1) Quais seriam, em sua opinião, as áreas de atuação do farmacêutico que merecem especial atenção (para melhor capacitação e treinamento) na promoção da saúde da população?

Dentre as inúmeras áreas de atuação do farmacêutico, eu acredito que as áreas da farmácia clínica, fitoterapia e vigilância sanitária merecem essa atenção especial. 

A farmácia clínica é a área de atuação mais presente na vida profissional do farmacêutico. É onde o paciente é o foco central de suas ações. Dentro dessa área, o farmacêutico pode atuar em diversos estabelecimentos, sendo eles hospitais, ambulatórios, unidades de saúde, além de instituições geriátricas ou de atendimento domiciliar. Então, o farmacêutico que pretende atuar nessa área deve passar por especializações, capacitações e/ou treinamentos que possuam vivência interativa para trazer conhecimentos e segurança para o profissional em formação. 
 
Já a área da fitoterapia exige que o farmacêutico tenha conhecimentos avançados em fitoterápicos, plantas medicinais e seus derivados. O farmacêutico especialista em fitoterapia pode atuar:
         ● em indústrias farmacêuticas, 
         ● no Sistema Único de Saúde (SUS), 
         ● em consultorias especializadas, 
         ● na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 
         ● em universidades e centros de pesquisa, 
         ● em farmácias públicas e privadas, 
         ● em farmácias magistrais,
         ● em importadoras e distribuidoras de fitoterápicos. 

A fitoterapia e o uso de plantas medicinais fazem parte da prática da medicina popular. Ao contrário do que muitos pensam, os fitoterápicos e as plantas medicinais, quando não usadas da forma correta, podem apresentar efeitos adversos e toxicidade iguais aos dos medicamentos sintéticos. Por conta disso, é imprescindível que o farmacêutico que atua nesta área esteja devidamente qualificado e capacitado para garantir a segurança, a qualidade e o uso racional dos fitoterápicos e das plantas medicinais para que possam ser aliados no processo de promoção da saúde. 
 
Por fim, na área de vigilância sanitária, o farmacêutico executa as atividades de controle sanitário e fiscalização de uma vasta diversidade de serviços e produtos (incluindo os medicamentos e insumos farmacêuticos) que possam oferecer riscos à saúde da população, sendo um importante instrumento de proteção e promoção da saúde. O farmacêutico sanitarista pode atuar no SUS, em consultorias especializadas, na Anvisa e na Vigilância Sanitária de estados e municípios (Visa). Por ser uma área de atuação que possui um extenso rol de atividades que envolvem tarefas administrativas, conhecimentos aprofundados de gestão em saúde e legislação sanitária, são necessários mais investimentos em conhecimento científico, preparação técnica e atualização constante das normas vigentes.
2) Com o aumento da população idosa no Brasil, observa-se também um aumento de doenças crônicas e de multimorbidade. Existem cuidados especiais no atendimento farmacêutico a essa população?

A presença de doenças crônicas e de multimorbidades tem como consequência o uso de polifarmácia, que favorece a ocorrência de problemas relacionados ao uso de medicamentos (PRM), como os erros de administração, discrepâncias e duplicidades na terapia, baixa efetividade dos tratamentos, ocorrência de eventos adversos e dificuldades para a adesão aos tratamentos. Assim, o farmacêutico tem um importante papel no cuidado da saúde do idoso.

Dentre os serviços clínicos que podem ser ofertados pelo farmacêutico aos pacientes idosos, destaca-se o acompanhamento farmacoterapêutico. Esse serviço tem como objetivo melhorar os efeitos terapêuticos e reduzir a probabilidade de aparecimento de efeitos adversos e toxicidades. Dentro do acompanhamento farmacêutico, é possível realizar outros serviços de extrema importância para a efetividade do tratamento, que são:
         ● seguimento farmacoterapêutico,
         ● conciliação medicamentosa,
         ● revisão da farmacoterapia,
         ● avaliação da adesão ao tratamento,
         ● acompanhamento e monitoramento de reações adversas e interações medicamentosas,
         ● gestão da condição de saúde,
         ● educação em saúde. 

Além disso, o farmacêutico pode desenvolver ações educativas, para essa população, relacionadas aos medicamentos como o acesso, uso, armazenamento e descarte.
3) Sabemos que a aderência aos medicamentos é um dos desafios para o tratamento de doenças crônicas. Como o farmacêutico pode contribuir para que seus pacientes/clientes mantenham a continuidade do tratamento?

A maior prevalência de doenças crônicas entre indivíduos idosos resulta na utilização simultânea de múltiplos medicamentos, denominada de polifarmácia, e tem impacto direto na baixa adesão ao tratamento. A adesão terapêutica é o principal determinante para a efetividade do tratamento da doença. Então, quando o farmacêutico analisa e conclui, por meio do acompanhamento farmacoterapêutico, que o paciente não aderiu ao tratamento, ele pode adotar algumas estratégias específicas para reverter essa situação e atingir o objetivo do tratamento, que é o controle da doença.

Primeiramente, durante a consulta farmacêutica, o profissional tem que estabelecer uma relação de confiança com o paciente e identificar os fatores que contribuíram para a não adesão do tratamento. É necessário orientá-lo quanto à importância, indicação e dose de cada medicamento prescrito, duração do tratamento, forma de administração, uso de dispositivos, efeitos adversos que podem ocorrer e melhores horários de tomada dos medicamentos para reduzir as chances de descumprimento da farmacoterapia. Além disso, é importante fornecer informações mais específicas como o porquê da utilização do medicamento, os benefícios de seu uso e os riscos da não utilização.

Algumas estratégias que o farmacêutico pode pôr em prática, para aumentar a adesão do paciente ao tratamento, são: 
         ● Fornecer materiais educativos explicando a doença e o tratamento do paciente;
         ● Indicar o uso de algum aplicativo de lembrete ou alarme comum do celular para cadastrar os horários que os
            medicamentos devem ser administrados e assim receber notificações na hora certa de tomar o medicamento;
         ● Desenvolver um calendário posológico, bem simplificado e ilustrativo, contendo todos os medicamentos de uso do
            paciente e suas respectivas posologias, separados por horários e turnos, indicando se devem ser tomados antes ou
            depois das refeições;
         ● Utilizar adesivos posológicos nas caixinhas dos medicamentos e/ou nas prescrições para facilitar a leitura destas e
            para que não haja confusão sobre qual medicamento tomar em determinado horário.

Vale ressaltar a importância de educar não só o paciente, mas também seus familiares e/ou seus cuidadores para que o tratamento proposto seja seguido corretamente.