O tromboembolismo venoso (TEV) é uma causa prevenível de morbimortalidade pós-operatória, e a tromboprofilaxia é subutilizada em muitos casos.1 Apesar de as cirurgias vasculares menores serem comumente classificadas como de baixo risco de TEV, sendo as cirurgias de varizes as mais comuns, esse risco pode variar significativamente devido à presença de fatores individuais dos pacientes, como história familiar de TEV e comorbidades.2 Portanto, um procedimento vascular menor, operado em nível ambulatorial (day clinic), com deambulação precoce e métodos minimamente invasivos, mas em um paciente de alto risco, poderá ser classificado como de alto risco de TEV nos escores específicos.

Na literatura, a incidência de TEV após as cirurgias de varizes é relatada como menor que 1% em pacientes assintomáticos e pode ser maior que 5% nos pacientes sintomáticos submetidos a exames pós-operatórios.3 Todos os pacientes devem ser avaliados quanto ao risco de TEV e de sangramento. Atualmente, já existem vários escores, como o Escore de Caprini4 (o mais usado), as Diretrizes Brasileiras de Profilaxia de TEV5 (frequente no Brasil), o de Rogers et al.6, o de Panucci et al.7 e, mais especificamente em cirurgia de varizes, o Escore de Worcester8 (indicado para termoablação de veias safenas) e o CAPICIVIS9 (em estudo sobre diversos tipos de procedimento venoso). Não existe, no momento, um escore de risco validado para cirurgias vasculares menores.3 

Ribeiro, Marques e Erzinger conduziram uma enquete sobre tromboprofilaxia após cirurgia de varizes entre os cirurgiões vasculares da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e do Fórum Vascular (grupo de WhatsApp).10 Com base nas 765 respostas recebidas, evidenciou-se que 48,3% dos cirurgiões estratificam sempre os pacientes de forma pré-operatória, 28% raramente ou nunca; 57,6% utilizam o escore de Caprini; 30% prescrevem sempre quimioprofilaxia de TEV, 40% raramente ou nunca; 44,2% prescrevem somente por um dia e 57,5% por um a três dias.10 (Figuras 1, 2 e 3)
A profilaxia de TEV abrange a deambulação precoce, a compressão elástica (com suas muitas variáveis, inclusive a duração do uso), a utilização de dispositivos de compressão pneumática intermitente e o uso liberal de farmacoprofilaxia (de duração média de 1 a 30 dias, e a heparina de baixo peso molecular é a mais comumente utilizada).1 Há grande divergência entre os cirurgiões vasculares quanto à duração da farmacoprofilaxia, com carência de estudos e consensos específicos.1 

As recomendações de profilaxia entre as sociedades variam muito.3 A European Society of Anaesthesiology (ESA) recomenda, para cirurgias ambulatoriais (day surgery), sete dias de farmacoprofilaxia no mínimo versus dose única ou de três dias (grau 1B).11 Recomenda estender a duração da tromboprofilaxia por até quatro semanas em casos específicos de procedimento de alto risco ou de paciente de alto risco.11 

Segundo Nyamekye, a prática atual de fazer profilaxia em dose única é ineficaz, indefensável do ponto de vista médico e deve ser abandonada.12 O surgimento dos anticoagulantes orais diretos (DOACs) representa uma variável adicional nas estratégias de prevenção de TEV, mas no momento, não há dados específicos sobre seu uso na profilaxia de TVP no pós-operatório de cirurgias venosas. 
A incerteza da incidência de TEV, a falta de consenso e a presença de diversas estratégias impedem uma análise de custo-efetividade significativa.3 Com isso, permanece a necessidade de estabelecer diretrizes baseadas em evidências na prevenção de TEV em pacientes submetidos a intervenções vasculares menores, como as cirurgias de varizes.