A baixa adesão vacinal em bebês prematuros se deve, em grande parte, à resistência dos pais e até mesmo de profissionais de saúde, que desconhecem os benefícios da vacinação e têm receio da ocorrência de eventos adversos. Apesar de isso ser comum, não há motivos para não vacinar ou adiar a vacinação desses bebês.7 É recomendado que eles sejam vacinados na idade cronológica, seguindo o mesmo cronograma e precauções que bebês nascidos a termo.8,9
 
Embora seja fundamental a manutenção do calendário vacinal, deve-se considerar que, com o desenvolvimento e introdução continuada de novas vacinas, bebês e crianças devem receber um altíssimo número de injeções, especialmente durante os dois primeiros anos de vida.10 A preocupação com a alta frequência e quantidade de injeções é presente na maioria das famílias, uma vez que essas administrações são desconfortáveis e causam dor nas crianças.11,12 Pais comumente atrasam ou rejeitam a vacinação de seus filhos devido à quantidade de injeções.13 Um estudo americano com mais de 1.000 crianças mostrou que a proporção de crianças recebendo todas as vacinas recomendadas numa mesma visita cai de 99,5% com duas aplicações para 88,9% com cinco aplicações.14

Há indicativos de que dores nos primeiros anos de vida podem ter impactos negativos no neurodesenvolvimento de bebês,11 inclusive podendo levar a sequelas de longo prazo em prematuros.15 Além disso, alguns pesquisadores indicam que a adesão a vacinações futuras pode diminuir caso as pessoas tenham medo de agulhas em função de experiências prévias negativas com injeções.16
Adaptado das referências 17-21

Dado que a baixa cobertura vacinal é um problema grave, especialmente em bebês prematuros, é importante que gestores e profissionais de saúde adotem medidas para aumentar a taxa de vacinação. Para aumento da cobertura de maneira efetiva, é necessário que não se considere apenas o aumento no número de injeções, mas também a garantia de que a vacinação seja feita de maneira adequada e o mais confortável possível para os bebês e crianças.13 Garantindo isso, pais podem se sentir mais seguros e estimulados a manterem a vacinação de seus filhos em dia, consequentemente aumentando a cobertura vacinal.

Neste cenário, especialistas e pesquisadores recomendam que sejam utilizadas vacinas combinadas para superar os desafios associados a múltiplas injeções.1 Há evidências robustas de que vacinas combinadas apresentam bom perfil de segurança e proteção eficaz contra doenças preveníveis.13 Ainda, estudos mostram que vacinas combinadas podem diminuir a incidência de eventos adversos locais,5,6 além de reduzir dores e incômodos em comparação a múltiplas injeções.2–4 Sendo assim, a melhoria dos desfechos de segurança com vacinas combinadas pode ter impacto relevante no aumento da cobertura vacinal e, consequentemente, diminuir riscos decorrentes de futuras infecções.
Adaptado das referências 22-30