A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele associada a lesões eczematosas e prurido, que prejudica a qualidade de vida do paciente e de seus familiares.1,2 Frequentemente, o paciente com DA apresenta como comorbidades outras doenças inflamatórias tipo 2, como asma, rinite alérgica e rinossinusite crônica com pólipo nasal.1-3 Sabemos que muitos tratamentos sistêmicos disponíveis, até então, para DA não são recomendados para uso contínuo de longo prazo, devido a questões de segurança e falta de dados de eficácia de longo prazo.1,4 O dupilumabe é um anticorpo monoclonal5,6 totalmente humano que bloqueia a subunidade do receptor compartilhado das interleucinas IL-4 e IL-13, citocinas-chave da inflamação tipo 2, principal mecanismo patogênico da DA.1 

Em vários estudos de fase III randomizados e controlados com placebo em pacientes com DA moderada ou grave, o dupilumabe, com ou sem corticosteroides tópicos, melhorou as lesões cutâneas, os sintomas e a qualidade de vida na DA e teve perfil de segurança favorável.1,7-9 

Este estudo (LIBERTY AD OLE) é um estudo de extensão multicêntrico que está em andamento; abrange adultos com DA moderada ou grave que haviam participado de ensaios clínicos de fase I a III com dupilumabe e completado adequadamente as avaliações.1 Os pacientes receberam 300 mg semanais com base nos regimes de dosagem selecionados para estudos de fase III.1 A duração do estudo, planejado por paciente, era de até três anos de tratamento ou até a aprovação regulamentar/disponibilidade comercial do dupilumabe na região geográfica do paciente.1 O desfecho primário foram a incidência e a taxa de efeitos adversos emergentes do tratamento (EAETs). Os principais desfechos secundários incluíram incidência e taxa de EAETs graves e melhora nas escalas de gravidade da doença e da qualidade de vida.1

Dos 2.677 pacientes que participaram e foram tratados, 82,4% (2.207/2.677) haviam concluído até a semana 52; 1.028 (38,4%) até a semana 100; e 347 (13,0%) até a semana 148.1 A maioria dos pacientes (807, 30,1%) retirou-se do estudo devido ao encerramento promovido pelo patrocinador.1 A descontinuação devido a efeitos adversos (109, 4,1%) e a falta de eficácia (57, 2,1%) foi pouco frequente.1 

Quanto à avaliação de segurança, no geral, 13.826 EAETs foram relatados em 2.264 pacientes (84,6%), e a maioria dos EAETs era de gravidade leve ou moderada; EAETs graves foram relatados em 9,2% dos pacientes.1 Os EAETs levaram à descontinuação do tratamento em 95 pacientes (3,5%).1 Os EAETs mais comuns foram nasofaringite, DA, infecção do trato respiratório superior, conjuntivite, dor de cabeça, herpes oral e reações no local de injeção, todos relatados anteriormente em estudos com dupilumabe.1 A maioria dos eventos de conjuntivite foi de gravidade leve ou moderada e não resultou na descontinuação do tratamento.1 Em mais de 85% dos casos, a conjuntivite foi resolvida com tratamentos oftálmicos padrão enquanto o paciente permaneceu com o medicamento do estudo.1 Quatorze (0,5%) pacientes descontinuaram definitivamente o medicamento do estudo devido à conjuntivite.1 O tempo até o início de todos os eventos de conjuntivite variou de nove a 574 dias após o início do tratamento. No geral, 354 EAETs graves foram relatados em 256 pacientes (9,6%).1 Trinta e seis EAETs graves considerados relacionados ao medicamento do estudo pelo investigador ocorreram em 31 (1,2%) pacientes e incluíram osteoartrite, carcinoma de células escamosas da pele e exacerbação de DA.1

