Mensagens principais
  • Mulheres grávidas e em período pós-parto com tromboembolismo venoso (TEV) tiveram probabilidade menor de apresentar outros fatores de risco conhecidos para TEV do que mulheres não grávidas com TEV.
  • Mulheres grávidas foram mais comumente tratadas com heparina de baixo peso molecular (HBPM) e passaram, mais frequentemente, por implante de filtros de veia cava inferior (VCI) do que mulheres em período pós-parto.
  • Houve baixa incidência de morte, TEV recorrente e sangramento maior durante a gravidez e no período pós-parto.
Por que isto importa
  • É desafiador diagnosticar trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP) durante a gravidez e o período pós-parto.
  • As pontuações de risco para prever a probabilidade de EP excluem mulheres grávidas ou incluem características raramente aplicáveis a mulheres grávidas, como idade avançada ou câncer.
  • Além disso, dados de prática clínica sobre apresentação clínica e conduta de TEV em mulheres grávidas e em período pós-parto são limitados.
Desenho do estudo
  • Este estudo incluiu 596 mulheres grávidas (idade mediana: 32 anos) e 523 mulheres em período pós-parto (< 2 meses após o parto; idade mediana: 33 anos) com TEV objetivamente confirmado, inscritas no registro RIETE (Registro Informatizado Enfermedad TromboEmbolica) entre 2001 e 2019.
  • O outro grupo foi composto por mulheres de idade < 50 anos (n = 8.084; idade mediana: 37 anos) que não estavam nem grávidas, nem em período pós-parto.
  • Foram comparados: características basais, fatores de risco, terapias e desfechos.
  • Desfechos: mortalidade por todas as causas, TEV recorrente, sangramento maior e o composto de TEV recorrente ou sangramento maior aos 90 e 180 dias.
  • Financiamento: nenhum.
Resultados principais
  • Mulheres grávidas ou em período pós-parto com TEV tiveram probabilidade menor de apresentar outros fatores de risco conhecidos para TEV (imobilidade recente, câncer ativo ou viagem recente) do que mulheres não grávidas com TEV (19% vs. 60%).
  • A prevalência de trombofilia foi mais elevada em mulheres grávidas e em período pós-parto do que em mulheres não grávidas (53,2% vs. 46%).
  • Mulheres grávidas tiveram probabilidade menor de apresentar EP do que mulheres em período pós-parto (27% vs. 42%).
  • Entre mulheres com EP, mulheres grávidas tiveram probabilidade menor de receber angiotomografia computadorizada pulmonar do que mulheres em período pós-parto (56% vs. 84%).
  • Entre mulheres com TVP, mulheres grávidas tiveram probabilidade maior do que mulheres em período pós-parto de apresentar TVP no lado esquerdo do corpo (68% vs. 51%) e TVP proximal (78% vs. 71%).
  • Comparadas às mulheres em período pós-parto, as mulheres grávidas receberam mais frequentemente:
  • - HBPM como terapia inicial (85% vs. 78%) e de longo prazo (73% vs. 29%); e
    filtro de VCI (6,0% vs. 4,2%).
  • Entre mulheres com EP, com ou sem TVP, 2 mulheres morreram aos 90 dias.
  • Durante o período de acompanhamento, 2 mulheres com TVP pós-parto morreram de neoplasia maligna associada.
  • Em mulheres grávidas e em período pós-parto, os seguintes eventos tiveram incidência baixa aos 90 dias:
  • TEV recorrente (mulheres grávidas: EP, 0,63%; TVP, 0,68%; mulheres em período pós-parto: EP, 0,90%; TVP, 0,66%).
    - sangramento maior (mulheres grávidas: EP, 0,63%; TVP, 0,46%; mulheres em período pós-parto: EP, 0,90%; TVP, 1,3%).
Limitações
  • Risco de haver fatores de confusão não medidos.
  • O registro RIETE não teve dados sobre pré-eclâmpsia, estado fetal, raça e tipo de terapia de reposição hormonal.
  • O estudo não pôde comentar tratamentos direcionados por cateter para TEV.