Este é outro vídeo de highlights do Congresso Kidney Week, referente ao terceiro dia do Congresso. Nesse vídeo, há um resumo das aulas que abordaram o sistema complemento. 
A síndrome hemolítica urêmica atípica (SHUa) é um diagnóstico de exclusão. Nas microangiopatias devem ser excluídas as causas já conhecidas e mais estabelecidas, como a PTT, relacionada à deficiência da ADAMTS13 ou outras causas como secundárias à toxina shiga, a alguns processos de infecção, a colagenosas e ao uso de determinados medicamentos.1

Nos pacientes com SHUa, a dosagem do sC5b-9 pode estar um pouco mais elevada. Falta padronização desse teste, mas pode ser que, futuramente, haja melhores respostas. Os testes funcionais parecem ser bastante interessantes como, por exemplo, depósito de complemento em células endoteliais. 

As células endoteliais em cultura, incubadas com soros de pacientes com SHUa, mostrariam mais depósito de sC5b-9. Entretanto, não é uma técnica facilmente implantável, não é padronizada fora do ambiente de pesquisa, mas parece ser um teste bastante promissor para o futuro.1

Em relação à profilaxia, deve ser realizado algum tipo de rastreio de pacientes de alto risco de microangiopatia porque essa patologia quando recidiva no transplante apresenta uma evolução muito desfavorável.2

O KDIGO de 2017 recomenda análise genética para pacientes que tenham um risco maior de recorrência.  A partir dessa análise genética, estratifica-se o risco. Pacientes com variante de fator H ou variantes relacionadas ao ganho de função, como C3 ou cofator B, apresentam alto risco de recorrência sendo indicado o bloqueador do complemento como estratégia profilática. Pacientes com risco moderado, ou seja, com variantes do fator I ou anticorpos relacionados ao fator H, têm indicação de estratégia de bloqueio do complemento ou plasmaférese. Os pacientes de baixo risco, como os que não têm variantes identificadas ou MCP, podem não receber profilaxia.2

No estudo de Zuber (2019)3 com uma coorte francesa mostrou melhor evolução dos pacientes transplantados em risco com o uso mais intenso do bloqueador do complemento, o eculizumabe. Neste estudo, mesmo com o aumento do número de pacientes com SHUa, houve aumento do número de pacientes com rins nativos.  Ao se tratar com bloqueador de complemento, os pacientes não evoluem para doença renal crônica, e os transplantados permanecem com SHUa. Há, também, redução do número de pacientes com SHUa após a introdução desse bloqueador de complemento. Esses resultados mostram que os pacientes conseguem permanecer com SHUa quando transplantados ou mesmo permanecer com o rim nativo quando em atividade de microangiopatia com SHUa quando tratados com o inibidor do complemento. 

Em resumo, esta última parte abordou as novidades sobre o sistema complemento. Novas técnicas de diagnóstico para a síndrome hemolítica urêmica atípica e para a glomerulopatia por C3, melhorias nos dispositivos de acesso vascular, técnicas preditoras de patência ou novas tecnologias em relação à confecção desses acessos vasculares, entre outros.