além de sobrevida global de 93% para pacientes com doença localmente avançada e cerca de 70% para casos metastáticos.
Pode-se concluir que o cemiplimabe demonstrou benefício clínico tanto para pacientes nos quais a invasão local impedia uma ressecção cirúrgica completa, quanto para aqueles em que a cirurgia era tecnicamente possível, mas poderia resultar em desfiguração ou perda de função. Também se observa benefício clínico para pacientes com doença metastática independentemente do regime de dose aplicado, reforçando a utilização da dose fixa de 350 mg.

O especialista destaca ainda a atualização dos dados de um follow-up mediano de 15,7 meses, apresentado na ASCO 2020, mostrando que o benefício clínico se manteve, com sobrevida livre de progressão de 18,4 meses (mediana estimada) e estimativa de sobrevida global em dois anos de 73,3% (ainda não alcançado).

Ao final da apresentação, Dr. Caio Pereira demonstra a eficácia do cemiplimabe expondo alguns casos clínicos da sua prática diária e finaliza reforçando que se trata de um anticorpo monoclonal anti-PD-1 para o tratamento do carcinoma espinocelular de pele avançado, aprovado por diversas agências reguladoras, que apresenta substancial resposta duradoura e aceitável perfil de segurança.