Introdução

A polifarmácia, que é caracterizada pelo uso concomitante de pelo menos cinco medicamentos, está associada com maior risco de reações adversas, interações medicamentosas, hospitalizações e visitas a prontos-socorros, e os pacientes com esclerose múltipla podem ser submetidos à prescrição de múltiplas drogas.1,2 Para minimizar os efeitos adversos, o uso de alentuzumabe requer a coadministração a curto prazo de corticosteroides, anti-histamínicos, antipiréticos e antivirais.3

Para investigar os medicamentos prescritos, os autores analisaram os dados administrativos de saúde da Colúmbia Britânica Canadense.4 Além das prescrições, os autores também observaram a idade, o sexo e o nível socioeconômico dos pacientes. Medicamentos isentos de prescrição e aqueles administrados em centros hospitalares não foram computados.

Foram elegíveis para o presente estudo as primeiras receitas de alentuzumabe (LEMTRADA®), prescritas entre 1º de dezembro de 2013 a 18 de junho de 2017. Os médicos-residentes indicaram a data da primeira prescrição de alentuzumabe e as datas das demais medicações prescritas pelo menos 48 semanas antes e até 28 semanas depois do tratamento com alentuzumabe, (Figura 1) e todas as prescrições foram mapeadas por um sistema de classificação e agrupamento de fármacos.
 
Primeiro os autores avaliaram todos os medicamentos prescritos antes da primeira infusão de alentuzumabe (48 semanas até 1 semana antes), em seguida avaliaram as novas classes de medicamentos prescritos durante o período de infusão de alentuzumabe (1 semana antes até 4 semanas depois) e, por fim, as novas prescrições das novas classes de medicamentos após a infusão de alentuzumabe (até 28 semanas depois). 

Resultados
No total, foram incluídos 160 pacientes, com idade média de 37 anos, sendo mais de 70% mulheres. Com relação às prescrições prévias de terapias modificadoras da doença (TMDs), foram prescritos fingolimode para 18% dos pacientes, betainterferona e acetato de glatirâmer para 13% dos pacientes, fumarato de dimetila para quase 12% dos pacientes e para cerca de 11% dos pacientes foram prescritos natalizumabe e teriflunomida. (Tabela 1)
 
Antes do uso de alentuzumabe, 95% dos pacientes receberam ao menos uma prescrição de outros medicamentos. Durante o tratamento com alentuzumabe, cerca de 90% dos pacientes receberam ao menos uma prescrição de uma nova classe de medicamento. (Tabela 2)
 
Durante as três janelas terapêuticas, foram observadas as seguintes classes de tratamento mais comumente prescritas:
  • Todas as classes de medicamentos prescritos antes do tratamento com alentuzumabe: antidepressivos (38%), ansiolíticos (36%), corticosteroides sistêmicos (33%), antiepiléticos (28%) e hipnóticos/sedativos (23%).
  • Novos medicamentos prescritos durante o tratamento com alentuzumabe: antivirais (79%), corticosteroides sistêmicos (33%), hipnóticos/sedativos (25%) drogas para tratamento de úlcera péptica e refluxo gastresofágico (11%) e ansiolíticos (11%).
  • Novas receitas dos novos medicamentos prescritos após o tratamento com alentuzumabe: antivirais (7%) e hipnóticos/sedativos (6%).
Conclusões

Durante o tratamento com alentuzumabe, não foi observada associação entre as características dos pacientes (como sexo, idade, nível socioeconômico ou uso prévio de TMDs) e as novas prescrições, mas a carga global de tratamento foi alta. Durante cada janela terapêutica, os pacientes recebiam em média entre 3 e 4 diferentes classes de medicamentos.
Os pacientes tratados com alentuzumabe são expostos a uma carga medicamentosa substancial antes e após o seu uso. Vários medicamentos iniciados durante o tratamento com alentuzumabe excediam a recomendação para minimizar ou prevenir reações adversas a medicamentos.