Introdução 

Até meados do século XII, o mesmo profissional era responsável por diagnosticar e preparar os medicamentos para tratar a doença, não havendo distinção entre médico e farmacêutico.1 Com a separação dessas duas especialidades, a profissão farmacêutica ficou mais envolvida na composição e fabricação de medicamentos. No entanto, ao longo dos anos, o foco evoluiu para um olhar voltado ao paciente.2 Esse avanço na atuação dos farmacêuticos representa uma tendência de transformação nas relações deste profissional com os pacientes e com outros profissionais da saúde, o que já vem sendo observado e deve se intensificar nos próximos anos.3

No mundo

Abaixo está a linha do tempo com os principais eventos da história farmacêutica no mundo:  
(Adaptado de: Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. A profissão farmacêutica [internet];1 Hegele RA, et al. Lancet Diabetes Endocrinol. 2020;8(12):971-977;4 World Health Organization. The International Pharmacopoeia [internet];5 Stern AM, et al. Health Aff (Millwood). 2005;24(3):611-21;6 Sneader W. BMJ. 2000;321(7276):1591-4;7 Gaynes R. Emerg Infect Dis. 2017 May;23(5):849–53.8)

Tendências futuras para a profissão 

A profissão farmacêutica tem tido profundas atualizações, principalmente devido à mudança nas estratégias do cuidado em saúde, com o foco mais centrado no paciente e trabalhando de forma mais integrada. Essas mudanças podem ser resumidas em 2 direções futuras para os próximos 5 a 10 anos: mudança organizacional e melhores relações externas.3

No contexto da mudança organizacional, o monitoramento e o acompanhamento dos pacientes estarão cada vez mais presentes na rotina de prestação de serviços farmacêuticos, exercendo a prática clínica em parceria com uma equipe multidisciplinar. Além disso, o espaço físico das farmácias poderá ser transformado, de forma a otimizar os processos de avaliação e comunicação com o paciente, além do uso de tecnologia digital voltada para a saúde e de registros eletrônicos organizados e vinculados aos registros de outras organizações (por exemplo, atenção primária ou hospitais).3

As relações entre os farmacêuticos e pacientes, assim como outras organizações de saúde, estão sendo transformadas. Com isso, o farmacêutico terá maior compreensão do espectro do atendimento ao paciente e será possível desenvolver e implementar planos de cuidados em conjunto com outros membros da equipe de saúde. Com as trocas de informações e acesso aos registros de saúde do paciente, também será possível realizar análises sobre problemas de terapia medicamentosa e outras situações onde os farmacêuticos podem ter grande impacto. Ainda, as iniciativas da farmácia poderão ser integradas aos cuidados interprofissionais para o melhor manejo de doenças crônicas ou cuidados após a alta hospitalar. A melhor comunicação entre os farmacêuticos e outros profissionais de saúde também possibilitará maior participação nas iniciativas para políticas locais de educação e saúde.3