Introdução

Mesmo durante a pandemia da COVID-19 e a implementação de medidas de distanciamento social e restrição de acesso a serviços não urgentes,1 a maioria das farmácias permaneceu aberta, apoiando os pacientes e oferecendo serviços essenciais como:2,3
  • Dispensação e fornecimento de medicamentos;
  • Administração de medicamentos, incluindo vacinas;
  • Recomendações para medicamentos de venda livre;
  • Orientações sobre uso de medicamentos.

Os farmacêuticos também continuaram a ajudar os pacientes com doenças crônicas (tanto na suspeita quanto no monitoramento da condição), além de realizar os testes rápidos para o diagnóstico da COVID-19 e de orientar quanto aos sinais da doença e medidas de prevenção.2,4,5

Outra novidade aprovada durante a pandemia, foi o delivery de medicamentos de controle especial.6 E mesmo para populações com maior dificuldade de acesso, seja pela distância ou pela falta de recursos, foi possível levar os medicamentos e orientações sobre saúde e prevenção da COVID-19 através de farmácias móveis.7


1. Apoio ao cuidado de doenças crônicas durante a pandemia da COVID-19

A pandemia afetou substancialmente o atendimento dos serviços de saúde para doenças em geral, o que deixou uma lacuna no acompanhamento das doenças crônicas, incluindo a falta de monitoramento clínico e a realização de exames laboratoriais. 

Porém, as pessoas continuaram adquirindo seus medicamentos nas farmácias e, dessa forma, os farmacêuticos mantiveram o contato com estes pacientes. Isso propiciou que estes profissionais tivessem um papel ainda mais relevante no cuidado da saúde da população neste período, por meio de serviços como:2
 
  • Rastreamento de condições clínicas que possam necessitar de encaminhamento para avaliação médica (como aferição da pressão arterial, mensuração da glicemia e do peso);
  • Monitoramento de doenças pré-existentes;
  • Orientações sobre como tomar os medicamentos adequadamente;
  • Educação sobre a importância de evitar a exposição ao novo coronavírus.
Essa atenção tem sido especialmente importante para o grupo de pacientes considerados de alto risco para COVID-19*, para os quais as taxas de hospitalização e de mortalidade são mais elevadas, ajudando-os a manter os parâmetros clínicos bem controlados.2  

*Grupos considerados de alto risco para COVID-19:
  • Pessoas acima de 60 anos;
  • Pacientes clinicamente vulneráveis com doenças crônicas subjacentes, como:
    diabetes,
    doenças cardiovasculares,
    hipertensão arterial,
    doença pulmonar obstrutiva crônica,
    doença renal crônica.
2. Orientações e prevenção da COVID-19

Os farmacêuticos podem desempenhar um papel fundamental na prevenção da disseminação da COVID-19, uma vez que têm:4
 
  • Compreensão sobre como a doença é transmitida e como evitar que se espalhe mais.
  • Acesso às fontes de informação sobre as estratégias nacionais para lidar com a COVID-19 (por exemplo, o centro de saúde de referência mais próximo e os números para contato de serviços de emergência).
  • Conhecimentos atualizados.
  • Capacidade para informar, aconselhar e educar a comunidade, também por meio do uso de ferramentas digitais.
  • Argumentos confiáveis para incentivar os indivíduos e suas famílias a seguirem as recomendações em relação aos cuidados necessários a serem tomados em casos suspeitos de COVID-19.
As farmácias também podem ser utilizadas para a exposição de cartazes de orientação sobre os cuidados de prevenção do novo coronavírus, como o uso correto de máscaras e de preparações alcoólicas a 70%.3


3. Teste rápido 

Com a ausência de tratamentos comprovados e a espera de uma vacinação em massa para prevenir a transmissão, as ações prioritárias para proteger a população contra a COVID-19 e para mitigar futuras ondas de infecção são: testar, rastrear e colocar em quarentena as pessoas infectadas ou expostas ao vírus. Esses papéis são realizados pelos serviços públicos de saúde locais e, aqui, os farmacêuticos podem desempenhar uma função relevante na testagem para a COVID-19, uma vez que as farmácias foram autorizadas a incorporar os testes rápidos (tanto para detecção de anticorpos quanto de antígenos) em seu fluxo de trabalho, seguindo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Ministério da Saúde.2,5 

Os testes fornecem dados objetivos em tempo real e os farmacêuticos podem educar os pacientes sobre os resultados, recomendações de estilo de vida e encaminhar para avaliação médica, uma vez que após esses testes rápidos ainda é necessária a confirmação diagnóstica.2

O Farmacêutico Responsável Técnico deve entrevistar o solicitante do teste rápido e utilizar o exame de acordo com a sua respectiva janela imunológica, além de fazer esse registro na Declaração de Serviço Farmacêutico.5

Veja abaixo as etapas que o farmacêutico deverá seguir para a realização dos testes rápidos para a  detecção de anticorpos em amostras de sangue:8 
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2021/04/a-farmacia-em-tempos-de-COVID-19/Graf1-(17).ashx?w=765&hash=1018AE68718927850D3EAA765D6B1A30
Os testes para detecção do antígeno viral utilizam amostras coletadas por swab de nasofaringe e/ou orofaringe e devem ser realizados por farmacêuticos treinados, seguindo as normas de biossegurança.8 


4. Delivery de medicamentos

Em 2020, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 357 da ANVISA comunicou que estava permitida a entrega remota (delivery) de medicamentos de controle especial por tempo indeterminado.6 O uso desse serviço foi também encorajado em uma nota técnica da ANVISA, como estratégia para minimizar o risco de exposição ao vírus durante a pandemia da COVID-19.3

Para que isso seja feito de forma adequada, é preciso que as boas práticas de dispensação de medicações sejam mantidas, incluindo:9
  • análise dos aspectos técnicos e legais do receituário,
  • realização de intervenções quando necessárias,
  • fornecimento dos produtos prescritos para a saúde ao paciente ou ao cuidador,
  • orientação sobre o uso adequado e seguro, seus benefícios, conservação e descarte.
Veja abaixo como pode ser realizado o pedido de delivery (Figura 1):6
-/media/Sanofi/Conecta/Artigos/2021/04/a-farmacia-em-tempos-de-COVID-19/Graf2-(17).ashx?w=1190&hash=94D9802E6D324A116A645014AD8807A1
Conclusão

Uma vez que as farmácias costumam ser um importante ponto de contato com o sistema de saúde para os pacientes ou para aqueles que precisam de informações e conselhos confiáveis, elas estão em posição estratégica para fornecer serviços prioritários durante a pandemia, incluindo:2,4
  • Informações sobre prevenção e sinais clínicos suspeitos de COVID-19;
  • Testes rápidos para COVID-19, orientação sobre sua interpretação e encaminhamento para serviço médico se necessário;
  • Apoio no cuidado e manejo de doenças crônicas;
  • Fornecimento de medicamentos.