Em nível histopatológico, amostras de músculos sarcopênicos exibem atrofia muscular, particularmente de fibras tipo II, além de necrose e redução das ligações cruzadas entre as fibras musculares, bem como redução das mitocôndrias.1,2 A presença de sarcopenia está intimamente ligada a uma série de alterações e tem relação de causa e efeito com diversas condições, como osteoartrite, osteoporose e síndrome da fragilidade, sendo ainda considerada um marcador de mau prognóstico no tratamento de diversas condições, como cirurgias abdominais e até mesmo câncer.2 

Há evidências crescentes de que o declínio da força muscular do membro inferior está associado à osteoartrite de joelho em um contexto de dor, prejuízo da estabilidade articular, posturas mal adaptadas e comunicação neuromuscular defeituosa.3 Mais ainda, o tratamento cirúrgico através de artroplastia total nos estágios avançados da doença gera perda muscular ainda maior no período pós-operatório.4 Essa perda agrava ainda mais o estado sarcopênico do indivíduo idoso com artrose e muitas vezes persiste, segundo estudos, por períodos de até três anos ou mesmo indefinidamente.

Ao contrário da medição relativamente simples e direta da densidade mineral óssea e de sua comparação com uma referência no diagnóstico de osteoporose, a perda de massa muscular da sarcopenia pode ser estimada por uma variedade de técnicas, e existem inúmeros métodos para ajustar o resultado ao tamanho e tipo do corpo, mas nenhum deles tem aceitação universal.5 Não existe consenso na literatura sobre a maneira ideal de definir ou classificar a sarcopenia.5 Em relação ao tratamento, a pesquisa atual está focada em atividades baseadas em exercícios, nutrição e outras intervenções inovadoras para melhorar a qualidade e a quantidade de tecido musculoesquelético em indivíduos sarcopênicos.6 A maioria dos trabalhos encontrados na literatura médica demonstra que o treinamento de resistência combinado com suplementos nutricionais pode melhorar a força, a qualidade muscular e a função muscular das pessoas, sejam elas sarcopênicas ou não.7-9 

Em recente estudo, Oertzen-Hagemann et al.9 analisaram o efeito de 12 semanas de treinamento de hipertrofia com exercícios resistidos de nível recreacional combinados com suplementação de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) no proteoma do tecido musculoesquelético de homens ativos.9 Esse estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado com placebo analisou 25 homens jovens (idade média de 24,2 anos).9 Analisou-se a composição corpórea e foram feitas biópsias do músculo vasto lateral dos participantes do estudo antes e após a intervenção de 12 semanas de treinamento (treino de hipertrofia para todo o corpo três vezes por semana).9 Durante o estudo, os indivíduos foram divididos em dois grupos para receber, além do treinamento, 15 g de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) ou placebo não calórico todos os dias até 1 hora após o treino.9 A análise do proteoma muscular foi feita por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa em Tandem (HPLC-MS/MS).9 Houve aumento significativo da massa corpórea e da massa magra no grupo que usou peptídeos de colágeno em relação ao grupo placebo.9 Ambos os grupos tiveram aumento da força, com aumento um pouco mais pronunciado no grupo que usou peptídeos bioativos de colágeno em relação ao grupo placebo.9 A espectrometria evidenciou aumento da abundância de 221 proteínas no grupo que recebeu peptídeos bioativos de colágeno versus apenas 44 proteínas no grupo placebo.9 

Em outro ensaio clínico randomizado,8 foram investigados os efeitos de exercícios resistidos combinados com suplementação de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) na composição corporal e na força muscular de mulheres sem menopausa.8 Esse estudo concluiu que a combinação de suplementação de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) com treinamento de exercícios resistidos gerou aumento significativamente maior da massa magra e da força de preensão manual que o treinamento associado à suplementação com placebo.8 Além disso, houve perda significativamente maior de massa gorda e aumento mais pronunciado da força das pernas no grupo de tratamento em comparação ao grupo de controle.8 

Finalmente, a suplementação de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) em combinação com treinamento de resistência também foi avaliada em homens sarcopênicos idosos em um ensaio clínico randomizado.7 Esse ensaio clínico, prospectivo, randomizado e controlado com placebo, incluiu um total de 53 homens com sarcopenia (média de idade de 73 anos).7 Todos os participantes se submeteram a um programa de treinamento de resistência de 12 semanas (três sessões por semana) e receberam suplemento de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance® [15 g/dia]) ou placebo.7 Foram medidas a massa magra, a massa gorda e a massa óssea antes e depois da intervenção com o aparelho DEXA (dual-energy X-ray absorptiometry).7 Foi também medida a força isocinética do quadríceps.7 No final do programa de treinamento, todos os indivíduos apresentaram aumento significativo (p<0,01) dos níveis de massa magra, de massa óssea e da força do quadríceps, bem como diminuição significativa da massa gorda (p<0,01).7 O efeito foi significativamente mais pronunciado nos indivíduos que receberam peptídeos de colágeno.

Conclusão 


A sarcopenia, ou perda de força, de massa e de função muscular, é uma condição clínica comum no envelhecimento e em situações como patologias osteoarticulares e no período pós-operatório de cirurgias de membros inferiores.2-4
Essa condição traz uma série de alterações deletérias e prejuízo da estabilidade articular, agravando qualquer patologia osteoarticular existente e prejudicando ainda a recuperação de cirurgias, como artroplastia total de joelho.4 A literatura atual ainda é escassa sobre a fisiopatologia da sarcopenia, assim como sobre seu tratamento, que atualmente é feito basicamente através de exercícios de resistência e de suplementação nutricional.5,6 Estudos demonstram o grande benefício do uso de peptídeos bioativos de colágeno (BodyBalance®) como suplementação nutricional em relação ao ganho de força, de massa e de qualidade muscular.7-9