Mensagens principais
  • Mulheres com deficiência de antitrombina tipo I apresentam alto risco de primeiro tromboembolismo venoso (TEV), ou tromboembolismo venoso recorrente, durante a gravidez e puerpério e complicações obstétricas tardias mediadas por placenta.
  • Foi observada uma redução de risco moderada para o TEV em pacientes recebendo heparina de baixo peso molecular (HBPM).
Por que isto importa?
  • As diretrizes recentes da Sociedade Americana de Hematologia (2018) sugerem a profilaxia primária com HBPM em mulheres grávidas com deficiência de antitrombina, apenas se elas tiverem um histórico familiar positivo para TEV (baseado em muito baixa certeza de evidência).
  • Estes dados sugerem que o risco de TEV durante a gravidez e o puerpério em mulheres com deficiência de antitrombina é mais alto para as mulheres com um histórico familiar positivo para esta condição. No entanto, ele ainda é relevante para mulheres com um histórico familiar negativo.
Desenho do estudo
  • Este estudo unicêntrico, de coorte retrospectivo, identificou 126 mulheres com deficiência de antitrombina tipo I, entre as quais 88 mulheres tiveram pelo menos 1 gravidez (1980-2018).
  • Foram avaliados os riscos para o TEV associado à gravidez (n=80) e complicações obstétricas (n=87).
  • Financiamento: Nenhum.
Resultados principais
  • Ocorreram 20 novos TEVs durante a gravidez (n=12) ou o puerpério (n=8), com uma proporção de risco (PR) de 10,6% (IC de 95%, 6,8-15,6%).
  • O número de eventos de TEV profundo e superficial nos grupos HBPM vs não-HBPM (risco relativo [RR], 0,6; IC de 95%, 0,2-1,9; P=0,57) foi o seguinte:
  • -Grupo HBPM: 3 em 43 gestações (PR, 7,0%; IC de 95%, 1,8-17,8%); e
    -Grupo não-HBPM: 17 em 146 gestações (PR, 11,6%; IC de 95%, 7,2-17,6%).
  • Gestações sintomáticas (mulheres com TEV prévio) vs assintomáticas (mulheres sem história prévia pessoal de TEV) apresentaram incidências maiores de TEV relacionado à gravidez (22% vs 8%; RR, 2,6; IC de 95%, 1,1-6,1; P=0,051).
  • O risco para TEV sem HBPM foi de 5,4% (IC de 95%, 0,9-16,7%) entre pacientes com um histórico familiar negativo para TEV e 11,8% (IC de 95%, 6,4-19,6%) em pacientes com histórico familiar positivo para TEV.
  • Não foram reportados casos de trombose arterial ou sangramento.
  • Entre 206 gestações, houve 58 complicações obstétricas (abortos, 18%; complicações obstétricas tardias, 10%) e 148 (72%) foram a termo completo.
  • Ocorreram 38% (17) de complicações em 45 gestações (35 doses profiláticas e 10 terapêuticas) com HBPM e 25% (41) em 161 gestações sem HBPM.
  • Entre 87 mulheres avaliadas para complicações obstétricas, ocorreram abortos em 6 de 45 grávidas tratadas com HBPM e 32 de 161 mulheres que não receberam HBPM.
  • As complicações obstétricas tardias foram mais frequentes em gestações com vs sem HBPM (RR, 4,4; IC de 95%, 1,9-9,9; P=0,0006) e em mulheres assintomáticas (RR, 6,1; IC de 95%, 2,4-15,3; P=0,0004).
Limitações
  • A ausência do grupo de controle não permitiu cálculos para a diferença de risco absoluto de TEV e complicações obstétricas.
  • Inconsistências na coleta de dados podem levar a uma subestimação dos riscos de complicações obstétricas.
  • A baixa eficácia preventiva da HBPM pode ser atribuída às doses terapêuticas.