Indicação e uso

A imiglucerase é indicada como terapia de reposição enzimática (TRE) de longo prazo em pacientes com diagnóstico confirmado de doença de Gaucher, que produz uma ou mais das seguintes condições: anemia, trombocitopenia, alterações ósseas, hepatomegalia e/ou esplenomegalia.

Efeitos na doença de Gaucher tipo 3

Um estudo avaliou 253 crianças e adolescentes (<18 anos de idade) incluídos no Gaucher Registry com doença de Gaucher tipo 3. Esses pacientes haviam recebido alglucerase ou imiglucerase como terapia primária inicial para a doença de Gaucher. Aspectos hematológicos, viscerais e de crescimento foram avaliados durante os primeiros 5 anos de tratamento.2

Observou-se que a imiglucerase promoveu melhora rápida e sustentada nos volumes do baço e do fígado. Em pacientes não-esplenectomizados (n = 25), o volume médio do fígado no início do estudo era de 2,4 ± 1,28 múltiplos do normal (MN) e diminuiu para 1,2 ± 0,33 MN. Já em pacientes esplenectomizados (n = 3), no início do estudo o volume hepático era de 2,4 ± 1,45 MN, passando para 0,8 ± 0,09 MN no quinto ano. O volume do baço também diminuiu constantemente desde o início (34,6 ± 15,26 MN, n = 63) até o quinto ano, com a média atingindo 11,9 ± 5,86 MN (n = 33) (Figura 1).2
Figura 1. Parâmetros viscerais de pacientes com doença de Gaucher tipo 3 no Gaucher Registry, que iniciaram a TRE antes dos 18 anos de idade. Na TRE, os pacientes receberam alglucerase ou imiglucerase inicialmente e continuaram o tratamento com imiglucerase no longo prazo. MN - Múltiplos do normal. (Adaptado de El-Beshlawy A et al. Mol Genet Metab. 2017;120(1-2):47-56.)2

A TRE também melhorou os parâmetros hematológicos nos primeiros 5 anos de tratamento. Nos pacientes não-esplenectomizados, os níveis basais de hemoglobina apresentavam uma média de 9,6 ± 1,92 g/dL e, após 5 anos, aumentaram para 12,0 ± 1,46 g/dL. No início do estudo, 62,6% dos pacientes não-esplenectomizados apresentaram anemia, e essa porcentagem diminuiu para 11,5% no quinto ano. Em pacientes esplenectomizados, essa taxa era de 46,7% no início do estudo, diminuiu para 19,2% no 1⁰ ano e foi mantida abaixo de 20% até o quinto ano.2

As contagens médias de plaquetas entre os pacientes não-esplenectomizados aumentaram de 127,4 ± 99,24 × 109/L no início do estudo para 218,0 ± 79,60 × 109/L após 5 anos e a proporção desses pacientes com trombocitopenia moderada ou grave diminuiu de 62,7% para 9,5% no quinto ano. Entre os pacientes esplenectomizados, a contagem média de plaquetas aumentou de 286,9 ± 162,59 × 109/L para 382,9 ± 125,36 × 109/L após 5 anos e, entre os 16,7% dos pacientes esplenectomizados que apresentaram trombocitopenia moderada ou grave no início do estudo, todos apresentaram trombocitopenia leve ou ausente do primeiro ao quinto ano de tratamento (Figura 2).2
Figura 2. Parâmetros hematológicos de pacientes com doença de Gaucher tipo 3 no Gaucher Registry que iniciaram a TRE antes dos 18 anos de idade. Na TRE, os pacientes receberam alglucerase ou imiglucerase inicialmente e continuaram o tratamento com imiglucerase no longo prazo. a- <12 g/dL para homens com mais de 12 anos; <11 g/dL para mulheres com mais de 12 anos; <10,5 g/dL para crianças com idade >2 a 12 anos; <9,5 g/dL para crianças de 6 meses a 2 anos; <10,1 g/dL para crianças menores de 6 meses de idade. (Adaptado de El-Beshlawy A et al. Mol Genet Metab. 2017;120(1-2):47-56.)2

Um estudo prospectivo avaliou pacientes com doença de Gaucher tipo 3 (n = 21) com idades entre 8 meses e 35 anos que receberam imiglucerase a uma dose ajustada individualmente para controlar as manifestações sistêmicas, variando entre 120 U/kg e 480 U/kg de peso corporal a cada 4 semanas ou doses quinzenais de 60 U/kg (n = 18). Os pacientes foram acompanhados por 2 a 8 anos (mediana de 3,5 anos). A imiglucerase reverteu quase todas as manifestações sistêmicas da doença de Gaucher tipo 3. Abaixo há um resumo dos principais achados desse estudo.3
Lista de abreviações
MN: múltiplos do normal
TRE: terapia de reposição enzimática
 

