Vamos falar sobre dois temas atuais e que todos nós estamos encarando de muitas maneiras diferentes: o cansaço e a baixa imunidade!

Foi-se o tempo em que baixa imunidade e cansaço chegavam em momentos diferentes da vida. Hoje, mais do que nunca, as duas questões se tornaram igualmente importantes. Na correria, nos descuidamos da saúde, o que impacta na imunidade. E com tantas coisas para conciliar, no fim do dia surge o cansaço.

A verdade é que nesse momento não dá para abrir mão nem da imunidade nem da disposição, porque ambas são elementos essenciais para dar conta da nossa vida atual. E como a rotina não para, a dica de hoje é cuidar das duas questões com aliados potentes para enfrentar o desafio de conciliar tudo!

Entre os mais poderosos aliados está a arginina, um aminoácido que possui papel muito importante no combate ao cansaço.

Alimentação e energia


Energia e fadiga são percepções subjetivas apoiadas por uma base fisiológica objetiva. A fadiga mental e física ocorre quando o suprimento de energia corporal (ATP) não atende às demandas contínuas do cérebro e dos músculos, respectivamente. A fadiga também pode resultar de uma disfunção no fornecimento de oxigênio aos músculos e ao cérebro.1

Vitaminas e minerais são importantes para regular o oxigênio no corpo. O transporte de oxigênio requer ferro, vitaminas B6, B9 e B1 e riboflavina. Vitamina C, ferro, magnésio e zinco são fundamentais para proteger a célula contra os radicais livres de oxigênio. Além disso, são essenciais para a estrutura e função das células cerebrais (estruturas neuronais, síntese de neurotransmissores e neurotransmissão).1

O nível inadequado de vitaminas (vitaminas B e C) e minerais (ferro, magnésio, zinco) está associado à fadiga física e a funções cognitivas prejudicadas. Portanto, é altamente provável que suplementar indivíduos com vitaminas e minerais resulte em benefícios para a saúde, combatendo tanto a fadiga mental quanto a física e melhorando funções cognitivas e psicológicas, especialmente quando não há escolha ou disponibilidade de alimentos ricos em nutrientes como frutas, vegetais e laticínios.1

Arginina, o que é e como age?


A arginina é um aminoácido semi-essencial, produzido presumivelmente na via bioquímica da síntese de ureia, que pode desempenhar diversas funções em nosso organismo. Entre elas, ajudar na eliminação de toxinas como a amônia, que pode causar a sensação de cansaço.3 

Embora o corpo possa sintetizar a arginina, a suplementação exógena pode às vezes ser necessária, especialmente em situações específicas que resultam em produção endógena empobrecida, como infecções, circulação insuficiente, atividade física intensiva e em casos de astenia/cansaço. Na alimentação, são boas fontes desse aminoácido: peixe, carne vermelha, peito de frango, gelatina e produtos lácteos, bem como coco, aveia, cereais, passas, sementes de girassol, gergelim, castanhas e nozes.3

Fisiologicamente a arginina aumenta a orogênese, provocando a transformação de amoníaco tóxico em ureia atóxica e diurética (ciclo da ureia). Estimula o ciclo de Krebs fornecendo energia à célula hepática e, sendo precursor metabólico da creatinina, é indispensável ao anabolismo aminado do músculo. A arginina também atua na secreção de hormônios (vasopressina - hormônio antidiurético) e modulação do sistema imunológico.

Sabe-se que a deficiência de arginina por si só é capaz de produzir sintomas de astenia semelhantes à distrofia muscular e diminuir a produção de insulina, alterando o metabolismo da glicose e lipídeos no fígado. Entretanto, sua ação mais conhecida é como precursor direto do óxido nítrico (NO), um fator-chave de relaxamento vascular proveniente do endotélio, revestimento interno dos vasos sanguíneos do corpo humano. A arginina tem a importante função de estimular a produção de NO, através do qual contribui para os sistemas muscular, cardiovascular e imunológico e, também, para o sistema nervoso central, agindo como potente neurotransmissor (inclusive na formação da memória), dentre outros benefícios. É utilizada no tratamento da astenia (fadiga), atuando tanto no plano físico e muscular, quanto no plano psíquico.2

Como auxilia no combate ao cansaço e no aumento da imunidade?


Para gerar energia, as células do organismo realizam várias reações químicas, através das quais liberam amônia, uma substância tóxica para o organismo, incluindo o sistema nervoso central, desencadeando a fadiga. A arginina transforma a amônia tóxica em ureia, que é eliminada pela urina, ajudando a combater a fadiga (cansaço) tanto física ou muscular quanto mental ou psíquica, causada pelo acúmulo dessa substância no organismo. A arginina também tem a importante função de estimular a produção de óxido nítrico que atua no relaxamento da parede dos vasos sanguíneos, exercendo efeitos benéficos no sistema muscular.2,3

Então, a arginina pode ser uma importante aliada contra o cansaço e trazer benefícios para o sistema imunológico.2,3

Falando mais sobre a imunidade, vários fatores influenciam o sistema imunológico, incluindo nutrição. Na relação bidirecional entre nutrição, infecção e imunidade, mudanças em um componente afetam os outros. Por exemplo, características imunológicas distintas presentes durante cada fase da vida podem afetar o tipo, prevalência e gravidade de infecções, enquanto a má nutrição pode comprometer a função imunológica e aumentar o risco de infecção. Vários micronutrientes são essenciais para o funcionamento do sistema imune, particularmente as vitaminas A, C, D, E, B2, B6 e B12, ácido fólico, ferro, selênio e zinco. As deficiências de micronutrientes são reconhecidas como um problema de saúde global. A função imunológica pode ser melhorada restaurando os níveis normais desses micronutrientes. Quando a dieta é insuficiente, torna-se necessária a adequada suplementação de micronutrientes com base nas necessidades específicas relacionadas à idade.4

Nós temos uma velha conhecida, a vitamina C. Sua função para a imunidade já é plenamente reconhecida por muitos estudos. É um potente antioxidante e um cofator para uma família de biossintéticos e enzimas reguladoras de genes. A vitamina C contribui para a defesa imunológica, apoiando várias funções celulares do sistema imunológico inato e adaptativo. Essa vitamina oferece suporte epitelial, função de barreira contra patógenos, e promove a atividade de eliminação de oxidantes da pele, potencialmente protegendo contra o estresse oxidativo ambiental.5,6,7

A ingestão diária recomendada de vitamina C é de 90 mg/dia para homens e 75 mg/dia para mulheres. Tal quantidade é facilmente suprida via alimentação (brócolis, couve, goiaba, mamão, acerola, kiwi, laranja e muitos outros). Porém, estudos demonstram que doses a partir de 1 g/dia têm efeitos nas células de defesa, como leucócitos, aumentando sua proliferação e mobilidade. A vitamina C está concentrada nos leucócitos e sua concentração diminui rapidamente durante infecções e estresse. A suplementação de vitamina C melhora a capacidade de resistir à infecção, melhorando as atividades do sistema imunológico.5,6,7

Esses nutrientes já são aliados mais do que poderosos no combate ao cansaço e à baixa imunidade!