Introdução

A gripe é uma infecção viral altamente contagiosa transmitida pelos vírus influenza A e B1 e é uma das causas mais comuns de infecção respiratória humana.2

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gripe acomete cerca de 1 bilhão de pessoas ao ano no mundo, sendo que 3 a 5 milhões são graves e 290 a 650 mil mortes são decorrentes desta infecção.3
Apesar de geralmente a gripe ser uma doença aguda de curta duração, pessoas do grupo de alto risco podem ter complicações graves e até mesmo falecer (Figura 1).1

Figura 1. Principais grupos de alto risco para complicações da gripe. 
Adaptada de Moghadami M. Iran J Med Sci. 2017;42(1):2–13.1

Diagnóstico

Os testes de diagnóstico disponíveis para influenza incluem:4
  • cultura viral,
  • teste rápido de antígeno,
  • reação em cadeia da polimerase de transcrição reversa (RT-PCR),
  • testes moleculares. 

A Tabela 1 traz as principais vantagens e desvantagens dos exames de diagnóstico para Influenza.4 

Tabela 1. Vantagens e desvantagens dos principais métodos diagnósticos para Influenza.

Adaptada de Krammer F, et al. Nat Rev Dis Primers. 2018; 4:3.4

Transmissão

As formas de transmissão do vírus Influenza entre humanos são o contato direto com gotículas respiratórias expelidas durante a tosse, espirro e/ou fala e o contato com objetos contaminados (Figura 2).5,6

Figura 2. Formas de transmissão conhecidas do vírus da gripe.
Adaptada de Beigel JH. Crit Care Med. 2008; 36(9):2660-2666.6 

Ainda não está claro se a via de exposição ou a dose infecciosa (quantidade de vírus a que a pessoa foi exposta) influenciam o período de incubação ou as manifestações clínicas.6

O principal reservatório de diversas cepas e subtipos do vírus influenza A são as aves selvagens, especialmente patos e gansos migratórios. O vírus pode se espalhar através da água ou fômites para mamíferos marinhos e patos, bem como através da criação doméstica, onde os animais permanecem próximos (Figura 3).4

Figura 3. Formas de transmissão e métodos de prevenção do vírus Influenza.  
Adaptada de Krammer, F., et al. Nat Rev Dis Primers. 2018;4:3.4

Mecanismo de entrada e replicação viral

A replicação do vírus influenza ocorre principalmente em células epiteliais do trato respiratório, em humanos e outros mamíferos, e em células epiteliais do trato intestinal em aves. O ciclo celular do vírus ocorre da seguinte forma (Figura 4):
  • A proteína de superfície viral hemaglutinina se liga à célula-alvo.
  • O vírus é internalizado na célula, o que desencadeia uma mudança conformacional na hemaglutinina viral.
  • Isso induz a fusão da camada externa do vírus com a vesícula celular e ocorre a liberação do seu material genético no citoplasma da célula hospedeira. 
  • O RNA do vírus entra no núcleo celular, onde a replicação e transcrição do material genético viral ocorrem. 
  • O RNA mensageiro (mRNA) que foi transcrito é exportado para o citoplasma, onde vai determinar a tradução das proteínas virais.
  • As proteínas virais fabricadas no citoplasma vão montar novos vírions junto com o material genético replicado.

Figura 4. Mecanismo de entrada do vírus na célula humana hospedeira e replicação viral. Adaptada de Krammer, F., et al. Nat Rev Dis Primers. 2018;4:3.4

Os desafios no desenvolvimento de vacinas contra Influenza

Desde a sua introdução na década de 1940, as vacinas contra a gripe sazonal salvaram inúmeras vidas e limitaram a propagação da pandemia de Influenza. Porém, o vírus da gripe evolui por meio de mutações genéticas e escapa da imunidade natural, tornando necessária a atualização das vacinas anualmente.7 Para isso, avanços científicos abrem caminhos constantemente para novas abordagens de vacinas.