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O uso de tromboprofilaxia prolongada (≥14 dias) com heparina de baixo peso molecular (HBPM) após cirurgia abdominal ou pélvica diminui significativamente o risco de tromboembolismo venoso (TEV) em comparação com tromboprofilaxia utilizada somente na admissão, sem aumentar o risco de mortalidade ou hemorragia.1

Icone por que importa

Evidências sugerem um risco contínuo de desenvolvimento de coágulos sanguíneos nas semanas e/ou meses após a cirurgia.1
Embora a eficácia da tromboprofilaxia com HBPM durante o período de internação esteja bem definida, necessita-se de mais clareza com relação à duração ideal da profilaxia após cirurgia abdominal ou pélvica.1

Icone desenho de estudo

Revisão sistemática Cochrane de 7 estudos clínicos randomizados (n=1.728) avaliando o uso de tromboprofilaxia prolongada com HBPM comparado ao controle ou placebo em pacientes submetidos a cirurgia abdominal ou pélvica.1

Os estudos foram identificados por meio de uma pesquisa bibliográfica no Cochrane Central Register of Controlled Trials (Registro Central Cochrane de Estudos Clínicos Controlados), PubMed, EMBASE, LILACS, Clinicaltrials.gov e na World Health Organization International Clinical Trials Registry Platform (Plataforma Internacional de Registros de Estudos Clínicos da Organização Mundial de Saúde).1

O desfecho primário foi a incidência de TEV em um período de 30 dias após a cirurgia. Os desfechos secundários incluíram a incidência de trombose venosa profunda (TVP), TVP proximal, TEV sintomático e complicações hemorrágicas e mortalidade em um período de três meses após a cirurgia.1

Financiamento: Nenhum.

Resultados principais

Icone tratamento trombose
  • A incidência de TEV após cirurgia abdominal ou pélvica de grande porte foi de 13,2% no grupo controle vs. 5,3% em pacientes tratados com HBPM em ambiente ambulatorial (Mantel Haentzel [M-H] OR, 0,38; IC de 95%, 0,26-0,54; I2=28%).1
  • A incidência de todos os tipos de TVP foi de 12,9% no grupo controle vs. 5,3% no grupo tratado com HBPM (M-H OR, 0,39; IC de 95%, 0,27-0,55; I2=28%), ao passo que a incidência de TVP proximal foi de 3,9% no grupo controle vs. 0,8% no grupo tratado com HBPM (M-H OR, 0,22; IC de 95%, 0,10-0,47; I2=0%).1
  • A tromboprofilaxia prolongada com HBPM foi associada a uma redução significativa do TEV sintomático (M-H OR, 0,30; IC de 95%, 0,08-1,11; I2=0%).1
  • As taxas globais de hemorragia (maior e menor) foram comparáveis entre o grupo controle e o grupo tratado com HBPM (2,8% vs. 3,4%; I2=0%); as taxas de mortalidade também foram comparáveis (3,8% vs. 3,9%; I2=0%).1
  • A qualidade das evidências para todos os achados acima foi moderada.1

Limitações


Os estudos incluídos apresentaram desfechos "secundários" embasados em diagnósticos objetivos realizados em intervalos de tempo prolongados após a cirurgia.1