Todos os anos, as epidemias de influenza determinam maior impacto nas crianças menores de cinco anos, uma vez que possuem resposta imune ainda em desenvolvimento, o que contribui para a sua vulnerabilidade à infecção. Crianças na faixa etária pediátrica apresentam as mais elevadas taxas de infecção por influenza e são as principais transmissoras do vírus em casa e na escola.1
(Adaptado de 10, 11 e 12)

Crianças quando comparadas aos adultos excretam o vírus mais precocemente, com maior carga viral e por períodos mais longos.1 O contato da criança doente com as outras deve ser evitado e recomenda-se: que a criança fique em casa, a fim de evitar transmissão da doença por pelo menos 24 horas após o desaparecimento da febre, sem utilização de medicamento antitérmico.2

E, além disso, as crianças apresentam maior risco para a cepa B3, que não contém a imunização total na vacina trivalente. Pela dificuldade em prever a circulação das linhagens de influenza B a cada ano, vacinas quadrivalentes (QIV) contendo as 2 cepas de influenza A e as duas 2 de influenza B foram aprovadas pelas agências regulatórias mundiais em 2013 e no Brasil em 2015.10

Estudos apontam que famílias compostas por crianças em idade escolar são mais acometidas pelo vírus influenza4, responsável pelos quadros de gripe e pode expor o paciente a complicações importantes, a exemplo da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)2. Há também o efeito cascata que o vírus influenza pode exercer no organismo, especialmente em pessoas com comorbidades, como descontrole do nível de açúcar no sangue; problemas cardiovasculares e complicações renais. 

Vale destacar que as crianças transmitem o vírus da gripe por mais tempo que os adultos: até 10 dias após o início dos sintomas4. Por isso, a ampla cobertura vacinal contra a gripe nessa população infantil beneficia a toda a comunidade5.

Anualmente, o Ministério da Saúde promove a campanha de vacinação contra a gripe, tradicionalmente entre os meses de abril e junho. Dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) apontam, contudo, que apenas 74% das crianças foram imunizadas contra a gripe em 2020, porcentual inferior à meta de 90% do governo6. Esse número vem caindo desde 2017.  

Cobertura vacinal em Crianças, campanha de vacinação contra Influenza, por estado em 2020 no Brasil
Fonte: sipni.datasus.gov.br – dados preliminares acessados em 15.10.2020, às 14h00.

Cobertura vacinal decrescente desde 2017
Fonte: sipni.datasus.gov.br – dados relativos ao ano de 2020 acessados em 13.10.2020

Há ainda outras enfermidades que têm apresentado queda nos índices de vacinação e que precisam da atenção de pais, professores e profissionais da saúde, especialmente com o possível retorno a aulas presenciais. Nos últimos anos o Brasil não atingiu nenhuma das metas de vacinação do PNI, o que traz um alerta para o risco de retorno e aumento de casos de doenças graves, como a poliomielite e meningite meningocócica7
Fonte: Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI/CGPNI/DEIDT/SVS/MS)

Quanto maior o número de crianças vacinadas, menos o vírus circula e com isso há diminuição da transmissão do vírus. Esse é o conceito de proteção de grupo e uma grande vantagem da vacinação. Além disso, a OMS salienta que a vacinação é a melhor forma de prevenção contra a gripe.8,9