Mensagens principais
  • Observou-se taxa alta de trombose e hemorragia em pacientes internados com a doença do coronavírus 2019 (COVID-19), com ou sem câncer ativo.
  • A taxa de mortalidade foi significativamente pior entre pacientes com COVID-19 e com câncer ativo em relação àqueles sem história de câncer.

  • Por que isto importa
  • O câncer e os tratamentos antineoplásicos são fatores de risco conhecidos para tromboembolismo venoso (TEV) e trombose arterial.  
  • Ainda não foi determinado se a COVID-19 exacerba esse risco em pacientes com câncer ativo.

  • Desenho do estudo
  • Este estudo retrospectivo analisou 398 pacientes (idade ≥ 18 anos) com COVID-19 internados no Beth Israel Deaconess Medical Center, Boston (EUA), de março a maio de 2020.
  • A coorte com câncer ativo incluiu pacientes que receberam tratamento anticâncer nos últimos 6 meses ou que foram recentemente diagnosticados (nos últimos 6 meses) com câncer.
  • Desfechos primários: incidências cumulativas de trombose e hemorragia no dia 28.
  • Financiamento: National Heart, Lung, and Blood Institute.

  • Resultados principais
  • De modo geral, 353 e 45 pacientes foram inclusos nas coortes sem câncer e com câncer, respectivamente.
  • As duas coortes tiveram distribuição semelhante de idade, sexo, raça, comorbidades e marcadores de coagulação.
  • Pacientes com câncer vs. sem câncer apresentaram:
  • - duração mediana de internação semelhante (9 dias vs. 8 dias; P = 0,48);
    cuidado intensivo semelhante (51,1% vs. 51,6%); e
    uso semelhante de terapias (antivirais [73,3% vs. 73,4%], esteroides [11,1% vs. 8,2%] ou plasma convalescente [13,0% vs. 13,3%]).
  • Na coorte com câncer ativo, as neoplasias malignas mais comuns foram linfoide (17,8%), gastrointestinal (15,6%), pulmonar (13,3%) e urogenital (13,3%).
  • Pneumonia por COVID-19 foi a causa mais comum de internação nas coortes com câncer (82,2%) e sem câncer (92%).
  • As indicações para receber anticoagulação terapêutica durante a internação foram:
  • - coorte sem câncer (n = 129): 76,7% coagulopatia por COVID, 18,6% fibrilação atrial, 7,8% TEV prévia;
    coorte com câncer (n = 22): 63,6% coagulopatia por COVID, 9,1% fibrilação atrial, 27,3% TEV prévia. 
  • Os níveis basais de dímero-D em pacientes que desenvolveram trombose, em relação àqueles que não apresentaram a doença, foram:
  • coorte sem câncer: 1.015 vs. 1.004 ng/mL (P = 0,70);
    coorte com câncer: 11.085 vs. 1.466 ng/mL (P = 0,01). 
  • As incidências cumulativas de eventos trombóticos no dia 28 foram:
  • coorte sem câncer: 18,2% (IC de 95%, 10,2%-27,9%);
    coorte com câncer: 14,2% (IC de 95%, 4,7%-28,7%).
  • As incidências cumulativas de eventos hemorrágicos maiores no dia 28 foram:
  • coorte sem câncer: 20,8% (IC de 95%, 12,1%-31,0%);
    coorte com câncer: 19,5% (IC de 95%, 5,5%-39,8%). 
  • As incidências cumulativas de hemorragia não maior e eventos de sangramento maior clinicamente relevantes combinados no dia 28 foram:
  • coorte sem câncer: 35,1% (IC de 95%, 24,3%-46,0%);
    coorte com câncer: 43,5% (IC de 95%, 9,4%-44,7%).
  • No geral, 20,6% dos pacientes morreram durante a internação.
  • A sobrevida foi significativamente mais curta (P = 0,038) em pacientes com câncer ativo (sobrevida mediana, 30 [IC de 95%, 8,3-51,7] dias) comparada àquela da coorte sem câncer (sobrevida mediana não atingida).

  • Limitações
  • Este estudo é retrospectivo e tem poder estatístico limitado.
  • As descobertas podem ter capacidade de generalização limitada, pois 40% dos pacientes na coorte com câncer ativo apresentaram neoplasias hematológicas.