Nesta entrevista, o farmacêutico Thiago Bordinhão fala sobre a prescrição digital, atenção farmacêutica e o papel do farmacêutico no cuidado dos pacientes com diabetes.

1) Com a chegada da pandemia, tivemos a aceleração da “digitalização” de diversas interações com os pacientes, incluindo a prescrição digital. Essa prática continuará crescendo nos próximos anos levando em conta o novo comportamento da sociedade, que busca cada vez mais praticidade, otimização e segurança nas interações. No seu ponto de vista, quais são os principais impactos gerados nas farmácias com a implementação da prescrição digital e os principais benefícios?


Os benefícios da prescrição digital são: informações completas e legíveis, acesso em qualquer lugar do território nacional, redução dos erros e interpretações de medicamentos e posologia, um maior tempo e flexibilização do atendimento com o cliente/paciente.

A prescrição digital ainda é algo a ser trabalhado arduamente por todos das equipes envolvidas (profissionais, vigilância e conselhos), sendo que a criação de protocolos internos, procedimentos operacionais padrão (POPs), manuais e vídeos explicativos em plataformas de ensino à distância auxiliam muito e aceleram a digitalização. É claro que o treinamento farmacêutico é o foco principal das equipes do varejo e os farmacêuticos responsáveis técnicos (RT) são os detentores dessa função, escalonando os outros profissionais da equipe para que o nosso consumidor final (cliente/paciente) tenha a sua necessidade atendida e seu problema solucionado.

Outros pontos positivos são relevantes: ampliação e maior adesão ao tratamento, pois o paciente pode usufruir da compra de mais produtos/medicamentos por um menor preço e garantir todo o tratamento. O paciente da farmácia popular também usufruiu dessas extensões das RDCs e medidas provisórias. 
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2) Na sua opinião, qual a principal habilidade necessária para se ter sucesso na “atenção farmacêutica” e prática diária de atendimento à população?

A atenção farmacêutica vem aliada desde os preceitos Aristotélicos e difusão do conhecimento na área da Farmácia e Medicina. Para se colocar em prática a atenção e assistência farmacêutica são necessários: estudos contínuos, treinamentos regulares, vivência, ou melhor, experiência, participação diária da vida, dos sintomas, das queixas dos pacientes.

O papel do novo farmacêutico é estar atrelado a um perfil profissional com características de cuidador:
  • Participar desde a triagem farmacêutica, acompanhamento e monitoramento do paciente;
  • Fazer o encaminhamento médico e direcionamento para outros profissionais de saúde;
  • Participar na promoção, prevenção e recuperação da saúde;
  • Promover a educação em saúde;
  • Ajudar os pacientes com a prescrição de medicamentos isentos de prescrição médica.
As farmácias também podem estar mais bem preparadas para essas atividades adquirindo ou possuindo:
  • Software (ou outra plataforma) para assistência e atenção farmacêutica;
  • Salas de consulta privada;
  • Atendimentos básicos, intermediários e avançados.
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3) Falando agora sobre uma doença que impacta a vida de milhares de brasileiros, temos um alto número de pacientes diagnosticados com diabetes e que segue numa crescente. No seu ponto de vista, qual é o papel do farmacêutico no controle de novos casos e no auxílio para continuidade do tratamento?

É sabido de todos farmacêuticos/profissionais da saúde que o nosso maior foco no cuidado são os pacientes com doenças crônicas, como o diabético, pois ele representa a maior parcela de retorno no varejo farmacêutico, a maior representatividade do mercado em relação a vendas de produtos/medicamentos/correlatos que auxiliam no acompanhamento e monitorização da doença. Portanto, a grande sacada do farmacêutico perante um paciente diabético é de primeiramente acolhê-lo e entender que cada pessoa é única. Essa individualização aproxima! Em segundo lugar, a de avaliar por meio de ferramentas e protocolos como está o controle da terapia medicamentosa e os exames laboratoriais. E por fim, aconselhar esse paciente sobre a rotina da diabetes, o controle e a importância da monitorização dos níveis de glicemia e HbA1c (hemoglobina glicada), não esquecendo de informar e ensinar sobre a técnica de aplicação e rodízios da insulinoterapia, trocas de agulhas, armazenamento e transporte de medicamentos termolábeis. Além disso, gerar caminhos específicos e mensuráveis para o controle e gerenciamento do peso, hábitos alimentares, restrições dietéticas e exercícios físicos.
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