A avaliação do status de vitamina D é feita com base na mensuração dos níveis de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], que é o metabólito mais abundante.1 Em 2010, o Institute of Medicine considerou as concentrações de 25(OH)D <20 ng/mL potencialmente prejudiciais à população geral americana.2 No ano seguinte, a Endocrine Society estabeleceu o valor de 30 ng/mL como limite inferior de normalidade da 25(OH)D.3 Diante desses posicionamentos, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou um consenso, em 2014, que considerou a concentração de 25(OH)D ≥30 ng/mL como desejável para as populações em risco de desfechos prejudiciais de hipovitaminose D, principalmente com relação à saúde osteomuscular.1 A SBEM, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), fez uma revisão em 2017,4 e uma nova atualização ocorreu em 2020.5 Neste último consenso, com relação aos valores de referência da 25(OH)D, considera-se: 

• Deficiência: <20 ng/mL.
• Adequado para a população geral de menos de 60 anos de idade: entre 20 e 60 ng/mL.
• Ideal*: de 30 a 60 ng/mL.
• Risco de intoxicação: >100 ng/mL (adultos) e >75 ng/mL (crianças).


* Recomendados para pessoas de grupos de risco: idosos e os chamados “caidores”, indivíduos que passaram por cirurgia bariátrica, mulheres grávidas, indivíduos que usam medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina D (glicocorticoides, anticonvulsivantes e antirretrovirais, entre outros) e pacientes com osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, osteomalacia, diabetes mellitus tipo 1, câncer, doença renal crônica ou que apresentam má absorção.

Como prescrever a dose de ataque e de manutenção? 


A dose recomendada para correção da deficiência de vitamina D é a de ataque: 7.000 UI por dia ou 50.000 UI por semana, durante o período de seis a oito semanas, para crianças e adultos respectivamente.1,3,6,7 (Tabelas 1 e 2) A Pediatric Endocrine Society sugere doses menores para crianças com menos de 1 ano de idade.1,3,6,7 (Tabela 2) Como os fatores de risco raramente são alterados, a tendência é de que os níveis de 25(OH)D retornem aos valores iniciais e, por essa razão, é de grande importância o emprego de doses de manutenção de maneira contínua com a finalidade de manter as concentrações de 25(OH)D dentro do alvo estipulado.1 Na manutenção, a dose varia de 400 a 2.000 UI por dia ou de 2.800 a 14.000 UI por semana dependendo da idade e da condição clínica do paciente.1 (Tabelas 1 e 3) A SBEM não recomenda dose semanal para grávidas.1 É importante ressaltar que essas doses são eficazes e seguras e não foram associadas a hipervitaminose D nem a intoxicação resultante em hipercalcemia.1  

Intoxicação de vitamina D 


O excesso de vitamina D aumenta a absorção intestinal de cálcio, a reabsorção tubular renal e a reabsorção óssea e pode levar à hipercalcemia e a sintomas como náuseas, vômitos, fraqueza, anorexia, desidratação e insuficiência renal aguda.5 A suplementação de doses muito altas de vitamina D pode ser prejudicial aos idosos e potencialmente levar a quedas e fraturas.5 Em geral, os valores de 25(OH)D são considerados altos quando estão acima de 100 ng/mL, enquanto, no caso das crianças, sugere-se que tais valores estejam acima de 75 ng/mL.4,5