A incidência do carcinoma espinocelular (CEC) de pele tem aumentado anualmente. Entre todos os tipos de câncer de pele, é o segundo mais frequentemente diagnosticado. E, somente nos Estados Unidos, são estimados mais de 700 mil novos casos por ano.

A mortalidade pela doença também é alta e os índices são semelhantes ao do melanoma, considerado o tumor cutâneo mais agressivo. A maioria das mortes decorre da infiltração local do CEC de pele avançado na região da cabeça e pescoço, ou da infiltração regional nos linfonodos do pescoço.

Na aula ministrada durante a Jornada Paulista de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (JOPA) 2020, Dr. Rogério Izar, Diretor do Centro de Oncologia Cutânea da Pennsylvania State University, nos Estados Unidos, discute em detalhes todos os fatores associados às recorrências locais e às metástases da doença, tais como:
  • Tipos histopatológicos: de alto risco são desmoplásticos;
  • Diferenciação histológica: adenoescamoso ou acantolítico;
  • Diâmetro e profundidade das lesões;
  • Envolvimento perineural;
  • Tumores já tratados e recorrentes apresentam pior prognóstico.
FATORES ASSOCIADOS ÀS RECORRÊNCIAS LOCAIS E METÁSTASES DO CARCINOMA ESPINOCELULAR DE PELE
  • Tipos histopatológicos: desmoplásticos
  • Diferenciação histológica: adenoescamoso ou acantolítico
  • Diâmetro e profundidade das lesões
  • Envolvimento perineural
  • Tumores já tratados e recorrentes
Todas as terapias sistêmicas até então utilizadas mostraram resultados de progressão livre de doença e sobrevida global muito pequenos e não satisfatórios, segundo o oncologista. Especialistas iniciaram, assim, tratamentos com imunoterapia (inibidores de checkpoint) a partir do seguinte racional:
  • Quantidade de mutação tumoral é bastante alta; o tumor é bastante imunogênico;
  • A carga de mutação tumoral pode contribuir para aumentar a produção dos neoantígenos e a antigenicidade desse tumor;
  • A imunossupressão é um fator de risco bem descrito para gerar o carcinoma espinocelular;
  • A expressão de PD-L1 já foi associada com o alto risco de CEC de pele;
  • Esse tumor possui uma alta quantidade de mutação (cerca de 45,2), segundo artigo publicado no Genome Medicine em 2017.
Em setembro de 2018, o cemiplimabe – um anticorpo monoclonal humano de alta afinidade anti-PD-1 – se tornou a primeira terapia sistêmica aprovada pelo FDA americano (U.S. Food and Drug Administration) para o tratamento do carcinoma espinocelular de pele avançado em pacientes inelegíveis para cirurgia curativa ou radioterapia. Ele também foi aprovado pela Anvisa em março de 2019. E ainda, em julho de 2019, o FDA aprovou o pembrolizumabe para primeira linha de tratamento de pacientes com metástases ou CEC somente de cabeça e pescoço irressecáveis e recorrentes.
O cemiplimabe se tornou a primeira terapia sistêmica aprovada pelo FDA para o tratamento do carcinoma espinocelular de pele avançado em paciente inelegíveis para cirurgia curativa ou radioterapia.
A publicação-chave do cemiplimabe foi divulgada em 2018 no New England Journal of Medicine. Os dados dos estudos mostraram uma taxa de resposta muito favorável de 50% na fase 1 e 47% na fase 2 (EMPOWER-CSCC). Entre os respondedores da fase 2, 57% dos pacientes continuaram a responder com cemiplimabe. E os eventos adversos foram similares àqueles vistos com outros anti-PD-L1.

Os candidatos para a imunoterapia nos casos em CEC avançado são:
  • Pacientes com CEC de pele localmente avançado ou com doença metastática;
  • Pacientes que falharam em cirurgias anteriores;
  • Pacientes não candidatos à cirurgia devido à morbidade ou com risco de desfiguração;
  • Pacientes não candidatos à radioterapia.
Em sua palestra, o médico apresenta diversos casos clínicos de sucesso com o uso de cemiplimabe na dose flat de 350 mg a cada três semanas, concluindo que a droga produz atividade antitumoral substancial, respostas duráveis e sustentáveis (vistas também na dose de 3 mg/kg a cada duas semanas) e eventos adversos manejáveis.

Dr. Izar finaliza afirmando que cemiplimabe tem contribuído para mudar paradigmas do tratamento do carcinoma espinocelular de pele avançado e metastático, uma vez que se coloca como uma alternativa às grandes cirurgias até então realizadas que não geravam resultados satisfatórios.
O cemiplimabe produz atividade antitumoral substancial, respostas duráveis e sustentáveis e eventos adversos manejáveis.