A gravidade da lesão cutânea da DA e os sintomas relacionados à DA melhoraram ao longo do curso do OLE, caracterizados por melhora inicial rápida seguida de melhora progressiva depois disso.1 Na semana 100, 58,1% dos pacientes alcançaram pontuações IGA (Avaliação Global do Investigador) de 0 ou 1, o que aumentou para 74,1% na semana 148.1 Na semana 100, 77,2% dos pacientes alcançaram melhora ≥2 pontos no IGA desde o início do estudo principal, o que aumentou para 87,9% na semana 148.1 O EASI médio no início do estudo principal foi de 33,4, diminuindo para 5,8 na semana 16 do estudo OLE e 1,5 na semana 148.1 (Figura 1)
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A média semanal de prurido NRS no início do estudo principal foi de 7,2, diminuindo para 3,0 na semana 10 e 2,1 na semana 148.1 (Figura 2) Na semana 148, 98,3%, 96,6% e 87,9% dos pacientes haviam alcançado EASI-50/75/90, respectivamente, e 81,9% dos pacientes tinham média semanal de prurido NRS ≤3, com pontuação média absoluta de 2,2 (leve coceira).1 Na semana 124, o POEM médio diminuiu de 20,5 no início do estudo principal para 5,1 e o DLQI médio de 14,7 para 2,9.1 Um total de 200 (7,5%) pacientes recebeu medicação de resgate, administrada a critério do investigador, que incluiu corticoides sistêmicos (187; 7,0%) e/ou imunossupressores não esteroides (21; 0,8%).1
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Nesse estudo, os pacientes receberam 300 mg de dupilumabe semanalmente, mais frequente que o regime atualmente aprovado, de 300 mg a cada duas semanas em adultos, e se demonstrou perfil de segurança favorável e eficácia sustentada por até três anos.1 Estudos controlados não mostraram diferenças de segurança nem de eficácia entre esses regimes,7-9 o que sugere que o dupilumabe 300 mg a cada duas semanas alcançaria resultados semelhantes aos relatados aqui.1 

Os dados de segurança relatados nesse estudo aberto são consistentes com estudos controlados de até 52 semanas.7-9 A adesão ao tratamento do estudo foi alta (98%) e a taxa de descontinuação do tratamento devido a efeitos adversos foi baixa (3,5%).1 Além disso, poucos pacientes (7,5%) que receberam dupilumabe nesse estudo necessitaram do uso de medicação sistêmica de resgate, o que demonstra que o dupilumabe, sozinho ou com corticoides tópicos concomitantes, fornece controle da doença no longo prazo em pacientes com DA moderada ou grave.1 

Os pontos fortes desse estudo incluem seu tamanho e duração, enquanto as limitações incluem a falta de um braço de controle, menor quantidade de pacientes em momentos posteriores e posologia diferente da aprovada atualmente.

Conclusão

A segurança favorável e a eficácia sustentada do dupilumabe, observadas por até três anos em adultos com DA moderada ou grave, apoiam seu uso contínuo nessa doença crônica debilitante.


