No Brasil, a taxa de nascimentos prematuros (<37 semanas de gestação) corresponde a cerca de 12% dos 3 milhões de nascidos vivos anualmente. Isso significa que aproximadamente 360 mil crianças nascem prematuras todos os anos.1
Devido à baixa idade gestacional, grande parte desses prematuros nascem com baixo peso (inferior à 2.500 g) (Figura 1).2,3
Figura 1: Distribuição de prematuros (<37 semanas) com baixo peso ao nascer (<2.500 g) no Brasil em 2019. A Organização Mundial da Saúde classifica o peso de crianças ao nascer como: Extremamente baixo – valores menores que 1.000 g; Muito Baixo – valores entre 1.000 e 1.499 g; e Baixo – valores entre 1.500 e 2.499 g.  (Adaptado de: Ministério da Saúde, Banco de dados DATASUS. 2019 e World Health Organization, 2016).2,3

Quanto menor a idade gestacional do recém-nascido, mais imaturo será seu sistema imunológico e maior será seu risco de infecções – bebês que nascem com menos de 28 semanas têm risco de 5 a 10 vezes maior de infecção quando comparados a bebês a termo.13 

A produção de imunoglobulinas fetais inicia-se a partir da 10ª semana de gestação e eleva-se até a 26ª semana, quando passa a decair até o nascimento. Em função disso, ao nascer, a criança apresenta baixos níveis de imunoglobulinas (IgM, IgA e IgE), sendo a maioria da IgG de origem materna.14,15 

A fim de garantir a proteção já nos primeiros meses de vida, crianças fazem uso de inúmeras vacinas nesse período. Com o objetivo de reduzir o número de injeções num mesmo momento, foram desenvolvidas as vacinas combinadas que protegem de várias doenças em uma única apresentação, com redução de dor.4 

Além disso, crianças nascidas com menos de 1.000 g podem apresentar mais episódios de apneia quando vacinadas com o uso simultâneo de múltiplas doses injetáveis, em especial com vacinas de células inteiras. Tais episódios tendem a acontecer com menor frequência com a administração de vacinas combinadas acelulares, que oferecem menos injeções por visita e um perfil de segurança mais favorável.4

Vacinas combinadas oferecem em uma única aplicação um número maior de antígenos capazes de estimular a resposta imunológica contra mais de um agente infeccioso, vírus ou bactéria. Seu uso traz benefícios como:4,12
  •  facilidade de administração, 
  •  redução da dor e do medo nas crianças,
  •  diminuição do número de idas aos serviços de saúde. 
Esses fatores combinados podem contribuir para uma elevada cobertura vacinal na população. Devido a essas características, alguns países optaram por utilizar vacinas combinadas, e muitos têm aprovado sua introdução.12

Outro aspecto importante do uso de vacinas combinadas é a redução dos custos dos imunobiológicos, bem como da logística operacional (transporte, seringas e agulhas). É importante ressaltar que a coadministração de múltiplos antígenos em uma única injeção é amplamente aceita e maximiza a eficiência e o custo-efetividade dos programas de vacinação.5

Nesse sentido, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) vem buscando adotar essa estratégia e, em 2021, distribuirá para todos os CRIEs a vacina Penta acelular (contra difteria, tétano, coqueluche, poliomielite e Haemophilus influenzae tipo b) e a vacina Hexa acelular (contra difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Haemophilus influenzae tipo B e a hepatite B), contribuindo, dessa forma, para o fortalecimento dos princípios de universalidade e equidade do SUS.5

Além das orientações específicas para prematuros, o calendário de vacinação da SBIm para crianças ainda prevê a necessidade de vacinação até os 19 anos de idade.

Calendário de vacinação para prematuros 

Os bebês prematuros possuem risco aumentado para infecções em geral, incluindo as doenças evitáveis por vacinas, e o baixo peso ao nascimento eleva ainda mais os riscos para a saúde.6 Portanto, a imunização dos prematuros ou bebês de baixo peso ao nascer é recomendada pelo Ministério da Saúde, com ressalva para a BCG (vacina contra a tuberculose).7  

Crianças nascidas com menos de 1.000 g ou menos de 31 semanas de gestação (prematuro extremo), portadores de imunodeficiência congênita ou adquirida, entre outras condições especiais, possuem acesso a um calendário vacinal diferenciado e, em 2021, passam a ter acesso a novas vacinas combinadas acelulares – Penta acelular [contra difteria, tétano, coqueluche (acelular), poliomielite (inativada) e Haemophilus influenzae B] e a vacina Hexa acelular [contra difteria, tétano, coqueluche (acelular), poliomielite (inativada), Haemophilus influenzae B e hepatite B (recombinante)] em substituição à vacina DTPa para ser utilizada no CRIE.4,5

O que é o CRIE?

O CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) é destinado ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais, incluindo recém-nascidos prematuros extremos (menos de 1.000 g ou 31 semanas), que têm direito à vacinação gratuita nesses serviços, contemplando algumas vacinas que ainda não estão disponíveis no SUS. O atendimento no CRIE procura apoiar populações especiais, evitando que haja atraso em sua imunização.4
Apesar das recomendações de vacinação de prematuros, em alguns casos, a imunização acaba sendo atrasada por diversos motivos, incluindo:9
Para evitar esses problemas, o CRIE atende de forma personalizada o público que necessita de tratamentos e vacinas especiais de alta tecnologia e alto custo,4 oferecendo serviços como:
Atualmente existem mais de 50 unidades de CRIE pelo Brasil e cada estado possui pelo menos um desses serviços.10

Para fazer uso desses imunobiológicos, é necessário apresentar a prescrição com indicação médica e um relatório clínico sobre o caso. O médico responsável pelo indivíduo que precisa de vacinas especiais fornecidas por esses centros (como o bebê prematuro, o indivíduo infectado pelo vírus HIV, o portador de imunodeficiência congênita ou o que recebe quimioterapia) deve elaborar, no próprio receituário médico, um relatório com o diagnóstico e um breve histórico da doença do paciente.4,11 

Clique aqui para mais informações sobre o CRIE, incluindo a localização em cada estado.4