Embora em muitos casos o uso simultâneo de vários medicamentos seja necessário, isso aumenta a probabilidade de reações adversas, de erros de medicação, de interações medicamentosas, além de dificultar a adesão ao tratamento.1
 

Os anticoagulantes são indicados para profilaxia primária e secundária de eventos tromboembólicos, que estão entre as principais causas de mortalidade e morbidade em todo o mundo.2-4 Dentre os anticoagulantes utilizados na prática clínica estão as heparinas, os cumarínicos (antivitamina K) e os novos anticoagulantes orais de inibição direta do fator Xa.3-5 

Embora a anticoagulação oral seja historicamente muito prescrita e reconhecidamente efetiva, tem sido identificada como importante fator contribuinte para eventos adversos de medicamentos e apontada como alvo de ações prioritárias na prevenção de erros de medicação.5,6 

No Brasil, estão disponíveis os seguintes anticoagulantes orais de ação direta: dabigatrana, apixabana, edoxabana e rivaroxabana.7 Os diferenciais desses anticoagulantes em relação à antiga varfarina são o menor número de interações medicamentosas clinicamente importantes e a ausência de interações conhecidas com alimentos.4,8 

Entretanto, apesar dessas diferenças, os anticoagulantes orais de ação direta, assim como a varfarina, são classificados como medicamentos potencialmente perigosos, frequentemente envolvidos em eventos adversos.6,8,9 Muitos desses eventos se devem a erros de medicação e, portanto, são preveníveis, o que demonstra que a incidência de eventos adversos pode aumentar quando os anticoagulantes orais de ação direta não são prescritos, dispensados ou utilizados apropriadamente.8,10,11 

O impacto de interações com anticoagulantes orais de ação direta sobre o risco de sangramento e de tromboembolismo é pouco elucidado. Diante desse cenário, cada paciente que iniciar o tratamento deve ter a farmacoterapia revisada, com análise das interações medicamentosas.12 

Dessa forma, ressaltamos algumas recomendações:12 
•  Confirmar se a indicação do anticoagulante oral é apropriada.
•  Garantir que sejam atualizados periodicamente os protocolos que orientam a prescrição de anticoagulantes orais de ação direta em nível institucional, com base nas evidências científicas.
•  Conhecer as informações sobre as interações medicamentosas.

Apesar dessas diferenças, os anticoagulantes orais de ação direta, assim como a varfarina, são classificados como medicamentos potencialmente perigosos, frequentemente envolvidos em eventos adversos.6,8,9