Introdução


Atualmente, os dados sobre a segurança e a eficácia do tratamento sequencial de agentes anti-CD20 (rituximabe e ocrelizumabe) para alentuzumabe (anti-CD52) em pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) são escassos.1-4

Os agentes anti-CD20 induzem uma diminuição sustentada das células B circulantes,enquanto o alentuzumabe induz uma potente diminuição das células B e T.2

Esse estudo descreve o uso sequencial de anti-CD20 ao alentuzumabe em três pacientes com EMRR, acompanhados em uma clínica universitária de esclerose múltipla, e fornece informações sobre eficácia e segurança.

Foram incluídos pacientes tratados com anti-CD20 (rituximabe ou ocrelizumabe) com uso sequencial de alentuzumabe, em um período de 12 meses.

Foram excluídos pacientes que utilizaram outra terapia modificadora da doença (TMD) entre o uso de anti-CD20 e de alentuzumabe.

Resultados 

 

Caso 1

 
Paciente do sexo feminino, com 31 anos de idade e EMRR desde 2016. Fez uso de ocrelizumabe 600 mg intravenoso (três ciclos de tratamento) entre 2017 e 2018. O tratamento foi alterado para alentuzumabe (60 mg intravenoso) após três recidivas, quatro meses após o tratamento com ocrelizumabe. 
 
A contagem de linfócitos no período basal foi de 1,1x109 células/L. (Figura 1A) 
 
Após seis meses de acompanhamento, não foram observados eventos adversos sérios, infecções, autoimunidade secundária ou recidivas. 
 

Caso 2

 
Paciente do sexo feminino, com 32 anos de idade e EMRR desde 2014. Fez uso de rituximabe 2.000 mg intravenoso por mais de duas semanas e de 1.000 mg intravenoso no mês 6, em 2018 (dois ciclos de tratamento, totalizando 3.000 mg). O tratamento foi alterado para alentuzumabe (60 mg intravenoso) em razão de recidivas, quatro meses após o tratamento com rituximabe. 
 
A contagem de linfócitos no período basal foi de 1,9x109 células/L. (Figura 1A) 
 
Após dois meses de acompanhamento, não foram observados eventos adversos sérios, infecções, autoimunidade secundária ou recidivas. 
 

Caso 3

 
Paciente do sexo masculino, com 19 anos de idade e EMRR desde 2012. Fez uso de interferon beta-1a (44 mcg, três vezes por semana) entre 2012 e 2014, com controle incompleto da doença, e de ocrelizumabe (600 mg intravenoso a cada 24 semanas) entre 2014 e 2016 (cinco ciclos de tratamento). O tratamento foi alterado para alentuzumabe (60 mg intravenoso) após três recidivas, cinco meses após o tratamento com ocrelizumabe. 
 
A contagem de linfócitos no período basal foi de 2,7x109 células/L. (Figura 1A) 
 
Após 27 meses de acompanhamento, não foram observados eventos adversos sérios ou autoimunidade secundária. Observou-se URTI aos três meses após o primeiro ciclo de tratamento com alentuzumabe. Foram observadas ainda neutropenia (2.500 células/μL) e pneumonia após 10 meses de tratamento, (figura 1B) e os pacientes recidivaram um mês após o segundo ciclo de tratamento com alentuzumabe.

Conclusões


Todos os três pacientes que fizeram a transição do tratamento de um anti-CD20 para alentuzumabe dentro de um período de cinco meses não apresentaram eventos adversos sérios imediatos ou qualquer impacto na eficácia esperada. Previa-se que pacientes que recidivaram com o uso de anti-CD20 apresentariam doença altamente ativa.

O motivo da ocorrência de neutropenia no caso 3 é desconhecido. Poderia ser secundário à pneumonia ou à autoimunidade transitória. Em um estudo de fase 3 que avaliou o uso de alentuzumabe em pacientes com EMRR, 72 em 811 participantes desenvolveram neutropenia grave no primeiro ano de acompanhamento do tratamento com alentuzumabe.5 Neutropenia de início tardio também pode ser observada após o tratamento com anti-CD20.6

Estudos futuros devem avaliar o tratamento sequencial em um grupo maior de pacientes por um longo período de acompanhamento para possibilitar melhor estimativa do potencial risco de infecções, efeitos na prevenção de recidivas e potencial impacto na autoimunidade secundária.