Introdução

Como os vírus da gripe sofrem mutações constantemente, a composição da vacina precisa ser revisada e atualizada a cada ano. Assim, a vacina da gripe sazonal é desenvolvida para proteger contra três ou quatro tipos do vírus da gripe que possuem maior probabilidade de se espalhar e causar doenças durante a próxima temporada de gripe. Além disso, também é levado em consideração quão bem a vacina da temporada anterior protegia contra esses vírus.1


Etapa 1: Seleção das Cepas Virais

O primeiro passo para a produção de uma vacina contra uma possível pandemia de gripe começa na identificação de novas cepas circulantes.2

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu a Rede Global de Vigilância da Influenza (GISN) em 1947 para rastrear o desenvolvimento e a migração de tipos mutantes do vírus influenza, com o propósito de selecionar cepas para a vacina. A rede é composta por 152 centros em 113 países e continua a crescer a fim de ampliar seu alcance e capacidade de sua vigilância global. Os centros locais coletam rotineiramente amostras de vírus circulantes e as enviam a 1 dos 4 Centros Colaboradores da OMS para Referência e Pesquisa em Influenza (localizados em Atlanta, Estados Unidos; Londres, Reino Unido; Melbourne, Austrália; Tóquio, Japão).3,4

Em setembro de cada ano, a OMS revisa os resultados dos estudos de vigilância, laboratoriais e clínicos, e faz recomendações sobre a composição da vacina contra influenza para o hemisfério sul.1

Sabendo quais as cepas recomendadas pela OMS, os centros de referência começam a preparar e distribuir os vírus selecionados para que os fabricantes iniciem a produção da nova vacina.2,5 
Figura 1: Seleção das cepas virais para a fabricação da nova vacina anual contra influenza. Adaptado de Center for Disease Control and Prevention, 26/10/20201 e World Health Organization, 20092
Fase 2: Produção do Antígeno Viral para a Vacina

Os vírus selecionados são cultivados em ovos, que permitem uma ótima taxa de proliferação viral, além de estarem facilmente disponíveis. Os ovos passam por um rigoroso controle de qualidade e inspeção antes da utilização. Assim que os ovos são aprovados, o vírus escolhido como referência (vírus-referência) é injetado em milhares de ovos, que são incubados por dois a três dias em temperatura ideal para permitir a multiplicação viral. Após esse período, os milhões de vírus presentes na clara do ovo são separados e inativados com reagentes químicos de modo a não causar mais doenças. As proteínas externas do vírus são então purificadas e o resultado são várias centenas ou milhares de litros de proteínas virais purificadas, que são chamadas de antígeno, o ingrediente ativo da vacina. Para evitar a degradação do antígeno recém purificado, o material é armazenado em baixas temperaturas. Também são feitos testes para comprovar a pureza e esterilidade da solução de proteínas virais, garantindo a qualidade do produto.2,5

A produção de cada lote de antígeno leva aproximadamente duas semanas, e um novo lote pode ser iniciado a cada poucos dias. O tamanho do lote depende de quantos ovos um fabricante pode obter, inocular e incubar, variando também de acordo com o rendimento por ovo. O processo pode ser repetido quantas vezes for necessário para a produção da quantidade de vacina desejada.2  
Figura 2: Início do processo de produção de vacina, com a produção do antígeno viral. Adaptado de Center for Disease Control and Prevention, 26/10/2020 1, World Health Organization, 2009 2 e Layton C, Lenfestey N. RTI International. 2005 5.
Fase 3: Finalização da Produção da Vacina

A vacina, então, é formulada para fornecer a concentração desejada de antígeno e envasada em frascos ou seringas. Mais testes de qualidade são realizados para confirmar a esterilidade e concentração de proteína, além de testes de segurança em animais.2

Após a aprovação do controle de qualidade, ocorre a liberação interna (da própria fabricante) e certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que ocorra a distribuição da vacina e a imunização da população.
Figura 3: Final do processo de produção de vacina. Adaptado de World Health Organization, 2009 2.