A influenza é uma doença grave e imprevisível e precisa ser prevenida a cada ano. O impacto da gripe pode ser evidenciado com 3 a 5 milhões de casos graves por ano e com um número de óbito expressivo variando de 290.000 a 650.000 mortes por ano no mundo.1,2  

A OMS esclarece que a forma mais efetiva de se prevenir a doença por influenza é a vacinação. Vacinas seguras e eficazes têm sido utilizadas a mais de 60 anos e têm evoluído de acordo com a evolução viral.

A OMS também esclarece que a vacina é mais efetiva quando os vírus circulantes e os contidos na vacina têm maior concordância, por isso há monitoramento constante dos vírus circulante em humanos para atualização anual da vacina pelo “WHO Global Influenza Surveillance and Response System” (GISRS), com atualização da composição das vacinas duas vezes ao ano, para o hemisfério norte e sul.2 As quadrivalentes foram projetadas para fornecer proteção mais ampla contra os vírus influenza, com o acréscimo das duas linhagens de B além das cepas A.3

Na época do lançamento das vacinas quadrivalentes os órgãos SAGE, CDC e ECDC descreveram o benefício da proteção mais ampla contra o vírus influenza B e que as recomendações não deveriam se limitar as vacinas trivalentes.4-6

O CDC corrobora a recomendação da OMS. Especificamente para a temporada de gripe de 2020/2021 destaca o fato de que COVID-19 e influenza terão circulação conjunta no outono/inverno, o que torna a vacinação contra a gripe ainda mais importante.7 O “Advisory Committee on Immunization Practices” (ACIP) esclarece que, atualmente a maioria das vacinas são quadrivalentes, mas que a vacinação não deve ser postergada para se obter um produto específico quando um outro, também apropriado, estiver disponível.8

A eficácia da vacinação contra influenza varia dependendo de vários fatores, como a idade e a saúde do receptor; o tipo de vacina administrada; os tipos, subtipos (para influenza A) e linhagens (para influenza B) de vírus influenza circulantes; e o grau de semelhança entre os vírus circulantes e os incluídos na vacina. No entanto, a vacinação fornece proteção importante contra a doença influenza e suas complicações potenciais.9

No Brasil, as duas vacinas estão disponíveis: na rede pública, a vacina trivalente está disponível para grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde em função do maior risco de adoecimento e de evolução para quadros graves. Em 2020, são eles: crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade, gestantes e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), adultos a partir de 55 anos, profissionais da saúde, professores e profissionais de escolas públicas e privadas, população indígena, pessoas com doenças crônicas (como diabetes, doenças cardíacas e respiratórias, imunocomprometidos, entre outras), forças de segurança e salvamento; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, bem como a população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Nos serviços privados de vacinação, as vacinas trivalente e quadrivalente estão disponíveis para pessoas a partir de 6 meses, sem restrição de idade.10,11