Caso clínico  

Paciente, sexo feminino, 40 anos, parda, bióloga, tabagista, procedente de Caraguatatuba, SP, tinha como antecedentes bulimia e anorexia dos 18 aos 20 anos de idade. Era acompanhada em serviço público de 2008 a 2017.

Em 2006, apresentou dormência em todo o lado direito do corpo, incluindo a face, que melhorou em uma semana espontaneamente. Na ocasião, procurou o pronto-socorro. Lá, foi medicada com benzodiazepínico e liberada com diagnóstico de provável estresse. Retomou suas atividades diárias, após duas semanas, sem sequelas.

Em 2008, teve segunda gestação de parto normal e, após dez meses, apresentou quadro de hemiparesia esquerda completa com hipoestesia associada. Procurou um neurologista, que solicitou exame de Ressonância Magnética (RM) de crânio, cujo laudo descreveu múltiplas lesões em substância branca e duas lesões captantes de contraste periventriculares. Foi realizada a punção de Líquido Cefalorraquidiano (LCR), cujo resultado apresentou: células – 10; linfócitos – 60%; monócitos – 38%; proteína – 29 mg/dL; gama – 15,2%; bandas oligoclonais – positivas. Apresentou provas inflamatórias negativas.  

Recebeu diagnóstico de Esclerose Múltipla Remitente-Recorrente (EMRR) e iniciou tratamento com acetato de glatirâmer (AG).  

Para saber mais sobre o desfecho deste caso, assista abaixo o vídeo completo: 
 
A individualização do tratamento permite que formas mais agressivas e/ou ativas recebam terapias, como o alentuzumabe, com maior chance de resultados eficazes.5

Alentuzumabe é um anticorpo monoclonal que se liga ao receptor CD52, leva à depleção de linfócitos T e B circulantes, com um padrão de repopulação desses tipos celulares, considerados os mediadores dos processos inflamatórios envolvidos na EM. A finalidade, principalmente em formas muito ativas da doença, é reduzir a frequência dos surtos e reverter ou diminuir o acúmulo da incapacidade física.6

Os estudos mostraram grande proporção de pacientes que se mantiveram em NEDA após seis anos.7,8 No entanto vale ressaltar que o início do tratamento requer um preparo do paciente com coleta de exames, verificação da necessidade de vacinação, que deve ser feita seis semanas antes, assim como monitoramento com exames de bioquímica por quatro anos após o último ciclo de alentuzumabe.9