Caso 1. Paciente de 45 anos com queixa de aumento de sangramento menstrual há 8 meses. A ultrassonografia mostra múltiplos miomas e volume uterino de 650 cm3. A paciente recebe pílula anticoncepcional há 4 meses, na tentativa de diminuir a hemorragia. Indicou-se histerectomia abdominal. O exame físico não mostrou achados relevantes. De acordo com a 9ª ACCP, essa paciente deve receber profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV) de que forma? 
Trata-se de paciente com miomatose uterina e hipermenorragia motivada por miomatose uterina refratária a tratamento clínico. O TEV é causa comum de morte entre pacientes hospitalizados. Aproximadamente um terço das 150.000 a 200.000 mortes anuais por TEV nos Estados Unidos ocorre após uma cirurgia. A alta incidência de TEV pós-cirurgia e a existência de métodos efetivos de prevenção impõem a necessidade de considerar a profilaxia no caso de todos os pacientes cirúrgicos.1
  • Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de risco muito baixo (escore de Caprini 0, risco de TEV <0,5%), recomenda-se deambulação precoce (grau 1B).1
  • Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de baixo risco (escore de Caprini 1-2, risco de TEV ≈1,5%), recomenda-se profilaxia mecânica (grau 2C).1 
  • Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de risco moderado (escore de Caprini 3-4, risco de TEV ≈3,0%), recomenda-se profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular (HBPM) (grau 2B), heparina não fracionada (HNF) (grau 2B) ou profilaxia mecânica (grau 2C).1
  • Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de alto risco (escore de Caprini ≥5, risco de TEV ≈6,0%), recomenda-se profilaxia farmacológica com HBPM (grau 1B) e com HNF (grau 1B) associada a profilaxia mecânica (grau 2C).1
  • Na cirurgia geral e abdominopélvica em pacientes de alto risco (escore de Caprini ≥5, risco de TEV ≈6,0%) operados por câncer, recomenda-se a extensão da profilaxia farmacológica com HBPM por quatro semanas (grau 1B).1,2 (Tabelas 1 e 2
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Na maioria dos estudos que demonstraram eficácia na redução de TEV, a dose inicial de HBPM foi administrada 2 horas antes da cirurgia, embora tenha se mostrado efetiva e associada a menor sangramento quando administrada com antecedência de 12 horas.1

Para as pacientes submetidas a cirurgia ginecológica, recomenda-se a continuidade da profilaxia até a alta hospitalar (grau 1A).3

A profilaxia com enoxaparina é geralmente prescrita por um período médio de 7 a 10 dias. Um tratamento mais prolongado pode ser apropriado em alguns pacientes e deve ser continuado enquanto houver risco de TEV.4

O risco de TEV dessa paciente ao se submeter a histerectomia total abdominal é moderado pelos seguintes fatores:
  • 45 anos de idade;
  • uso de estrógeno;
  • cirurgia com duração ≥45 minutos;
  • escore de Caprini = 4;
  • risco de TEV ≈3,0%.1,2  
Caso 2. Paciente de 72 anos, com prolapso uterino total, recebeu indicação de histerectomia vaginal. De acordo com a 9a ACCP, qual profilaxia de TEV deve ser utilizada? 
O risco de TEV dessa paciente ao se submeter a histerectomia vaginal é moderado pelos seguintes fatores:
  • 72 anos de idade;
  • cirurgia por período ≥45 minutos;
  • escore de Caprini = 4;
  • risco de TEV ≈3,0%.1,2
A paciente deve, portanto, receber HBPM em dose profilática, conforme apresentado na tabela 3, por um período médio de 7 a 10 dias.4 A primeira dose deve ser administrada 12 horas antes do início da cirurgia.5-7