Você sabia que bebês prematuros apresentam um elevado risco de infecções nos primeiros anos de vida? Durante o primeiro ano de vida, bebês prematuros apresentam em média 56% mais infecções do que bebês nascidos a termo.3 Isso ocorre porque os mecanismos de defesa desses bebês apresentam um funcionamento distinto e há imaturidade de formação das barreiras externas, como pele e mucosas, assim como do sistema imunológico.4,5 Além disso, há, durante a gestação, transferência de anticorpos (moléculas que atuam na defesa do nosso organismo) da mãe para o filho. No entanto, estudos mostram que, devido ao período gestacional mais curto, bebês nascem antes que essa transferência ocorra por completo, o que os torna mais pré-dispostos a infecções.6
Fonte: Adaptado de Steiner L, Diesner SC, Voitl P. Risk of infection in the first year of life in preterm children: An Austrian observational study. PLoS One [Internet]. 2019 Dec 9;14(12):e0224766.

Por terem o sistema imunológico ainda imaturo, esses bebês apresentam maior risco de terem complicações causadas por essas infecções2,4,5 e, como consequência, possuem maiores taxas de hospitalização nos primeiros anos de vida7–9 e até mesmo risco aumentado de mortalidade.2,4,5 Além disso, essas hospitalizações estão associadas a maior uso de procedimentos complexos e invasivos, como ventilação mecânica, terapia de suplementação de oxigênio e cuidado intensivo neonatal.

No caso de infecções por coqueluche (também conhecida como pertussis), por exemplo, bebês prematuros infectados apresentam chance 40% maior de serem hospitalizados do que os nascidos a termo.10 Quando hospitalizados, eles possuem tempo de internação 20% maior em casos gerais e 67% maior em casos em que há necessidade de UTI.1,10 Ainda, um estudo-controle reportou que casos fatais de coqueluche apresentam, em média, peso ao nascer 5,5% inferior e idade gestacional (IG) 2,6% inferior do que casos não fatais,11 indicando que bebês prematuros podem apresentar risco mais elevado de morte.
1. Langkamp DL, Davis JP. Increased risk of reported pertussis and hospitalization associated with pertussis in low birth weight children. J Pediatr. 1996 May;128(5 Pt 1):654–9.
2. van der Maas NAT, Sanders EAM, Versteegh FGA, Baauw A, Westerhof A, de Melker HE. Pertussis hospitalizations among term and preterm infants: clinical course and vaccine effectiveness. BMC Infect Dis [Internet]. 2019;19(1):919.


Para o sistema de saúde, o impacto econômico do manejo dessas complicações é alarmante. Em média, os custos de hospitalização de bebês prematuros são consideravelmente maiores que de bebês nascidos a termo.9,12 Um estudo conduzido na Inglaterra com cerca de 240 mil bebês mostrou que o custo médio com readmissões hospitalares durante os primeiros dois anos de vida é cerca de 6 vezes maior em bebês prematuros com IG entre 32 e 36 semanas, chegando a ser 28 vezes maior no caso de IG inferior a 28 semanas, em comparação a bebês nascidos a termo.12 Ainda, para essas mesmas faixas de IG, a duração total de hospitalização é cerca de 3 e 85 vezes maior, respectivamente, do que nascidos a termo.12 Como já mencionado, boa parte dessas hospitalizações se devem a infecções, porém, felizmente, muitas delas podem ser evitadas pela vacinação adequada da população. 
Fonte: Adaptado de Petrou S, Mehta Z, Hockley C, Cook-Mozaffari P, Henderson J, Goldacre M. The impact of preterm birth on hospital inpatient admissions and costs during the first 5 years of life. Pediatrics. 2003 Dec;112(6 Pt 1):1290–7.

A vacinação adequada é uma ferramenta essencial e altamente eficaz na prevenção dessas infecções. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em linha com o Programa Nacional de Imunizações (PNI),13 recomenda que bebês prematuros sejam vacinados seguindo um cronograma muito semelhante ao de bebês nascidos a termo,14–16 mas apesar de serem uma população mais vulnerável, comumente a vacinação de prematuros acaba sendo atrasada,17 apresentando até mesmo menor cobertura.18 Em grande medida, isso ocorre devido à resistência dos pais e até de profissionais de saúde que desconhecem os benefícios da vacinação e têm receio da ocorrência de eventos adversos.13 Segundo o guia da SBP, a taxa de atraso vacinal nesse grupo varia de 30% a 70%, com tempo médio de atraso entre 6 e 40 semanas.13
1. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Guia Prático de Atualização - Vacinação em prematuros. 2018

É evidente que a severidade da doença pode ser reduzida com a vacinação. No caso da coqueluche, por exemplo, a vacinação efetiva de bebês prematuros resulta em diminuição da necessidade e duração de hospitalização, inclusive em UTI.1 Por outro lado, um atraso na vacinação pode aumentar a incidência de bebês com casos graves da doença e até aumentar a mortalidade. Estima-se que seguir o cronograma recomendado de vacinação pode diminuir em 28% o número de casos de coqueluche e em 38% o número de indivíduos hospitalizados ao longo do primeiro ano de vida.2
A prematuridade torna os bebês mais vulneráveis a complicações de saúde, especialmente no caso de infecções,3–6 o que pode não somente gerar impactos negativos na saúde dos bebês,2,4,5 mas também tornar o cuidado médico mais complexo e custoso.1,2,4,5,9,10,12 O trabalho de prevenção de doenças infecciosas deve ser ainda mais intenso nessa população e a vacinação no tempo correto é essencial.1,2 É fundamental que os bebês prematuros recebam mais atenção e maior prioridade no cuidado com sua saúde para garantir não apenas sua qualidade de vida, mas também a sustentabilidade do sistema de saúde.