1)Cada medicamento tem sua posologia e seu horário correto para ser administrado. Como o farmacêutico pode atuar para que essa posologia seja seguida corretamente e para que o rigor de horário seja obedecido? Como você consegue orientar um idoso, por exemplo, que chega a tomar mais de 10 comprimidos em um único dia?

Primeiramente, para que um paciente tome corretamente seus medicamentos e aceite seu tratamento, ele precisa aceitar sua doença e suas condições. Por isso, a relação paciente-farmacêutico é fundamental para desencadear o comportamento de adesão do paciente.

As características individuais de cada paciente, como idade, sexo, condição social, capacidade cognitiva para entender e relembrar o que foi dito, seu estado emocional ante a condição clínica que exige o uso de determinada terapia, além da presença ou não de suporte familiar ou social, são fatores relacionados ao grau de adesão. Esses aspectos devem ser analisados minuciosamente pelo farmacêutico no sentido de auxiliar o paciente no seguimento à terapia proposta.

O ideal é que o farmacêutico obtenha esses dados detalhados do paciente na primeira entrevista, através de questionários. Outro ponto importante é a comunicação entre o paciente e o farmacêutico, que deve ser aperfeiçoada de modo a aumentar o conhecimento do paciente sobre sua condição, permitindo que ele atue de forma ativa e responsável em seu tratamento. A capacidade do paciente de participar de seu tratamento e da tomada de decisões depende, em grande parte, desse conhecimento. Pacientes informados, motivados e qualificados lidam de maneira mais eficaz com as exigências do tratamento.

No caso de um idoso que faz uso de polifarmácia e tenha dificuldade de leitura, existe a necessidade de se adaptar a uma rotina e o farmacêutico pode ajudar com tabelas de medicamentos com horários escritos ou desenhados (com sol, refeições, lua e a tampa da caixa do medicamento), facilitando, assim, o entendimento.

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2)Além dos horários, os pacientes também devem prestar atenção às interações medicamentosas e alimentares. O risco dessas interações é particularmente alto para populações que utilizam diversos medicamentos, como os pacientes com câncer. Quais cuidados esses pacientes devem ter em relação à alimentação e consumo de outros medicamentos para evitar efeitos adversos devido às interações? 

Os pacientes devem informar ao farmacêutico durante a primeira entrevista todos os medicamentos, plantas, vitaminas e suplementos que utilizam e, sempre que forem utilizar um novo medicamento, devem informar ao farmacêutico clínico oncológico para que este possa verificar se não haverá nenhuma interação com os medicamentos já utilizados.

Algumas plantas, como erva-de-são-joão, graviola, cimicífuga e angélica chinesa, devem ser evitadas, pois interagem com a maioria dos medicamentos utilizados na quimioterapia, além das bebidas alcoólicas, que podem causar irritação gastrointestinal.

A alimentação deve ser considerada quando os pacientes utilizam quimioterápicos orais e, nesse contexto, o farmacêutico pode orientar os pacientes se os medicamentos podem ou não ser tomados com alimentos.

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3)Com a pandemia de COVID-19, muitos pacientes adiaram ou deixaram de ir ao médico, realizar seus exames e fazer o acompanhamento de sua saúde. Isso pode trazer consequências ruins, especialmente para pacientes com câncer e doenças crônicas. Como o farmacêutico pode contribuir para que esses pacientes continuem fazendo o acompanhamento de sua saúde?

Com a publicação das Resoluções 585 e 586/2013 do Conselho Federal de Farmácia, que regulamentam a Prescrição Farmacêutica e as Atribuições Clínicas do Farmacêutico, este pode solicitar exames de laboratório com a finalidade de acompanhamento farmacoterapêutico, mas isso poderá ser feito apenas para verificar se o tratamento farmacológico está sendo efetivo e avaliar possíveis reações adversas aos medicamentos, como nefrotoxicidade e hepatotoxicidade. Para o acompanhamento da doença, é de extrema importância que o farmacêutico oriente os pacientes a continuar com suas consultas médicas e exames de rotina. 

O farmacêutico também pode ajudar os pacientes monitorando sua pressão arterial, enquanto a farmácia vinculada ao laboratório clínico poderá realizar exames de glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, beta-hCG e, atualmente, de COVID-19, além dos exames sazonais, ou seja, aqueles que são mais vendidos em determinadas épocas do ano, como o exame de dengue. 

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