Caso clínico I


O primeiro caso clínico apresentado pelo Dr. Victor foi de um paciente de 78 anos, branco, que apresentava como comorbidades diabetes mellitus tipo 2 e hiperplasia prostática benigna. Em 2017, foi submetido a uma cirurgia para ressecção de um carcinoma espinocelular (CEC) em região dorsal da mão direita. Em março de 2019, devido à dor em ombro direito, ficou sob acompanhamento com ortopedista, mas não houve melhora. Em setembro de 2019, 6 meses depois, realizou-se uma ressonância que evidenciou um linfonodo axilar comprometido e uma lesão em músculo peitoral maior. A biópsia confirmou o carcinoma espinocelular. O estadiamento foi realizado em outubro de 2019.  Em novembro de 2019, o paciente foi submetido a uma cirurgia extensa com linfadenectomia axilar e ressecção da tumoração da parede torácica. No entanto, além de margens comprometidas, 3 de 12 linfonodos ressecados estavam comprometidos. Na época, optou-se por radioterapia adjuvante, iniciada em fevereiro de 2020, pois o paciente apresentava dificuldade na abdução do braço direito. Após 17 sessões de radioterapia houve progressão da doença, com ulceração de lesão. Encaminhado para a oncologia clínica em março de 2020, o paciente clínico apresentava dor, mesmo com uso de codeína e dipirona de 6 em 6 horas. Nesse momento, iniciou-se Cemiplimabe, 350 mg, a cada 21 dias. Após 2 a 3 meses de tratamento, o paciente já apresentava resposta clínica, com bom controle de dor e uso de dipirona quando necessário. Após 13 doses de Cemiplimabe, o paciente revelou claramente a excelente resposta. 

Caso clínico II


O segundo caso clínico apresentado é de uma paciente branca de 72 anos, com múltiplas comorbidades. Apresentava hipotireoidismo, hipertensão, fibrose pulmonar idiopática (em acompanhamento), insuficiência venosa e xeroderma pigmentoso, em acompanhamento com dermatologista e cirurgião oncológico. Em agosto de 2019, na avaliação da oncologia clínica, a paciente apresentava histórico de múltiplas ressecções de lesões de pele, tanto carcinoma basocelular quanto espinocelular. A paciente apresentava várias lesões compatíveis com CEC. No estadiamento, a tomografia de tórax não mostrava doença neoplásica, mas havia fibrose pulmonar. A tomografia de abdome mostrou linfonodomegalia de 1,6 cm no seu menor eixo. Devido ao diagnóstico de CEC de pele metastático, iniciou-se Cemiplimabe. Em setembro de 2020, o linfonodo não foi mais visualizado na tomografia e já se observava resposta nas lesões de pele dessa paciente. Em fevereiro de 2021, o paciente apresentava resposta tanto para as lesões de CEC quanto para as lesões de CBC.

Cemiplimabe


Cemiplimabe está aprovado no Brasil para pacientes com CEC metastático ou localmente avançado, que não sejam candidatos à cirurgia ou radioterapia curativas, e para pacientes com CBC localmente avançado ou metastático previamente tratados com inibidor da via Hedgehog ou para os quais um inibidor da via Hedgehog não seja adequado.1
Um estudo de fase 2 dividiu os pacientes com CEC de pele metastático e localmente avançado em três grandes grupos, os dois grupos iniciais com dose de 3 mg/kg, a cada duas semanas e o terceiro grupo, pacientes com CEC de pele metastático, com dose fixa de 350 mg a cada 3 semanas. Considerando-se apenas a doença localmente avançada, 80% desses pacientes apresentaram resposta completa, resposta parcial, ou doença estável. A sobrevida livre de progressão foi de 58% e a sobrevida global de 93% no primeiro ano.2

Na ASCO 2020, o follow-up de seguimento de três anos desse trabalho com 193 pacientes foi apresentado. Grande parte dos pacientes mostrou que o benefício da resposta à imunoterapia é duradouro. Observou-se sobrevida livre de progressão com mediana de 18,4 meses e sobrevida global acima de 73,3 % em dois anos de acompanhamento.3