O século 21 nos apresenta diversos desafios quando o assunto é saúde musculoesquelética. Em primeiro lugar, nunca vivemos tanto: a expectativa de vida do brasileiro, que em 1940 era de 45,4 anos, atualmente é de 76,3 anos.1 Assim sendo, observamos um gradativo envelhecimento da população em nosso país, que deixa de ter uma pirâmide populacional de base larga (com muitos jovens e poucos idosos) e começa a apresentar uma inversão dessa pirâmide, com a presença de mais indivíduos velhos do que jovens na população.

Entretanto, viver por mais tempo nem sempre significa viver com qualidade, com saúde, mobilidade física preservada e livre de dores.3 Estatística mundial aponta que 23% das doenças existentes estão nos indivíduos idosos.3 Esse número pode chegar a cerca de 50% nos países desenvolvidos.3 Entre as mulheres com mais de 65 anos de idade, 54% apresentam osteoartrite, segundo dados americanos.4 E sabemos muito bem a grande limitação de mobilidade física associada a essa doença.5 O corpo humano passa por diversas alterações ao longo da vida. Pode-se considerar que o processo de envelhecimento, em seus mais diversos aspectos, pode iniciar-se tão cedo quanto durante nossa segunda década de vida.6 Conhecemos hoje mais sobre alguns processos fisiopatológicos que ocorrem no envelhecimento e que, se mal controlados, podem acelerar a degeneração óssea, articular e muscular. 

Adicionalmente, o ônus de doenças musculoesqueléticas aumenta com o envelhecimento da população. Por essa razão, estudar como reduzir o impacto socioeconômico das doenças relacionadas à idade é uma prioridade de pesquisa, já que os distúrbios musculoesqueléticos constituem uma das principais causas de incapacidade e morbidade em todo o mundo e resultam em enormes custos para os sistemas de saúde e assistência social.7 

Um importante conceito, instituído pelo italiano Claudio Franceschi, é o inflammaging – junção das palavras “inflamação” e “envelhecimento”.8 O envelhecimento humano é caracterizado por uma inflamação crônica de baixo grau, e a inflamação é um fator de risco altamente significativo de morbidade e mortalidade em pessoas idosas, já que a maioria, senão todas as doenças relacionadas à idade, compartilha uma patogênese inflamatória.8 O estresse oxidativo, causado pelo excesso de espécies reativas de oxigênio, também tem importante papel no envelhecimento e degeneração de estruturas osteomusculares e está envolvido em processos patológicos como a osteoporose, a osteoartrite e a sarcopenia.9 As terapias não farmacológicas, como exercícios físicos e suporte nutricional, são consideradas a base para a prevenção e o tratamento das anormalidades associadas à idade.9 Do ponto de vista nutricional, a demanda do corpo por substâncias como cálcio, colágeno e substâncias antioxidantes, entre outras, também sofre algumas alterações durante a vida.6,10

Com o passar dos anos, a síntese de colágeno pelo corpo humano diminui gradativamente, e as fibras elásticas tornam-se deformadas e menos flexíveis.10,11 O colágeno muda tanto qualitativa quanto quantitativamente com o envelhecimento.10 As mudanças associam-se com o decréscimo da atividade enzimática celular de fibroblastos e condrócitos e também com a diminuição da proliferação dessas células.11 Isso gera perda da elasticidade do tecido conjuntivo, rugas na pele,11 perda da rigidez óssea, perda muscular (sarcopenia) e perda da capacidade articular de absorver e distribuir carga, fato associado com o surgimento (ou o aumento) das dores articulares e a perda de mobilidade física.12 

O envelhecimento, associado à nutrição inadequada, pode afetar negativamente os níveis de cálcio e de colágeno do corpo.6 Em idades mais avançadas, é comum não atingirmos com a dieta os níveis nutricionais adequados e recomendados de macro e micronutrientes.13 A suplementação com o uso de colágeno hidrolisado feito de peptídeos bioativos aumenta a biossíntese de colágeno do tipo II por condrócitos e tem eficácia clínica no combate aos sintomas dolorosos da artrose.12 A suplementação de peptídeos de colágeno também demonstrou ser benéfica para o tratamento da sarcopenia14 e até mesmo para o combate à osteoporose.15 

Em relação à saúde óssea, uma das principais recomendações sobre seu tratamento ainda é a ingestão diária de cálcio e de vitamina D.16 Para atingirmos a quantidade diária recomendada de ingesta de cálcio (1.200 mg/dia), precisamos consumir cerca de cinco a seis porções diárias de leite e derivados,17 e nem sempre isso é possível por meio da dieta. A suplementação de cálcio, portanto, também é indicada.17 Não podemos nos esquecer de que, além da nutrição, a atividade física tem papel fundamental para garantir a mobilidade física.

CONCLUSÃO

Em conclusão, a carga das doenças musculoesqueléticas só aumenta com o envelhecimento da população e com o aumento do número de pessoas que não levam a sério a dieta, o estilo de vida, a saúde e a atividade física.7 Sendo assim, para uma adequada saúde óssea, muscular e articular, e a consequente manutenção da mobilidade por toda a vida, é fundamental manter o uso de suplementos alimentares associado a um estilo de vida saudável que inclua a prática regular de atividades físicas moderadas.

Para enfrentar esse problema, é necessária uma abordagem pragmática multidisciplinar e individualizada, com a contribuição de diversos profissionais de saúde, incluindo clínicos gerais, nutricionistas, fisioterapeutas e especialistas em atividades físicas. Além disso, é importante aumentar a conscientização pública sobre os fatores de risco e melhorar a compreensão dessas abordagens na comunidade médica e científica. A mudança de comportamento e a participação do paciente são absolutamente cruciais para o sucesso.7 

Por fim, é importante fazer uso de ferramentas de diagnóstico eficientes disponíveis e desenvolver novas que permitam a identificação precoce da doença, e investigar os mecanismos de progressão da doença que levarão a medidas preventivas e programas de tratamento individualizados e mais holísticos.7