Mini-Bula CEREZYME®

CEREZYME® (imiglucerase) - 400 U pó liofilizado para solução injetável – USO ADULTO E PEDIÁTRICO. Indicações: CEREZYME® é indicado para terapia de reposição enzimática de longo prazo em pacientes pediátricos ou adultos com diagnóstico confirmado de doença de Gaucher, que produz uma ou mais das seguintes condições: anemia, trombocitopenia, distúrbios ósseos, hepatomegalia e / ou esplenomegalia. Contraindicações: CEREZYME® é contraindicado para pacientes que já demonstraram hipersensibilidade grave (reação anafilática) à imiglucerase ou a qualquer um dos componentes do medicamento. Advertências e precauções: Aproximadamente 15% dos pacientes tratados com CEREZYME® testados até o momento desenvolveram anticorpos IgG durante o primeiro ano de tratamento. O aparecimento de anticorpos IgG ocorreu, na maioria dos casos, dentro dos seis primeiros meses e, muito raramente, após 12 meses. Pacientes com a presença de anticorpos contra o CEREZYME® correm risco maior de apresentar reação de hipersensibilidade. Reações anafilactoides foram relatadas em menos de 1% dos pacientes e, nesses casos, a continuação do tratamento deve ser conduzida com cautela. A maioria desses pacientes continuou com sucesso o tratamento após a redução da velocidade de infusão e do pré-tratamento com anti-histamínicos e / ou corticoides. A terapia com CEREZYME® deve ser conduzida por médicos experientes no tratamento de pacientes com doença de Gaucher. Categoria de risco na gravidez: C. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. Pacientes idosos: Não se sabe se CEREZYME® age exatamente da mesma forma em idosos e adultos jovens. O médico deverá observar cuidadosamente os efeitos do medicamento nesses pacientes. Pacientes pediátricos: A eficácia e a segurança de CEREZYME® foram estabelecidas em pacientes com idade entre 2 e 16 anos. O uso do produto nessa faixa etária é respaldado pela evidência de estudos clínicos adequados e bem controlados de CEREZYME® e Ceredase™ (alglucerase) em pacientes pediátricos e adultos e em dados adicionais da literatura e da experiência pós-comercialização de longo prazo. CEREZYME® foi administrado em pacientes com menos de dois anos de idade, mas a eficácia e a segurança em pacientes nessa faixa etária não foram estabelecidas. Interações medicamentosas: CEREZYME® pode ser administrado mesmo após o paciente ter se alimentado. Não é aconselhável ingestão de bebidas alcoólicas no dia da infusão. Não foram realizados estudos formais de interação medicamentosa e interação com plantas medicinais. Não foram realizados estudos formais de interação medicamento-substância química (álcool e nicotina). Não foram realizados estudos formais de interação medicamento exame laboratorial e não laboratorial. Não foram realizados estudos formais de interação medicamentos-doenças. Posologia e modo de usar: No dia de uso, após determinada a quantidade correta de CEREZYME® a ser administrada ao paciente, cada frasco-ampola de CEREZYME® deve ser reconstituído adequadamente com água para injeção, USP. Após reconstituição, a concentração do produto é de 40 U/mL. CEREZYME® reconstituído deve ser inspecionado visualmente antes do uso. Sendo uma solução proteica, uma leve floculação (descrita como fibras finas translúcidas) ocorre ocasionalmente após diluição. A solução diluída pode ser filtrada por meio de filtro de linha de 0,2 μm durante a administração. Qualquer frasco-ampola que apresente partículas opacas ou alteração da coloração não deve ser utilizado. Como CEREZYME® não contém substâncias conservantes, após reconstituição, os frascos-ampola devem ser prontamente diluídos com cloreto de sódio 0,9% para injeção, USP, e não devem ser guardados para uso posterior. Caso não seja possível, depois de aberto e reconstituído com água para injeção, USP, CEREZYME® permanece estável por até 12 horas em refrigerador, sob temperatura entre 2 °C e 8 °C. Diluição do produto CEREZYME reconstituído Diluição do produto CEREZYME® constituído: Retirar um volume de 10,0 mL do frasco-ampola de 400 U e, imediatamente, diluir com solução de cloreto de sódio 0,9% para injeção, USP, a um volume final de 100 mL a 200 mL, conforme a dose calculada a ser administrada ao paciente. CEREZYME é administrado por infusão intravenosa durante 1 a 2 horas. Técnicas de assepsia devem ser seguidas no procedimento de diluição. Posologia: CEREZYME® é administrado por infusão intravenosa durante uma a duas horas. A posologia deve ser individualizada para cada paciente e pode variar de 2,5 U/kg de peso corporal três vezes por semana até 60 U/kg a cada duas semanas. O esquema de 60 U/kg a cada duas semanas corresponde à posologia utilizada na maioria dos dados disponíveis. A gravidade da doença pode indicar que o tratamento deve ser iniciado com dose mais alta ou frequência maior de administração. Ajuste de dose deve ser feito em bases individuais, podendo aumentar ou diminuir, dependendo do sucesso terapêutico obtido, determinado pela avaliação rotineira completa das manifestações clínicas do paciente. A toxicidade relativamente baixa de CEREZYME® combinada com a evolução da resposta por longos períodos de tempo permitem que pequenos ajustes de posologia sejam feitos para evitar perdas com descarte de frascos parcialmente utilizados. Assim, a dosagem administrada nas infusões pode ser ligeiramente aumentada ou diminuída, visando utilizar cada frasco-ampola na totalidade, desde que a dose mensal não seja alterada. Doses de até 240 U/kg a cada duas semanas foram utilizadas em pacientes. Reações adversas: Experiência adquirida em pacientes tratados com CEREZYME® revelou que aproximadamente 13,8% dos pacientes apresentaram eventos adversos considerados relacionados à administração da droga e que ocorreram com aumento de frequência. Reações comuns: dispneia*, tosse*, reações de hipersensibilidade, urticaria/angioedema*, prurido* e exantema*. Reações incomuns: tontura, cefaléia, taquicardia*, cianose*, rubor*, hipotensão*, vomito, náusea, dor abdominal, diarreia, dor nas costas*, desconforto, ardor, edema ou abscessos estéreis no local da infusão, desconforto torácico*, febre, calafrio e fadiga. Reações raras: reações anafilactóides. Superdose: Doses de até 240 U/kg a cada duas semanas foram utilizadas em pacientes e, nesses casos, não foram relatados sinais de toxicidade. Não existem relatos espontâneos ou clínicos de superdose. Em caso de superdose acidental ou intencional, deve-se monitorar o paciente e adotar medidas de suporte adequadas às possíveis reações adversas. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. MS: 1.8326.0345. Revisado em 10/06/2019.