DUPIXENT® é indicado para o tratamento das seguintes doenças inflamatórias do tipo 2:
Dermatite atópica: DUPIXENT® (dupilumabe) é indicado para o tratamento de pacientes de 6 a 11 anos com dermatite atópica grave e pacientes a partir de 12 anos com dermatite atópica moderada a grave cuja doença não é adequadamente controlada com tratamentos tópicos ou quando estes tratamentos não são aconselhados. DUPIXENT® pode ser utilizado com ou sem tratamento tópico. Asma: DUPIXENT® é indicado para pacientes com idade a partir de 12 anos como tratamento de manutenção complementar para asma grave com inflamação tipo 2 caracterizada por eosinófilos elevados no sangue e/ou FeNO aumentada, que estão inadequadamente controlados, apesar de doses elevadas de corticosteroide inalatório, associado a outro medicamento para tratamento de manutenção. DUPIXENT® é indicado como terapia de manutenção para pacientes com asma grave e que são dependentes de corticosteroide oral, independentemente dos níveis basais dos biomarcadores de inflamação do tipo 2. Rinossinusite Crônica com Pólipo Nasal (RSCcPN) DUPIXENT® é indicado como tratamento complementar para rinossinusite crônica grave com pólipo nasal (RSCcPN) em adultos que falharam à tratamentos prévios, ou que são intolerantes ou com contraindicação à corticosteroides sistêmicos e / ou cirurgia. CONTRAINDICAÇÕES: DUPILUMABE É CONTRAINDICADO EM PACIENTES COM HIPERSENSIBILIDADE CONHECIDA AO DUPILUMABE OU A QUALQUER EXCIPIENTE. Advertências e Precauções: Hipersensibilidade: Caso ocorra uma reação de hipersensibilidade sistêmica, a administração de dupilumabe deve ser descontinuada imediatamente, e terapia apropriada iniciada. Um caso de reação semelhante à doença do soro e um caso de reação de doença do soro, ambas consideradas graves foram reportadas no programa de desenvolvimento clínico da dermatite atópica após administração de dupilumabe. Infecções helmínticas: Pacientes com infecções helmínticas conhecidas foram excluídos da participação dos estudos clínicos de dupilumabe. Os pacientes com infeções helmínticas preexistentes devem ser tratados antes de iniciarem o uso do DUPIXENT®. Se os pacientes contraírem a infecção durante o tratamento com DUPIXENT® e não responderem ao tratamento anti-helmintíco, o tratamento com DUPIXENT® deve ser descontinuado até resolução da infecção. Dermatite atópica ou RSCcPN em pacientes com asma como comorbidade: Os pacientes tratados com DUPIXENT® para dermatite atópica moderada a grave ou RSCcPN grave que também têm asma como comorbidade não devem ajustar ou parar os tratamentos para a asma sem consultar os respectivos médicos. Os pacientes com asma como comorbidade devem ser cuidadosamente monitorados após a descontinuação de DUPIXENT®. Conjuntivite e ceratite: Ocorreram com maior frequência em pacientes que receberam tratamento com dupilumabe nos estudos de dermatite atópica, o mesmo não foi observado nos estudos de asma. Nos estudos de RSCcPN a frequência foi baixa, embora maior no grupo com DUPIXENT® em relação ao grupo placebo. Aconselhe os pacientes a informarem um novo aparecimento ou a piora dos sintomas oculares. CATEGORIA DE GRAVIDEZ: B. ESTE MEDICAMENTO NÃO DEVE SER UTILIZADO POR MULHERES GRÁVIDAS SEM ORIENTAÇÃO MÉDICA. Atenção diabéticos: contém açúcar. Reações Adversas: Em ≥1% dos pacientes com dermatite atópica tratados com dupilumabe em monoterapia: Reação no local da injeção 10% , Conjuntivite 10% , Blefarite <1% , Herpes oral 4% ,Ceratite <1% , Coceira ocular 1% , Outras infecções virais por Herpes simples 2% , Olho seco <1% ; Em ≥1% dos pacientes com dermatite atópica tratados com dupilumabe + corticosteroides tópicos Reação no local da injeção 10% , Conjuntivite 9% , Blefarite 5% , Herpes oral 3% ,Ceratite 4% , Coceira ocular 2%, Outras infecções virais por Herpes simples 1%, Olho seco 2%. Interações medicamentosas: vacinas com vírus vivo não devem ser administradas concomitantemente com DUPIXENT®. Posologia: Dermatite atópica: dupilumabe deve ser administrado através de injeção subcutânea. A dose recomendada de dupilumabe em pacientes adultos (maiores de 18 anos, independente do peso) é uma dose inicial de 600 mg (duas injeções de 300 mg), seguido de 300 mg administrados uma vez a cada duas semanas. Em pacientes pediátricos e adolescentes de 6 a 17 anos, a dose recomendada varia de acordo com a faixa de peso: de 15Kg até menos de 30 Kg, uma dose inicial de 600 mg (2 injeções de 300 mg), seguido de 300 mg administrados uma vez a cada quatro semanas; de 30kg até menos de 60Kg, uma dose inicial de 400 mg (2 injeções de 200 mg), seguido de 200 mg uma vez a cada 2 semanas; a partir de 60 Kg, uma dose inicial de 600 mg (2 injeções de 300 mg), seguido de 300 mg uma vez a cada duas semanas. Asma: Em pacientes com asma grave e que estão fazendo uso de corticosteroide oral ou pacientes com asma grave e dermatite atópica moderada a grave como comorbidade, ou adultos com rinossinusite crônica grave com pólipo nasal como comorbidade, uma dose inicial de 600 mg (duas injeções de 300 mg), seguida de 300 mg administrada a cada duas semanas. Para todos os outros pacientes, uma dose inicial de 400 mg (duas injeções de 200 mg), seguida de 200 mg administradas a cada duas semanas sob a forma de injeção subcutânea. Rinossinusite Crônica com Pólipo Nasal (RSCcPN): A dose recomendada de DUPIXENT® para pacientes adultos é uma dose inicial de 300 mg seguida de 300 mg administrado a cada duas semanas.
USO ADULTO E PEDIÁTRICO (A PARTIR DE 6 ANOS). VIDE INDICAÇÕES. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. MS nº 1.8326.0335. IB280520A. Leia atentamente a bula.