A influenza é uma doença grave e imprevisível e precisa ser prevenida a cada ano. O impacto da gripe pode ser evidenciado com 3 a 5 milhões de casos graves por ano e com um número de óbito expressivo variando de 290.000 a 650.000 mortes por ano no mundo.1

Existem duas linhagens antigenicamente distintas de vírus influenza B, chamadas de linhagens Victoria e Yamagata. A imunização contra cepas do vírus influenza B de uma linhagem fornece apenas proteção cruzada limitada contra cepas da outra linhagem.2

Influenza B tem maior circulação entre a população pediátrica além disso a criança, quando infectada transmite a doença por um período mais prolongado que os adultos, que pode durar de 24 horas antes do início dos sintomas, até 2 semanas após3;4.

No Brasil, a circulação de cepa B tem distribuição heterogênea, com expressão significativa no período sazonal de influenza A (abril a setembro), mas também com evidência nos meses de janeiro a março e outubro a dezembro.5 Sua predominância durante o período sazonal é imprevisível e pode chegar até a 30% das cepas circulantes2 Essa imprevisibilidade pôde ser observada nos anos de 2017 e 2018, onde a predominância de casos por cepa B variou de 30,9% para 5,6%, respectivamente (Figura 1).

Figura 1 - Percentual de casos de influenza por cepas. Brasil, 2017 e 2018.
Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/janeiro/17/Informe-Epidemiol--gico-Influenza-2017-SE-52.pdf 6 e http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/dezembro/27/Informe-Epidemiologico-Influenza-2018-SE-51.pdf 7 – Adaptado.

As vacinas contra a gripe disponíveis no Brasil são diferentes entre o setor público e o setor privado8:
  • “Na rede pública, a vacina trivalente está disponível para grupos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde em função do maior risco de adoecimento e de evolução para quadros graves”;
  • “Nos serviços privados de vacinação, as vacinas trivalentes e quadrivalentes estão disponíveis para pessoas a partir de 6 meses, sem restrições de idade”.
Ambas seguem a recomendação anual da OMS para a composição das vacinas de influenza liberadas para o hemisfério sul no mês de setembro de cada ano9. Recentemente, um modelo dinâmico para avaliar a substituição de vacinas trivalentes para vacinas quadrivalentes para proteger crianças de 6 meses a 5 anos foi avaliado, identificando que para essa população pode haver um forte impacto na saúde pública, sendo uma estratégia custo-efetiva do ponto de vista do pagador público e de uma perspectiva social10.